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Ministra da Cultura brasileira quer aproximação económica e tecnológica com Portugal

Posted: 15 de nov. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , , , 0 comentários

Marta Suplicy chegou esta 5ª feira a Lisboa
A ministra da Cultura do Brasil disse hoje em Lisboa que chegou o momento de o Brasil se aproximar dos portugueses não só culturalmente, mas também nos campos empresarial e tecnológico, sobretudo pelo momento de crise económica que Portugal atravessa.
"Este momento especial (Ano do Brasil em Portugal), é uma possibilidade mais intensa de afivelarmos os nossos laços de irmãos e aproximarmo-nos, não só culturalmente, mas empresarialmente e tecnologicamente", afirmou Marta Suplicy em conferência de imprensa. A ministra está em Lisboa para inaugurar o "Espaço Brasil", esta sexta-feira, na LX Factory, em Alcântara. A iniciativa insere-se no âmbito do Ano do Brasil em Portugal e do Ano de Portugal no Brasil, dois eventos paralelos que decorrem desde Setembro em ambos os países com uma programação que abrange as áreas da cultura, economia e turismo.
Segundo a ministra, o Brasil deveria ajudar Portugal neste momento mais difícil da crise económica, através de mais parcerias empresariais e citou a Embraer como um bom exemplo de investimentos de empresas brasileiras em Portugal.
Marta Suplicy reconheceu ainda que o momento que Portugal atravessa torna "mais difícil a presença de Portugal no Brasil", no âmbito da iniciativa organizada pelos dois países e que isso é compreensível. "Nós podemos, sem estar tão cerceados pela crise, trazer um pouco de nós, brasileiros" para Portugal, um pouco de alegria, acrescentou.
A ministra referiu também vários projetos do Governo brasileiro para a difusão da cultura no Brasil, como os projetos CEU (de artes e desportos para populações de baixo rendimento) e as arenas culturais, exposições e atividades que acontecerão durante a Copa da Confederações de futebol (2013) e o Mundial de Futebol 2014.

Em Portugal a promover a "alma brasileira"

Durante a conferência de imprensa, Marta Suplicy fez questão de sublinhar o facto de ser o organismo responsável pela promoção turística do país a financiar actividades culturais, atribuindo esta "curiosidade" ao reconhecimento claro de que a cultura é um meio "importantíssimo" para a divulgação do Brasil. "As pessoas visitam-nos não só por causa dos monumentos ou das paisagens mas também por causa da alma brasileira. "É isso que a cultura é, a alma de um país, a sua identidade."
Por essa razão e na mesma linha de entendimento, a programação deste ano reflecte a vontade de trazer a Portugal a cultura brasileira em toda a sua diversidade. "Essa foi uma exigência da ministra", explicou o comissário do evento, Antonio Grassi. Aliás a diversidade e a "inclusão cultural" são as linhas fundamentais da política do ministério da cultura brasileiro. "O Lula criou a bolsa família, quem sabe nós podemos criar a bolsa alma", chegou a comentar Marta Suplicy durante a colectiva de imprensa.


Agenda cheia na visita a Portugal

A ministra da Cultura enfatizou por diversas vezes que considera a realização do Ano do Brasil em Portugal como uma iniciativa "muito importante para a consolidação das conversas entre os dois países" e "uma oportunidade para afivelarmos ainda mais os nossos laços".
Suplicy defendeu que a iniciativa deve ser aproveitada como motor de mudança radical nas relações entre os dois países e que o futuro passa por “estreitar os laços que nos unem, a todos os níveis”.
“Ainda não nos conhecemos tão bem na nossa diversidade cultural quanto seria desejável e este é o momento para o fazer. O Brasil contemporâneo quer dar-se a conhecer, assim como o Portugal contemporâneo”, afirmou.
A estadia prolongada da ministra brasileira em Portugal é, aliás, uma demonstração dessa mesma vontade e não se esgota na presença confirmada em vários eventos no âmbito da iniciativa do Ano do Brasil em Portugal. Na agenda de Suplicy para os próximos dias estão programadas visitas, por exemplo, ao atelier de Joana Vasconcelos, à Casa das Histórias (museu de Paula Rego, em Cascais), à Fundação Gulbenkian e às Faianças Artísticas Bordalo Pinheiro (Caldas da Rainha). A finalizar, está  está previsto um encontro com o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, marcado para a próxima segunda-feira.

O novo "Espaço Brasil" na LX Factory

No total, o governo brasileiro investiu 12 milhões de reais – cerca de 4,5 milhões de euros – no programa cultural do Ano do Brasil em Portugal, e espera atrair 6 milhões de pessoas às quase 250 actividades planeadas entre 7 de Setembro deste ano e 10 de Junho do ano que vem.
O "Espaço Brasil" representa um investimento de 5 milhões de reais (1,8 milhões de euros), a cargo do patrocinador, a Embratur (órgão de turismo oficial brasileiro). Até 10 de Junho de 2013, o local pretende ser, segundo a sua organização, "o centro cultural do Brasil contemporâneo em Lisboa", com uma programação que atravessa várias áreas da criação artística e servirá também para promover a gastronomia brasileira.
Com um cineclube de 40 lugares, um auditório com 400 lugares sentados ou 900 pessoas de pé, galeria para exposições e ainda um restaurante com comida regional, o espaço, um antigo armazém recuperado, será o "ponto de encontro das artes brasileiras". Terminado o evento, a sua utilização poderá manter-se. Segundo António Grassi, a hipótese está a ser considerada e "eventualmente" as portas poderão continuar abertas ao público. O comissário-geral do Ano do Brasil em Portugal entende o local como “um legado do Brasil a Portugal”: “Recuperámos um armazém, que passa a incluir um cineclube, espaços para exposições e degustação gastronómica e auditório para concertos. Para já, tem programação assegurada até ao fim de 2013, mas depois ficará aberta a propostas de agentes culturais”, explicou.
A inauguração do "Espaço Brasil"será assinalada com espectáculos da fadista Marisa e do grupo brasileiro Baile do Simonal, que convidará Paula Lima para uma participação especial. A ocasião inclui a abertura da exposição "O Brasil na Arte Popular", numa cerimónia marcada para as 20h de amanhã e que contará com a presença da ministra da Cultura brasileira.

Cf. Ano do Brasil em Portugal inaugura Espaço Brasil na Lx Factory

Os EUA e a Agenda Climática: urgências, inconveniências e... contingências

"Climate of doubt" via Frontline / PBS

Ao contrário do que sucedeu na campanha eleitoral americana de 2008, em que tanto Barack Obama como John McCain elegeram a questão das Alterações Climáticas uma prioridade nacional, o assunto praticamente se eclipsou do debate, na corrida à Casa Branca em 2012. Em nenhum dos três frente-a-frente televisivos entre Obama e Romney a questão foi aflorada, não obstante as pesquisas indicarem que essa é uma preocupação cara aos eleitores.
Por ironia, a questão mais silenciada pelos dois candidatos ao longo da campanha, acabou por dominar as atenções, nos EUA e no Mundo, justamente na recta final da disputa eleitoral, por conta da passagem trágica do furacão Sandy pelo país e pelas Caraíbas. A posição de ambos sobre o assunto transformou-se, aliás, num elemento determinante, confessado por muitos eleitores para decidir o voto. Depois de meses a ignorarem a matéria, Obama e Romney foram surpreendidos pela situação e, ao arrepio do que tinham nos planos, viram-se forçados a dar o tudo por tudo com a matéria no comando das acções eleitorais.
A marcha à ré no debate e na acção, todavia, não é de agora e acentua-se desde que a 'agenda verde' de Obama esbarrou nos primeiros obstáculos, logo no início do seu primeiro mandato. Mais: o fervor de consciência ambiental, que Al Gore (Prémio Nobel, dois óscares com "Uma Verdade Inconveniente") teve a capacidade de colocar no topo das urgências mundiais, foi-se diluindo e cedendo à contra-campanha organizada por aqueles que veêm na responsabilização da acção humana sobre a Natureza o obstáculo a uma exploração económica que querem livre e desregulada. Aproveitando o cenário de recessão mundial, cavalgaram a onda da crise financeira e acenaram com o fantasma do desemprego, associaram a defesa do clima a uma perda generalizada de postos de trabalho, capitalizaram o pavor social e foram neutralizando as demandas globais de intervenção em favor do Planeta. 
A demissão e o impasse gerado pelos EUA face ao Protocolo de Kyoto, a sua sistemática recusa num acordo de redução nas emissões de carbono e, por fim, a ausência da Cimeira Rio+20, são apenas os ganchos mais flagrantes do abandono da agenda climática tão obstinadamente defendida por Obama até à eleição de 2008.
A reportagem em baixo ajuda a perceber os tentáculos que minaram a agenda climática nos EUA, pervertendo o debate, mais pela combinação de interesses de circunstância do que através de objecção com fundamento científico, culminando num processo contaminação da opinião, de contornos no mínimo escusos, que atende pelo nome de 'Climategate'. 


Seguem dois artigos de Coral Davenport, correspondente do The National Jornal para as questões da energia e do ambiente: um, publicado no final de Outubro, sobre o silêncio de Obama a respeito da matéria, durante a campanha eleitoral; outro, publicado em Setembro, à data da Convenção Nacional do Partido Republicano, no âmbito das referências críticas e irónicas que o tema das Alterações Climáticas mereceu no discurso de Mitt Romney. Numa dessas intervenções, Romney arrancou gargalhadas à plateia, contrapondo:
”President Obama promised to begin to slow the rise of the oceans. And to heal the planet. My promise is to help you and your family.”

As declarações valeram-lhe a simpatia da ala céptica da sociedade americana, que despreza as preocupações ambientais, mas a vantagem eleitoral que aparentemente renderam acabaram por se voltar contra Romney ainda antes das urnas. A calamidade provocada pelo furacão Sandy recolocou as preocupações climáticas no topo das prioridades dos eleitores. Confrontado com os efeitos reais do problema, o candidato foi obrigado a engolir o desdém de que se vangloriara um mês antes.
A incongruência - entre a ausência de discurso político, o interesse manifesto dos cidadãos e as evidências incontornáveis da realidade - que o Sandy veio expor é de tal forma flagrante que os EUA discutem agora, a poucos dias da eleição, a forma a vitória de um ou outro candidato se pode vir a decidir em torno de uma política para as Alterações Climáticas.

A este respeito, e a par com os dois artigos referidos, vale ainda ler uma entrevista de Coral Davenport ao "Frontline", da PBS, onde ela analisa a inversão abissal do Congresso sobre o assunto e explica que opções políticas ainda estão sobre a mesa, para aqueles que defendem a necessidade de acção urgente neste domínio.

[ENTREVISTA]

In 2008, Obama campaigned pretty actively around the issue of climate change, proposing a cap-and-trade system that would put a ceiling on carbon dioxide emissions. What’s behind his quieter stance this election?

… In this campaign, the public perception has shifted so much. The Republican Party has shifted so far to the right that it has denied the science at all.
Another reason is the biggest issue in this campaign: the economy and jobs. Republicans have sold climate regulation as something that will hurt jobs, that it will probably increase the price of fossil fuels. So within the Obama campaign there’s a sense that [this is a losing battle].
[Obama] campaigned on this aggressive, detailed [cap-and-trade] plan, and they torpedoed it. It passed the House, just barely, and died in the Senate. And in the midterm elections, Republicans campaigned on cap-and-trade to the point where it became politically toxic. …
Part of Obama’s campaign promise was to pass cap-and-trade and use that money for the government to invest heavily in clean energy research; $150 billion was his campaign pledge.
What ended up happening was that in 2009, soon after Obama was elected, Congress passed the stimulus, with $50 billion … to invest in clean energy. The first big solar company to get funds was Solyndra, which later went bankrupt. And so this campaign promise of clean energy spending became politically toxic, it became something [used] to attack the idea of clean energy spending.
Democrats who had supported cap-and-trade retreated. It became fodder for campaign ads. It was portrayed as an energy tax that would hurt the economy. And then a lot of Democrats who supported cap-and-trade ending up losing their jobs [in the midterm elections].

So if cap-and-trade is no longer an option, what options does Obama have to address climate change if he’s re-elected?

He doesn’t have a lot of options. He cannot go back to cap-and-trade; that has no chance of passing.
One thing he could and probably will do is use the EPA [Environmental Protection Agency] to roll out new rules limiting coal-fired power plants that would require coal plants to rein in their pollution of C02 emissions.
It’s very unpopular. He’d probably not want to talk about this on the campaign trail because it could lead to the closure of coal plants in Ohio, Virginia, Colorado and Pennsylvania — all swing states. …

What are the chances Congress would take up the issue, and in what way?

Cap-and-trade is dead, but there is one policy that does have some bipartisan support. It’s kind of a long shot, but it’s a carbon tax. Economists say the most effective way to address the issue is to put a tax on greenhouse emissions. Republicans like the idea in exchange for an end to other taxes they don’t like.
In the next year, Congress is expected to take up a sweeping tax code reform to clean up the tax code and help the federal deficit. So a lot of old tax policies will be on the table.
So if they frame this as not an environmental issue, but as a good tax policy, as part of the mix, as good fiscal policy, that could be one opening in the next year or so that would be tremendous environmental policy that economists say would be the most effective.

What’s Mitt Romney’s campaign stance on climate change?

… Mitt Romney has had several positions on this issue. As a governor, he pushed climate change policies, pushed his government on the issue, promised to close coal plants. In his book, he said he supports this idea of this carbon tax, like McCain.
But when he started running in the Republican primary this year, where he was attacked by those on the right, like Perry, who denied climate change, [Romney] also went to the right and walked back his former views. He’s indicated he’s not sure what causes climate change. In this speech at Republican National Convention, he mocked the issue, telling the crowd: ”President Obama promised to begin to slow the rise of the oceans. And to heal the planet. My promise is to help you and your family.” That was a laugh line.

In Congress, who’s leading on climate change issues? Who isn’t doing anything?

In the Republican-majority House, the chairman of the Energy and Commerce Committee, Fred Upton, is now supposed to undercut climate change, undercut EPA regulations, which is an awkward position for him because for most of his career, he was a real moderate on this issue. He used to say it was a problem. He sponsored legislation to mandate energy-efficient light bulbs with lower emissions.
Within the House, the other big leaders are Darrell Issa, chairman of the House Oversight and Government Reform Committee, charged with leading investigations into the executive branch. He’s made this a big issue. [Congressman] Joe Barton, a Republican from Texas, is known as one of the biggest skeptics. And in the Senate, Jim Inhofe (R-Okla.). They used to be out in the cold. …
As for leaders on the left pushing for change, there’s Henry Waxman (D-Calif.), the ranking Democrat on the House Energy and Commerce Committee, and he was the leading sponsor of House cap-and-trade bill that passed, and which led to a lot of his Democratic colleagues losing their jobs [in the 2010 midterm elections]. He’s the stalwart environmentalist not backing down.

Among Republicans, is there anyone pushing to address climate change?

Outside of Congress, there are a lot of Republicans who are very concerned in the way their party talks about climate change. They’re afraid the Republicans will end up on the wrong side of history, and this view will come back and hurt them badly. So they’re outside the political process having conversations on how to push the issue.
The Energy and Enterprise Initiative is made up of Bob Inglis of South Carolina, who lost his job in part for support of climate change and is working with conservative economist Art Laffer, with the support of Romney adviser Greg Mankiw to push for this idea of the carbon tax.
There is also the Young Conservatives for Energy Reform, a Christian Coalition linked up with [Young Republicans], that fears that the party is morally on the wrong side of the issue.
So there’s a growing conversation of Republicans who aren’t in public office, who are worried, who want to tell Republicans that if they go back to a moderate place on this issue, we will still support them.
But a much more powerful voice is fossil fuel groups and SuperPACs. They haven’t had nearly as much of a voice as the SuperPACs, like Americans for Prosperity, or the coal groups, like the American Coalition for Clean Coal and Electricity, which are spending very heavily to influence the campaign and make sure Republican candidates don’t move on the issue.

Are there economic costs to not addressing the issue? What are the costs for American taxpayers?

The economic costs are adding up. One thing scientists say is that we’re already starting to see increased floods, and so there are increased insurance rates in areas where there are more floods, stronger hurricanes or increased drought.
We had record drought this year, which sent up food prices. So climate change is already starting to have an impact on bottom lines. Former Republican Senator Richard Lugar of Indiana, who lost his Republican primary, said that even if Republicans aren’t going to come to the table [on the issue of climate change], they better be prepared to pay for the results of it, the taxpayer damage. This is going to keep coming and driving up costs. …

How much do voters care about the issue?

It’s interesting because a couple of years ago we saw polls showing that fewer and fewer people were convinced by climate science or believed in climate change.
Now we have extreme droughts, record weather damage, on the taxpayer’s dime, and we’re starting see voters change. [A Pew study released last week] showed that in the last year, an increasing number of Americans say the earth has been getting warmer over the last few decades and that the rise in the earth’s temperature is mostly because of human activity.
This is an issue for independent voters who say that where a candidate stands on climate change change can influence their vote, and they want to see a candidate who will do something on climate change. So that’s a new dynamic that we’re starting in the hump stretch of this election season. Part of it has to do with the extreme weather of this summer, when we saw food prices go up. Extreme drought is something that can be directly tied to climate change. Voters tend to respond to dynamics that are most directly affecting them. It’s fresh in voters’ minds.


e ainda:

Outros documentários:




Obama's Climate-Change Silence
by Coral Davenport

The president is finally talking about global warming again, but his best chance of actually doing something about it may come if he keeps quiet.

Climate change is slowly returning to the campaign conversation. After essentially ignoring the issue all year, President Obama has finally begun to explicitly address the dangers of fossil-fuel emissions warming the atmosphere, a phenomenon that an overwhelming majority of scientists agree will have grave consequences—some of which are already evident in the form of extreme droughts, increased flooding, and more-devastating storms. At an Oct. 11 rally in Miami, Obama said, “And, by the way, my plan will reduce the climate pollution that’s heating our planet. Because climate change is not a hoax … it’s a threat to our children’s future.”

PSD e CDS-PP aprovaram o Orçamento de Estado mais violento de sempre

Posted: 1 de nov. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , , 0 comentários

Enquanto o furacão Sandy atravessava os Estados Unidos, o Orçamento de Estado do Governo português para 2013 era debatido na Assembleia da República. Dois acontecimentos que coincidiram no tempo e que não precisaram mais do que dos mesmos dois dias para demonstrarem todo o seu potencial destrutivo e semearem um rasto de devastação de dimensões difíceis de calcular.
À porta do Parlamento cruzaram-se múltiplos protestos populares. Novamente se misturaram reformados e jovens, agricultores, funcionários públicos, donas de casa, desempregados, médicos, professores, gente da restauração, estivadores, delegações sindicais, movimentos não organizados, mobilizações cívicas,  manifestações convocadas nas redes sociais, um rol de gente que faz este tecido imbricado que é a sociedade.
Os deputados da maioria aceleraram a votação e saíram à pressa para evitar as concentrações marcadas. Um espectáculo ultrajante vê-los assim, a fugir antes que o povo chegasse. Cenas patéticas, aquelas que as televisões mostraram ontem, com os políticos entrincheirados nos seus carros de alta cilindrada, rodeados de segurança, numa dança acobardada de motores e caixas de velocidade, ora tenta deixar o estacionamento por aqui, ora vira antes à esquerda e tenta por aquele lado, ora faz marcha atrás, ora acelera agora que a polícia garante o cordão de segurança. Foram imagens de cobardia e degradação que nenhum cargo devia pagar, nem nenhum empréstimo monetário deveria valer.

Grécia retira aos desempregados o acesso ao atendimento de saúde público

foto de Petros Giannakouris
Impõe-se a leitura de uma reportagem publicada esta semana no The New York Times sobre os dramas  que a população grega vive, actualmente, no domínio da saúde. Para conseguir nova tranche de empréstimo por via da troika, o Governo comprometeu-se com medidas de austeridade extrema. Na sequência, os desempregados deixaram de ter acesso a atendimento médico público, ficando por sua conta e risco em caso de doença. Sem qualquer protecção, estes 25% da população que a Crise condenou ao desemprego estão agora condenados também à morte, por falta de dinheiro para se tratarem.
Os dramas humanos sucedem-se, atingindo proporções de verdadeira calamidade, em especial no caso dos doentes oncológicos, tanto pelos custos elevados que o tratamento exige, como pelo sofrimento e agressividade da patologia. É a Europa dita civilizada ao nível do Terceiro Mundo, não obstante as estradas, os ipad, a água canalizada e a TV por cabo.
Para fazer face à situação, um grupo de médicos juntou-se para prestar assistência clandestina aos desprotegidos. Estes 'Robin Hoods da medicina', como o NY Times lhes chama, arriscam punições pesadas, já que o Governo grego está obstinado em combater o que considera serem desvios de recursos públicos.
A reportagem relata casos chocantes que Portugal ganharia em ler e reflectir. A aprovação de um Orçamento para 2013 a raiar a crueldade humana, os sistemáticos ataques do Governo ao Estado Social e, em particular, a sua agenda ideológica de desmantelamento acelerado do Sistema Nacional de Saúde, colocam Portugal num trilho igual ao da Grécia. A concretizarem-se os desígnios de Passos Coelho e companhia, a lástima grega descrita na reportagem do NY Times será, a muito breve trecho, o retrato da saúde nacional.
Para ler na íntegra, clicando no link para expansão do texto.

Mais um mega-apagão no Brasil: Nordeste e parte do Norte têm madrugada às escuras

Posted: 26 de out. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , 0 comentários


Os nove estados do Nordeste e parte do Norte ficaram sem energia eléctrica esta madrugada: AL, BA, CE, MA, PE, PI, PB, RN, SE e parte de PA, TO e DF, todos foram afectados.
Os relatos iniciais indicam que a falta de energia começou pouco depois da meia-noite (horário de verão) e estendeu-se por cerca de duas horas. Em seguida, a electricidade regressou na maioria das áreas,  mas no Distrito Federal e no Tocantins, o problema persistiu. Grande parte da capital do estado, Palmas, e várias cidades nos arredores continuaram sem luz madrugada fora.
Para quebrar o breu, somente os faróis e lanternas dos carros que iluminavam as ruas. Basta tentar imaginar tudo o que pára de funcionar sem corrente eléctrica para começar a ter uma ideia do caos: dos portões de garagem aos alarmes de segurança, passando pelos elevadores, tudo ficou bloqueado. Nada de televisão, de computadores, ou semáforos para regular o trânsito. Uma dor de cabeça, dos aeroportos aos hospitais e blocos cirúrgicos, já para não falar que o Verão chegou, as temperaturas passam os 30º em muitas regiões e ficar sem frigorífico traduziu-se num prejuízo imenso para as famílias e, sobretudo, para todos os sectores que operam com alimentos. Como os terminais de pagamento automático ficaram fora de serviço, quem tencionava usar cartão acabou por ir-se embora sem pagar, em particular nas gasolineiras, bares e restaurantes. Além do transtorno óbvio, existem portanto custos que só agora começarão a ser calculados.
Pela manhã, a notícia era destaque em todas as televisões, rádios e sites de media, especialmente porque o  Operador Nacional do Sistema Eléctrico continuava sem saber explicar as causas na quebra de abastecimento.
A extensão do apagão foi gigantesca: deixou 100% do Nordeste e 77% dos Estados do Pará, Tocantins e Maranhão às escuras.


[ACTUALIZAÇÃO]

Este é o 4º apagão de proporções importantes nos últimos dois meses e o 2º atingir o Nordeste. O primeiro foi em Setembro. Somam-se outros dois sucessivos, que deixaram sem luz áreas no Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Sistema Acre-Rondônia e o Distrito Federal no início de Outubro.
Curiosamente, tanto o de ontem, como os de Outubro aconteceram às vésperas da Eleição Municipal. Teoria da conspiração à parte, também não deixa de ser curioso que as quebras de energia ocorram logo após Dilma ter anunciado, em meados de Setembro, uma redução média de 20,2% da conta de luz dos consumidores em 2013. É que essa redução na tarifa resultará da diminuição ou extinção de encargos, bem como da renovação antecipada e condicionada das concessões do sector elétrico que venceriam entre 2015 e 2017.
Até ontem, o Governo vinha desvalorizando os apagões e insistindo que se tratavam de problemas pontuais que não comprometiam a segurança da rede nacional. Hoje, porém, houve uma clara mudança de tom e o ministro interino de Minas e Energia, Márcio Zimmermann já veio dizer que «eventos como esse não são normais e a coincidência, então, é que é mais anormal ainda».
A questão é delicada para Dilma, uma vez que assenta num dos cavalos de batalha que lançou sobre o anterior Governo tucano quando, durante a presidência de Lula, assumiu a pasta. Na época, a presidente foi a responsável pela elaboração do novo marco regulatório do sector, tendo como objectivo principal atacar o racionamento de luz imposto, em 2001, por Fernando Henrique Cardoso.
A oposição já PSDB e DEM não esquecem o facto, nem estão dispostos a desperdiçar a oportunidade. Hoje, já vieram atribuir os apagões à má gestão e criticar o baixo investimento no sector. Um deputado do PPS manifestou mesmo a intenção de pedir uma audiência ao ONS e Aneel na Câmara.

As ameaças de Durão Barroso

Posted: 23 de out. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , , , 0 comentários

Durão Barroso, hoje em Bruxelas. foto: Vincent Kessler
Durão Barroso volta à ribalta, na pele de grande líder da Europa desavinda, para reclamar os louros pelo prolongamento concedido para a redução do défice. "Foi a Comissão, não o FMI, que propôs mais um ano para Portugal", veio lembrar de dedo em riste, do alto do púlpito de Bruxelas. Depois, endurecendo ainda mais o dedo, crescendo nos bicos dos pés e insuflando o peito, vociferou o aviso em tom de ameaça: reestruturar a dívida vai, diz ele, "atrasar a situação do país" e adiar perigosamente o "retorno aos mercados".
Vale a pena ver este vídeo e o que se segue, não tanto pelo conteúdo, mas pela forma, pelo o tom e os modos de Durão.


Incapaz de domar a Alemanha e segurar, como lhe competiria, as rédeas da Europa, Barroso antecipa as dores de cabeça que se avizinham, caso Portugal inverta a obediência e exija renegociar o pagamento da dívida. É certo que fez as malas, se instalou na Comissão Europeia e voltou costas a Portugal, onde tem pugnado por passar pelos intervalos da chuva, apostado em fingir que não é português e nada tem a ver com a ruína nacional. De Bruxelas, tem-se desdobrado em moralismos e críticas à governação portuguesa, omitindo o facto de ter - ele próprio - sido primeiro-ministro, com amplas responsabilidades no descalabro.
Acontece que, mesmo fazendo ouvidos moucos ao que se passa cá dentro, nunca faltaram bons informadores ao presidente da CE. Neste momento, Barroso sabe bem que o descontentamento deixou de vir apenas da esquerda. Alastrou ao centro e à direita. Tomou, aliás, conta das vozes dominantes do seu partido. Barroso não ignora que os ataques mais duros à política de austeridade que tem defendido na Europa provêm (pasme-se!) de sociais-democratas históricos e considerados. Mais do que não gostar, tem medo do que está a suceder. Vê crescer a frente de contestação nacional, num uníssono que todos une, e está às portas do pânico. Se todas essas vozes concordantes ganharem espessura, na opção pela renegociação dos termos de pagamento da dívida, está metido numa camisa de sete varas. Como vai ele dobrar a Srª Merkel sem por a nu que, apesar de ocupar o cargo, é ela quem de facto dita as regras? Antecipando os apertos de uma bota que não sabe como haverá de descalçar, Barroso arma-se em 'durão' e parte para as ameaças, na esperança de assustar e, com isso, estraçalhar o acordo nacional que se começou a formar em torno da necessidade imperiosa de rever o acordo com a troika. 

A mensagem de Durão Barroso é básica e resume-se numa linha: já fui amiguinho, dei-vos mais um ano, portanto retribuam o favor não me criando problemas que dispenso. O interessante aqui não é tanto o teor das suas palavras (infelizmente, previsível e em linha com a cobardia da semana passada), mas os modos em que são proferidas.
É a imagem descontrolada de um Barroso subitamente descomposto dentro dos colarinhos, avermelhado pela irritação, empinado no timbre e a hiper-ventilar no púlpito. Barroso pensa que ruge ameaças e impõe respeito, mas apenas transparece um vergado apelo à clemência dos povos perante a sua própria incompetência. Crente que reprime a insurreição, mais não faz que confessar impotência.
Aquilo que verdadeiramente dá que pensar é o carácter que assim fica exposto. É o perfil e a vértebra de quem preside a esta Europa.  Quem opta pela chantagem é incapaz de negociar o que quer que seja de boa fé. Quem parte para a ameaça desconhece o valor da conciliação. Quem divide para reinar nunca terá condições para suster o que se está a esboroar. Nunca a união da Europa correu tanto perigo como agora, entregue às mãos de uma liderança com semelhante verve.

Não há democracia sem pleno acesso a informação livre


Na semana passada, João Ubaldo Ribeiro escrevia o seguinte, na sua crónica semanal em O Estado de S.Paulo:
Toda ditadura, sem exceção, tem como prioridade básica o controle da imprensa, a vigilância rigorosa sobre os fatos e opiniões que podem ser conhecidos pelo público. Não há como aceitar o controle da imprensa pelo Estado e muito menos pelo governo. O resto é conversa e interesse contrariado, pois em lugar nenhum existe democracia sem liberdade de imprensa. É a imprensa, apesar de todos os defeitos comuns à condição humana, que serve de olho e boca da coletividade, não pode ser cerceada sem que as liberdades civis também sejam.

Hoje, Ricardo Noblat pega no raciocínio e acrescenta, na sua coluna em O Globo:
Ubaldo esqueceu os governos democráticos. Também eles têm como prioridade básica o controle da imprensa, a vigilância rigorosa sobre os fatos e opiniões que podem ser conhecidos pelo público.
Existe uma diferença vital aí: se necessário, as ditaduras usam a força bruta para subjugar a imprensa. Os governos democráticos se valem de meios não violentos. Ou dissimuladamente não violentos. Mais eficazes na maioria das vezes porque não costumam deixar marcas visíveis.
(...) Liberdade de imprensa não é o direito que têm jornalistas e donos de veículos de comunicação de divulgarem o que quiser. Não é não. Liberdade de imprensa é o direito que você, eu, todos nós temos de saber o que está acontecendo. Sem saber, como tomar decisões que afetarão profundamente a nossa vida e a vida alheia? Ou mesmo decisões banais, mas capazes de nos infringir prejuízos?

São duas reflexões de brasileiros, publicadas num dos lados do Atlântico, e que espelham tanto a experiência jornalística como a realidade brasileira. No caso, ambas têm como pano de fundo as condenações saidas do julgamento do processo Mensalão. Não apenas do ponto de vista das reacções às sentenças que tem provocado, mas também daquilo que lhe deu origem, a saber, o facto da investigação ter sido despoletada por uma série de reportagens publicadas na imprensa.
Este contexto factual preciso é, aliás, a tradução perfeita daquilo para que o Daniel Oliveira alerta, hoje, na outra banda do Atlântico, no texto que publica no Expresso:
Um País em crise e desagregação, com um poder político sem autoridade moral e uma população descrente nas instituições, a ser vendido ao desbarato em negócios pouco transparentes, é terreno fértil para o populismo e para a corrupção. E uma população mal informada é a vítima ideal para os oportunistas da crise. Os que ganham dinheiro com ela e os que esperam com ela ganhar votos.

E propõe um exercício simples:
Imaginem este país informado quase exclusivamente pelo "Correio da Manhã" e sucedâneos. Imaginem um canal de televisão, uma rádio e vários jornais (DN, JN, I, Sol) nas mãos dos homens de negócios próximos da ditadura angolana. Imaginem jornais feitos por meia dúzia de estagiários, impreparados e indefesos perante todas as pressões. Imaginem jornais sem meios para investigar e jornalistas com medo de investigar. Diretores com medo de administradores e administradores com medo de anunciantes e políticos. Imaginem que tudo o que sobra são as notícias encomendadas e as investigações entregues ao domicílio. Não precisam de imaginar. Estamos praticamente lá.

O Brasil teve o seu Mensalão. Portugal arrisca-se a, se for o caso, nem sequer poder aspirar ao seu:
O País discute a corrupção, os abusos, a prepotência. Mas é com a situação dramática em que está a comunicação social que tudo isto pode florescer. Na obscuridade. Não se indignarão os portugueses. Porque não saberão de nada.

Como lembra Ubaldo, «apesar de todos os defeitos comuns à condição humana», a imprensa é «a boca e o olho da colectividade» e, como sublinha o Daniel, «até haver uma alternativa, não há jornalismo sem jornalistas». «Sem jornalismo não há democracia», escreve-se hoje em Portugal. Se a liberdade de imprensa falhar serão «as liberdades civis» que sairão cerceadas, escreveu-se no Brasil, ainda a semana passada. O direito de saber o que acontece é condição de possibilidade para escolher e decidir, diz Noblat, sem eximir a democracia de silenciamentos semelhantes aos da ditadura, mesmo que mais subtis e «invisíveis». Uma vez na ignorância, seremos  - resume o Daniel - «uma ditadura perfeita: todos os direitos democráticos formais garantidos, nenhum instrumento para os usar».
Não obstante os contextos, estas três reflexões assentarão sempre como uma luva nos dois lados do Atlântico e em qualquer outra parte do Mundo, sem que seja sequer necessário alterar-lhes uma vírgula. A razão é simples: a liberdade de informar e ser informado é um direito universal de cidadania, muita para além das contingências do Portugal da Crise e do Brasil do Mensalão. Negá-lo é condição imprescindível à ditadura. Assegurá-lo é exigência primeira em democracia.

* O texto do Daniel pode ser lido na íntegra aqui e os de Ubaldo e Noblat, clicando no link em baixo.

Será mesmo Merkel a única amiga que ainda resta?

Posted: 20 de out. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , 0 comentários

imagem via We Have Kaos In The Garden
Passos Coelho pensa que lucra com o servilismo a Merkel. Ontem somou mais uma prova de que está equivocado. Enquanto dava uma conferência de imprensa e proclamava, ufano, o quanto Portugal beneficiaria com as novas regras para a recapitalização dos seus bancos, na sala ao lado, Merkel anunciava o contrário: não só «não haverá qualquer recapitalização», como esta não será «retroactiva». A ideia estava apalavrada desde a cimeira de Junho e, em especial as economias em dificuldades, contavam que esta reunião do Conselho Europeu servisse para decretar a sua entrada em vigor. Nada feito. Merkel venceu novamente o braço de ferro e conseguiu adiá-la para as calendas gregas. Esteve-se nas tintas para o que convinha a Portugal, tanto como a Espanha e outros.

Merkel não é, nunca foi e jamais será amiga de Passos Coelho. Portugal serve-a e Passos Coelho dá-lhe jeito. Mesmo que, por cá, os números derrapem e os resultados sejam desastrosos, o programa que defende é executado sem contestação. É isso que lhe importa, sobretudo em véspera de eleições na Alemanha. Interessa-lhe uma demonstração de poder, um exemplo vivo de que a sua voz fala forte e domina o tabuleiro da Europa. Para Merkel, nesta altura do campeonato, mais do que pouco relevante, o sucesso do programa é relativo. Depende acima de tudo da perspectiva a partir da qual se avaliam os seus ganhos. Está a esfacelar a economia portuguesa? Está, é um facto. Mas isso é encará-lo do ponto de vista dos interesses próprios. Visto, como certamente tencionará exibi-lo durante a campanha, pelo prisma do que à Alemanha diz respeito, o facto que sobressai é outro bem diferente. A começar, por exemplo, pela vantagem de já ter permitido resgatar a maior parte do capital em risco que trazia os bancos alemães expostos à dívida soberana portuguesa.

Pelo meio sucede ainda que Portugal "acordou". Passos esbarrou nesse despertar quando tentou impor mudanças na aplicação da TSU. O povo rejeitou e ele não conseguiu impô-la. Com a contestação tornada uma constante, incompatibilizado com tudo e todos (presidente da República, partidos de base da coligação, oposição, sindicatos, cidadãos), outras medidas se seguirão que não conseguirá fazer passar. Terá nessa altura a derradeira prova do seu equívoco em relação à força da amizade de Merkel. O laço há-de diluir-se na exacta proporção em que a autoridade da sua acção governativa se esfumar. Quando Passos deixar de servir, será indiferente a Merkel que um dia lhe tenha dado jeito.

Nessa altura, bem pode bater-lhe à porta e tentar reclamar os dividendos por ter sido «um bom aluno». O mais provável é que Merkel lhe responda nos moldes de Durão Barroso, 'sacudindo a água do capote', dizendo que não tem nada a ver com o assunto, lembrando-lhe que a responsabilidade pelas políticas dos países é sempre dos respectivos governos. Em suma, que deu as ordens, mas foi Passos quem escolheu cumpri-las.

Passos Coelho vai à Europa dizer que «estamos muito confortáveis» com o plano de austeridade

Posted: 19 de out. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , 0 comentários


Passos Coelho foi à reunião do Conselho Europeu. Mais valia que se tivesse feito representar e nem lá tivesse posto os pés. A sua presença não serviu para aproximar Portugal de quem interessava. Não fortaleceu a aliança com países que se debatem com os mesmos dramas, como a Grécia, a Espanha e a Itália. Pelo contrário, serviu para Portugal vincar a sua demarcação das demandas e estratégias que estes tentam consolidar para fazerem frente às posições dominantes, responsáveis pela aniquilação dos seus povos, das suas democracias e das suas economias.
Além de legitimar o programa de austeridade em curso e de aceitar a inevitabilidade do País ter «menos liberdade do que os outros», o primeiro-ministro tornou a defender que não pretende aliviar a carga de esforço, que não tenciona pedir «nem mais tempo, nem mais dinheiro» e desvalorizou em absoluto as recentes conclusões do FMI sobre o efeito nocivo dos excessos da fórmula.

No momento em que François Hollande dá um passo em frente, faz o que tantos esperavam e sai em defesa dos países em apuro financeiro (aqui e aqui), Passos Coelho desaproveita a mão solidária que se estende e critica-lhe a iniciativa. Imagine-se!... Foi à Europa sublinhar a submissão ao carrasco e insurgir-se contra o defensor.
Enquanto Samaras e Rajoy aproveitaram a ocasião para relatar os dramas sociais que a receita da Europa está a espalhar na Grécia e em Espanha, Passos Coelho foi e veio sem uma única palavra sobre o desespero dos portugueses que se levantou nas ruas e ainda há dois dias lhe apedrejou os portões, em São Bento. «Eu não trouxe à colação a execução do programa português», confirmou aos jornalistas, orgulhoso por prescindir de o discutir. Mais: enquanto Samaras e Rajoy, secundados por Hollande e Monti, questionaram a austeridade, Passos Coelho foi defendê-la, chegando ao ponto de afirmar: «Estamos muito confortáveis com as decisões tomadas a nível europeu sobre o programa português».

Fica tudo dito, no que respeita à esperança que Portugal possa ter numa solução europeia dos problemas, quando os seus interesses se fazem representar por um primeiro-ministro que pensa e age deste modo. A passagem de Passos Coelho por esta reunião do Conselho Europeu expõe a sua clara incapacidade para interpretar a mensagem (ainda mais clara!) que o povo lhe grita insistentemente nas ruas desde dia 15 de Setembro. Cá dentro, - em protestos de milhares, vindos de todos os quadrantes (incluindo do seu próprio partido) - os portugueses berram «Basta!». Passos Coelho vai lá fora e o eco que deixa do sentimento nacional é: «estamos muito confortáveis».


As entropias de compreensão do primeiro-ministro português não se limitam, porém, à realidade interna. Chega a ser aflitivo que não entenda que a regra do "quem não está comigo, está contra mim" não se aplica apenas às aspirações alemãs. Cada elogio que faz às políticas de austeridade, são um ataque declarado às que se lhe opõem. Sustentando a receita de Merkel, especialmente sendo Portugal uma das cobaias no tubo de ensaio, retira argumentos aos que lutam para a reverter.

Mais valia, sim, que o primeiro-ministro nem tivesse posto os pés nesta reunião e continuasse a comportar-se como tem feito: à margem do palco europeu. Em vez disso, abriu uma excepção para ir repetir lá fora a mesma lógica desastrosa que tem encetado cá dentro. Foi à Europa abrir fossos, recusar parcerias, voltar costas ao diálogo, declinar outras soluções e alternativas. Ou seja, cavar ainda mais o isolamento do país.
Passos Coelho foi ao Conselho Europeu. Saldo da sua participação? Carta branca à Alemanha para continuar a ditar a austera destruição de Portugal e cartão vermelho para todos os que a contrariem. Mais grave e, seguramente, com consequências nefastas num futuro próximo: os que tentam outros caminhos para a Europa tiveram, mais uma vez, oportunidade para confirmar duas evidências. Primeiro: que Portugal não está interessado. Segundo, que não vale a pena contar com ele.
Não será de estranhar que se preocupem cada vez menos com a situação do país de Passos Coelho (que, afinal de contas, está como se quer) e se concentrem na dos restantes países.
No tabuleiro europeu, qualquer dia destes e não faltará muito, Portugal será para a França, Itália, Espanha, Grécia, Irlanda, Bélgica, Chipre, um adversário idêntico à Alemanha, apenas mais fraco, mais pobre e mais patético.

Educação: a área social em que Portugal mais corta e o Brasil mais aposta

Leio no Diário Económico:

A Educação vai ser a área social com maior corte real de verbas em 2013. Apesar de ainda não ser possível determinar a redução global exacta feita no ministério de Nuno Crato, a verdade é que (...) o corte orçamental da Educação e Ciência é bem superior ao inicialmente estimado. Só no básico e secundário atinge os 703 milhões (menos 11%). No ensino superior, os reitores garantem que haverá também um corte real e ameaçam já com o encerramento de universidades.
(...) Quase metade (47,4%) desta redução de 703 milhões de euros vai ser feita com o corte no investimento da Parque Escolar. Em 2013, a empresa responsável pela requalificação da rede escolar vai ter menos 266,9 milhões. No entanto, o documento revela também a intenção de continuar a reduzir professores, utilizando "critérios exigentes de gestão e racionalização", e fechar escolas, defendendo uma "racionalização da rede de oferta de ensino".

A contrastar com este cenário, ontem mesmo, no Brasil, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara de Deputados aprovou a redacção final do Plano Nacional de Educação (PNE), que prevê que 10% do PIB seja destinado à educação. Só ficou por saber quanto caberá à União, aos Estados e aos municípios investirem. O Governo queria que essa discussão também decorresse na Câmara, mas foi derrotado pela base de apoio e a definição transita agora para o Senado.
É certo que a educação no Brasil está longe de se poder considerar idílica. Basta lembrar a extensão das greves de professores que, por meses, paralisaram escolas e universidades, agitando o país num clamor por condições de trabalho e salários mais justos. Ainda assim! Aliás, seria até interessante imaginar que proporções tomaria a sua luta se, à semelhança do que sucede em Portugal, a classe se debatesse há anos contra sucessivas desconsiderações e penalizações laborais. Como seria igualmente curioso tentar imaginar o que aconteceria em Portugal se os professores ousassem levar por diante uma greve de extensão e duração idêntica à brasileira.
Observando, uma e outra realidade nacional, são inúmeras as diferenças e cada vez mais opostas as opções e políticas educacionais adoptadas. Enquanto em Portugal, por exemplo, se legisla para aumentar o número de alunos por classe, no Brasil, a Comissão do Senado aprovou recentemente um projecto destinado a reduzi-lo. Enquanto em Portugal aumenta assustadoramente o número de estudantes universitários que se vêem obrigados a abandonar os seus cursos por falta de recursos económicos, no Brasil, só em 2011, as matrículas no ensino superior cresceram 5,7%.
Não é à toa que a UNESCO revelou, por estes dias, que 200 milhões de jovens de países em desenvolvimento não completaram ensino primário.

Nesta lógica de números, apostado em transformar o ensino numa máquina de calcular cada vez mais obcecada e desumanizada, é de temer que episódios de insensibilidade chocante, como o que se segue, tendam a multiplicar-se em Portugal.


SIC Notícias - 16.10.2012

Com 20 mil euros de dívidas acumuladas nas cantinas e depois de vários alertas aos pais que não pagam, um agrupamento de escolas em Quarteira decidiu deixar de dar almoço às crianças.
Na reportagem (transmitida, por ironia, em pleno Dia Mundial da Alimentação!), a directora apresenta os argumentos que a levaram a optar pela «medida extrema» de impedir a entrada de uma menina de 5 anos no refeitório, obrigando-a a ficar sem comer até à hora de saída, quando a mãe a veio buscar: dinheiro.

E por falar em «instigar à revolta»...

Posted: 12 de out. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , , 0 comentários


SIC Noticias - 12.10.2012

As imagens que as televisões passaram ontem - dois ex-presidentes do PSD a passearem em alegre galhofa, pelas ruas dos Açores, de braço dado com Berta Cabral - são a chapada pública (de luva branca, diga-se!) a Passos Coelho, que esta manhã desabafava a sua fúria contra Jerónimo de Sousa, acusando-o de instigar à rebelião contra o Governo.
Quanto mais Marcelo Rebelo de Sousa e Marques Mendes riem e espalham piadas entre os eleitores, com uma Berta Cabral (agora sim!) rejuvenescida e saltitante de premeio, mais Passos Coelho sai humilhado, transformado numa verdadeira anedota de liderança, não apenas do país mas também do PSD. No espaço de opinião semanal que ambos têm na TVI24, Marcelo e Marques Mendes têm-lhe lançado críticas implacáveis. Se não verbalmente mais violentas, no mínimo equiparáveis às que o primeiro-ministro se queixou hoje de receber dos comunistas.
Enquanto Marcelo e Marques Mendes vão de casa em casa, de janela em janela, provando petiscos e recolhendo os dividendos da popularidade que a TV lhes proporciona, Passos Coelho fica-se pelo Continente e a engolir em seco, especialmente se estiver a assistir aos telejornais, vendo Marcelo a mordiscar uma cenoura e a ensaiar chalaças com o povo: «nunca tinha pensado nisso, mas olha que é uma boa ideia: dar passos com alimentação de coelho!».
Chega a ser constrangedor ver os dois 'vice' avançarem por caminhos absolutamente interditos ao primeiro-ministro e líder do partido por ordem expressa e violenta da sua própria candidata. É que não perdoa que a impopularidade do Governo lhe tenha vindo ameaçar uma eleição que parecia ganha à partida. No desespero de ver a vitória escapar-se entre os dedos e se demarcar de Passos Coelho, Berta Cabral radicaliza o discurso. À semelhança de Mota Amaral (ex-presidente regional laranja), vai ao ponto de gritar alto e bom som que não só chumbará como dará instruções aos deputados açorianos para votarem contra este Orçamento de Estado.

Se Berta Cabral for eleita junta-se a Alberto João Jardim e Passos Coelho consegue mais um inédito: ter à frente dos Governos Regionais dos Açores e da Madeira membros do seu próprio partido que lhe voltam costas. Mas pior: torna-se facto público que os eleitores só terão voltado a confiar nela por ter jurado opôr-se e dar combate às políticas de Passos Coelho.
As eleições são no Domingo, mas corra o mar por onde correr, Berta Cabral já tem a sua vitória. Enfrentou e afrontou o líder do PSD nacional. Disse que não o queria nos Açores, que não era igual a ele, que não tinha medo dele, que tenciona votar contra ele. Não ficou isolada no partido. Bem pelo contrário. Marcelo Rebelo de Sousa e Marques Mendes (dois ex-líderes históricos, que nunca alinharam pela facção do primeiro-ministro e há anos não se envolviam em arruadas de campanha) meteram-se no avião e foram ajudá-la. Ofereceram-lhe o braço, trataram-na por «Bertinha». Se a candidata vencer as eleições, a ala do PSD que nunca se deixou convencer pela actual liderança dá uma demonstração de vitalidade e influência. Terá resgatado para Berta a conquista dos Açores que só por um triz Passos Coelho não lhe comprometeu.

Uma última nota: embora parceiros no Governo e na austeridade, Paulo Portas provou que ainda consegue ir aos Açores em campanha e ser recebido como uma mais valia, coisa que Passos Coelho nem se atreve. Aliás, não desperdiçou a oportunidade para frisar o contraste. Está tudo dito também quanto à saúde desta coligação de Governo.

Festival de Cinema do Rio 2012: os vencedores, o balanço final e a repescagem que segue até dia 18

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'O som ao redor', de Kleber Mendonça Filho

"O som ao redor", ficção de Kléber Mendonça Filho, foi o grande vencedor do Troféu Redentor na Mostra Première Brasil do Festival do Rio 2012. Além do prémio de melhor filme, o longa-metragem recebeu ainda a vitória pelo roteiro.
A cerimónia realizada na noite passada no Cine Odeon, no Centro do Rio, reuniu cerca de 800 pessoas, que aplaudiram também Erik Rocha, eleito Melhor Realizador por "Jards", sobre o compositor Jards Macalé; com isso, o cineasta juntou num só prémio ficção e documentário. Já "O gorila", de José Eduardo Belmonte, foi premiado duplamente pelas actuações de Otávio Müller (melhor actor) e Alessandra Negrini (melhor actriz secundário). Só perdeu, em número de troféus, para "Disparos", de Juliana Reis, vencedor nas categorias actor secundário (Caco Ciocler), montagem e fotografia.
O prémio especial do Júri foi para o pesquisador Antônio Venâncio, pelo seu trabalho nos documentários "Helio Oiticica", "Dossiê Jango", "Sobral" e "O dia que durou 21 anos". O prémio Popular foi para "A busca", de Luciano Moura, na categoria ficção, e "Dossiê Jango", de Paulo Henrique Fontenelle, em documentário.

Lista dos premiados
Melhor Filme: "O som ao redor", de Kléber Mendonça Filho
Realizador: Erik Rocha ("Jards")
Documentário: "Hélio Oiticica", de Cesar Oiticica Filho
Melhor roteiro: “O som ao redor”
Melhor actor: Otávio Muller ("O gorila")
Melhor actriz: Leandra Leal ("Éden")
Actriz secundária: Alessandra Negrini ("O Gorila")
Actor secundário: Caco Ciocler ("Disparos")
Montagem: "Disparos"
Fotografia: "Disparos"
Melhor curta: "Realejo", de Marcus Vinicius Vasconcelos
Prémio especial do Júri: Antônio Venâncio
Prémio do Júri Popular: "A busca", de Luciano Moura (ficção); "Dossiê Jango", de Paulo Henrique Fontenelle (documentário)
Mostra Paralela Novos Rumos: "Super Nada", de Rubens Rewald (ficção), e "A batalha do passinho", de Emilio Domingos (documentário)

Central de vendas de ingressos do Festival do Rio 2012

Um balanço do Festival do Rio 2012

Cada vez maior, em termos de quantidade de filmes e extensão de seu circuito exibidor, o Festival do Rio tem dado sinais claros de estar a sucumbir ao peso das suas ambições. A edição de 2012, que se encerrou ontem à noite, com a cerimónia de premiação da Première Brasil, exibiu 427 títulos — novo recorde da mostra carioca — em mais de 30 salas, de Norte a Sul da cidade, mas não sem gerar um curto-circuito no roteiro: falhas nas projecções digitais, que ocasionaram interrupções e até mesmo o cancelamento de sessões, foram comuns ao longo do festival; a venda de ingressos, na central de vendas de ingressos, instalada no Estação Sesc Botafogo, ou via internet, sofreu várias panes.
A organização do evento atribuiu os problemas nas projeções à falta de familiaridade com diferentes formatos digitais, tecnologia ainda incipiente no Brasil. Não seria o caso de reduzir o número de títulos que dependam de processos ainda alienígenas ou investir no treinamento de profissionais capacitados para tal? Os grandes festivais de cinema do mundo, em países em que predominam os cinemas digitalizados, como os de Cannes (França), Berlim (Alemanha) e Veneza (Itália), também sofrem black-outs tecnológicos, mas numa proporção infinitamente inferior à verificada nos 15 dias do Festival do Rio. E, mesmo assim, os problemas são resolvidos rapidamente.

Malala Yousafzai: 14 anos, defensora dos direitos das mulheres e vítima de atentado talibã


Malala Yousafzai tem apenas 14 anos, mas a sua idade não impede que os talibãs paquistaneses a tenham marcado como alvo a abater. Ontem, ao sair da escola, na região paquistanesa de Mingora, foi vítima de um atentado e alvejada na cabeça. Operada «com sucesso» no hospital militar de Peshawar, ainda corre perigo de vida, embora os médicos a considerem «estável».
E que fez Malala para ser marcada para morrer pelos extremistas islâmicos? Quando tinha 11 anos começou a escrever um diário. Foi em 2009, dois anos depois de os talibã terem conquistado o vale Swat, onde morava (a ocupação durou de 2007 a 2009, altura em que uma ofensiva das forças militares paquistanesas os afastou do poder), e ordenado o encerramento de todas as escolas femininas. Durante esse período, os rebeldes paquistaneses promulgaram a lei islâmica em toda a região, proibindo, por exemplo, as raparigas de frequentarem a escola e a reprodução de música nos carros.
O seu diário foi publicado sob pseudónimo pelo serviço em urdu da BBC. Malala relatava o sofrimento das mulheres (adultas e crianças) perante a brutalidade dos talibã, enunciava a repressão e reivindicava direitos e liberdades para o sexo feminino. Uma das entradas do diário foi dedicada à proibição das mulheres irem à escola e terem acesso à educação: «Uma vez que hoje foi o último dia de escola, decidimos brincar no recreio mais um bocadinho. Sou da opinião de que a escola, um dia, reabrirá, mas ao ir-me embora olhei para o edifício como se nunca mais pudesse regressar». «Sonho com um país onde a educação seja o mais importante», escreveu Malala, que quer estudar Direito e tornar-se advogada antes de começar uma carreira política.
No atentado de ontem também ficaram feridas duas colegas da jovem. Segundo os seus relatos, os homens armados que as interceptaram no regresso da escola perguntaram explicitamente qual das três era Malala Yousafzai, antes dos disparos.
Para que não restassem dúvidas que a jovem blogger  era o alvo, os talibãs paquistaneses reivindicaram de imediato a autoria do tiroteio, acusando a jovem de «promover o secularismo». O porta-voz do grupo islâmico admitiu, inclusivamente, que ainda que Malala sobreviva ao ataque a sua vida não será poupada.
A comunidade internacional condena o atentado, os media idem e as autoridades paquistanesas garantem estar a avaliar a melhor maneira de assegurar protecção para a jovem activista.
Seja como for, jurada de morte, a vida de Malala nunca mais será a mesma, como lembra M Ilyas Khan, correspondente da BBC News em Islamabad, que não deixa de sublinhar a ambiguidade do Governo paquistanês face aos talibãs:
Even if Malala Yousufzai survives, life is not going to be the same for her and her family. No place in Pakistan is safe for people targeted by militant groups. She may have to live under state security or in asylum abroad. In either case, her life and her ability to campaign for girls' education in north-western Pakistan will be severely limited.
Malala Yousufzai rose to fame because of her innocent but courageous desire to attend school, which translated into a one-girl campaign of resistance when Taliban captured Swat valley in 2009 and ordered girls' schools closed. Several hundred in Swat and neighbouring Bajaur and Mohmand were destroyed. Only a few in urban areas have been rebuilt.
The government's inability to rebuild is matched by its ambivalence towards the Taliban, which has enabled them to carry out acts of sabotage with impunity. The question is, will it change now? The attempt on Malala Yousufzai's life has shocked and angered the nation, and reports from parliament suggest a wider anti-Taliban consensus might be in the works - something Pakistan's fractious politicians have rarely achieved before.

Malala Yousafzai foi nomeada para o Prémio Internacional da Paz, destinado aos menores de idade, e foi premiada a nível nacional pela sua luta pela paz e pelo direito à educação.
# Mais informações: AQUI.

O amazonense ‘A floresta de Jonathas’ encerrou a mostra competitiva do Festival do Rio

Posted: 9 de out. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , , 0 comentários


O manauara Sérgio Andrade tem-se dedicado a difundir a história da Amazônia em produções nacionais e internacionais para o cinema, seja em documentários, seja em curtas ou longas. No seu primeiro filme, "A floresta de Jonathas", o realizador inspirou-se numa história real, misturou as culturas indígena e ucraniana e tentou fugir dos esteriótipos e clichês, geralmente associados à região. A estreia da produção, que encerra a mostra competitiva de longas de ficção da Première Brasil, aconteceu esta segunda-feira, às 21h30m, no cinema Odeon. Antes, porém, Sérgio Andrade falou sobre as dificuldades e facilidades que um filme amazonense enfrenta para penetrar o circuito em que Rio e São Paulo predominam.

[ENTREVISTA A SÉRGIO ANDRADE]

Qual a importância de ter seu filme em uma mostra do Festival do Rio? E qual a importância de tê-lo na competição?
O filme representa um grande passo na descentralização cultural de nosso cinema, pois foi o primeiro projeto do norte do Brasil a ganhar o edital de baixo orçamento do Ministério da Cultura, mas principalmente porque ele traz uma abordagem diferente da Amazônia, sem os estereótipos costumeiros. Se não estão falhas as minhas pesquisas é o primeiro filme genuinamente amazonense a competir no Rio, um festival decisivo para a carreira de um longa no Brasil e no exterior.

Tem alguma curiosidade de gravação que você gostaria de dividir com os leitores?
Impressionante como tudo correu da forma planejada, sem sobressaltos e nem problemas, todos os recursos foram disponibilizados e aproveitados a contento; filmar na floresta foi um prazer, a fauna e a flora só cooperaram. Cito apenas um episódio engraçado, mas bastante amedrontador, quando um ataque de um enxame de cabas (tipo de vespa feroz da Amazônia) atacou somente a mim e ao diretor de fotografia, Yure Cesar, nos deixando meio moles e febris por uns dois dias.

O filme se passa no Amazonas, mas tem uma personagem ucraniana e um indígena. Como foi unir todos esses perfis na tela?
O filme tem vários indígenas, e desde o meu curta "Cachoeira" tenho muitas alegrias em trabalhar com eles, são disciplinados e criativos. Mas ali o indígena entra sem nenhum estereótipo e nem exotismo. O público brasileiro não está acostumado com nosso sotaque e expressões, mas conseguimos fazer disso um ponto de interesse. Os atores Begê Muniz (Jonathas), Francisco Mendes (Pai) e Ítalo Castro (Juliano) Socorro Papoula (Mãe) estão centrados nessa particularidade de serem naturalmente locais. O roteiro do filme exigia uma personagem estrangeira, Milly, não quiz uma atriz brasileira fazendo o papel, fui atrás de uma solução apostando em alguém desconhecido mas que tivesse feito pelo menos um curta, encontrei a ucraniana Viktoria Vinya rska em curta que esteve no Festival de Sundance. Eu fiz o contato e tudo deu certo. Ela nunca estivera no Brasil e foi direto para a floresta, uma situação igual ao a do personagem. O elenco ainda conta com a participação especial de Chico Diaz no papel de um vizinho da família de Jonathas. experiência única, que conferiu uma verdade boa ao personagem.

A história de Jonathas é inspirada em quem?
"A floresta de Jonathas" se interessa pelo cotidiano, o linguajar e o semblante do "homem do norte", tão pouco visto e abordado no cinema brasileiro. A princípio quisemos nos basear na história real de Jonathan, um jovem de 18 anos que viveu em área rural do Amazonas e, de repente, de forma quase inexplicável, sumiu completamente na floresta, mas a ficção acabou fazendo com que o longa se tornasse muito diferente da história real e tão somente uma homenagem a Jonathan, que passa a se chamar Jonathas. A terrível história real de Jonathan me impressionou muito como leitor, mas ‘A Floresta de Jonathas’, no entanto, não é um filme sobre um rapaz perdido, e sim um longa sobre o 'não pertencer', sobre 'estar isolado'.

Foi difícil inserir um filme feito no Amazonas para o eixo Rio-São Paulo? Você acha que é mais difícil produzir cinema fora dessas duas regiões?
Não vi dificuldade por ser de outra região. Acho que isso - se o filme é bom e bem produzido - inclusive abre portas. A produção de "A floresta de Jonathas" não teve grandes dificuldades filmamos próximo a cidade e com uma equipe 95% local, trouxemos pessoal de outros estados apenas nas funções em que não temos muitos profissionais em Manaus: assistência de direção, som, preparação de elenco. O filme tem a fotografia magistral do Yure Cesar, um paulista-amazonense que vive em Manaus há bastante tempo; e foi montado por Fábio Baldo, um paulista querendo ser amazonense, que soube tão bem traduzir uma Amazônia inusitada.

O realizador Sérgio Andrade entre os actores Begê Muniz e Viktotia Vinyarska

Première Brasil: Sopro de realismo à moda amazônica

Ainda atordoada sob os efeitos estroboscópicos de "Uma história de amor e fúria", a Première Brasil 2012 recebeu de presente da Amazônia seu último concorrente ao troféu Redentor de melhor longa-metragem de ficção: "A floresta de Jonathas". É incomum a participação da Região Norte em grandes festivais do Sudeste fora da seara dos curtas ou de DocTVs, sobretudo com projetos que descartam o exotismo como moeda de troca para arrebatar olhares rasos. Mas Sérgio Andrade, realizador conhecido por curtas como "Cachoeira", agiu com a verve do inconformismo e preferiu trazer ao Rio um drama que mais parece cinema iraniano, com seus silêncios e suas andanças.

Entretanto, na Grécia: a violência tomou conta das ruas


Imagens deploráveis de uma Europa cada vez mais esfacelada. Um cenário previsível, que levou à maior operação de segurança de sempre nas ruas de Atenas. Os 6 mil agentes destacados e as barreiras especiais erguidas em redor do centro, interditando as zonas por onde Angela Merkel se moveu durante as 6h que permaneceu no país, de pouco adiantaram. Dir-se-ia até que apenas contribuíram para atiçar os ânimos já exaltados. Os gregos não gostaram de ser 'limpos' da cidade para abrir alas à primeira visita da chanceler alemã ao país, desde que foi intervencionado pela troika. Tentaram derrubar as barreiras. A polícia impediu. A fúria subiu de tom e choveram pedras, garrafas e petardos. Para conter e dispersar as multidões, houve bastonadas, gás-pimenta e inúmeras detenções.

A Alemanha não cede na exigência de mais austeridade, mas precisava de dar uma prova mediática de que está apostada em manter a Grécia no Euro. A visita servia, obviamente, esse propósito.
Se o bom senso ainda servisse para alguma coisa, alguém deveria ter ponderado se a encenação valia o caos que seria gerado. Para os gregos, Merkel é o rosto do carrasco que lhes destrói as vidas e, por mais espuma que lhes saia pelas bocas, insiste em manter as rédeas bem apertadas. O contingente de segurança mostra que ninguém esperava que fosse recebida com um cortejo de vénias e uma chuva de pétalas de rosas.

A raiva, a humilhação, o desespero, a afronta e a brutalidade que estas imagens traduzem podiam muito bem ser poupadas. Merkel e os governantes gregos nunca deixaram de conversar por falta de palco para  os seus encontros. Era escusado virem agora inovar no cenário.