Afinal o Governo sempre tem um plano para solucionar o flagelo do desemprego que alastra – assustadora e transversalmente – em Portugal. Inscreveu-o no PEC e aprovou-o sorrateiramente, a pretexto da reunião extraordinária do Conselho de Ministros ter sido convocada para o fim-de-semana, precisamente o mesmo em que supunha que o País andaria distraído com o, apesar de tudo, menos extraordinário Congresso Extraordinário do PSD em Mafra.
Assim chegados à noite de Domingo, ficamos a saber que a ideia do Governo para ajudar os 10% de desempregados portugueses a ultrapassarem a grave situação social e financeira em que se encontram é, nada mais nada menos, do que... cortar-lhes o subsídio de desemprego.
Diz o ministro Teixeira dos Santos:
Pretende-se criar um estímulo para que os desempregados possam com maior rapidez voltar à vida activa.
e termina lembrando:
Sabemos que a conjuntura é difícil, mas temos de exigir de todos um pouco mais de esforço.
A ideia do Governo e as palavras do ministro representam uma afronta inqualificável, inadmissível, inaceitável e todos os outro 'in' mais que a indignação consentiria se quisesse prosseguir.
Vindas de quem teimou em negar a crise para lá de tudo o que era sustentável, mesmo quando a população a sentia já na pele e nos dias; de quem no meio do fiasco prontamente desencantou milhões para socorrer a banca privada das aflições onde por sua própria mão se enfiara; de quem ainda em Outubro pregava o fim dos tempos agrestes e defendia caninamente a realidade da retoma económica, esta ideia do Governo, somada às palavras a que o ministro se atreve, representam um deboche verdadeiramente obsceno a que nenhum cidadão devia ser sujeito por parte de um Governo que se pretende democrático e de um Estado que se afiança social..
Cf. também aqui e aqui.
SIC:
RTP:




















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