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Mais um mega-apagão no Brasil: Nordeste e parte do Norte têm madrugada às escuras

Posted: 26 de out. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , ,


Os nove estados do Nordeste e parte do Norte ficaram sem energia eléctrica esta madrugada: AL, BA, CE, MA, PE, PI, PB, RN, SE e parte de PA, TO e DF, todos foram afectados.
Os relatos iniciais indicam que a falta de energia começou pouco depois da meia-noite (horário de verão) e estendeu-se por cerca de duas horas. Em seguida, a electricidade regressou na maioria das áreas,  mas no Distrito Federal e no Tocantins, o problema persistiu. Grande parte da capital do estado, Palmas, e várias cidades nos arredores continuaram sem luz madrugada fora.
Para quebrar o breu, somente os faróis e lanternas dos carros que iluminavam as ruas. Basta tentar imaginar tudo o que pára de funcionar sem corrente eléctrica para começar a ter uma ideia do caos: dos portões de garagem aos alarmes de segurança, passando pelos elevadores, tudo ficou bloqueado. Nada de televisão, de computadores, ou semáforos para regular o trânsito. Uma dor de cabeça, dos aeroportos aos hospitais e blocos cirúrgicos, já para não falar que o Verão chegou, as temperaturas passam os 30º em muitas regiões e ficar sem frigorífico traduziu-se num prejuízo imenso para as famílias e, sobretudo, para todos os sectores que operam com alimentos. Como os terminais de pagamento automático ficaram fora de serviço, quem tencionava usar cartão acabou por ir-se embora sem pagar, em particular nas gasolineiras, bares e restaurantes. Além do transtorno óbvio, existem portanto custos que só agora começarão a ser calculados.
Pela manhã, a notícia era destaque em todas as televisões, rádios e sites de media, especialmente porque o  Operador Nacional do Sistema Eléctrico continuava sem saber explicar as causas na quebra de abastecimento.
A extensão do apagão foi gigantesca: deixou 100% do Nordeste e 77% dos Estados do Pará, Tocantins e Maranhão às escuras.


[ACTUALIZAÇÃO]

Este é o 4º apagão de proporções importantes nos últimos dois meses e o 2º atingir o Nordeste. O primeiro foi em Setembro. Somam-se outros dois sucessivos, que deixaram sem luz áreas no Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Sistema Acre-Rondônia e o Distrito Federal no início de Outubro.
Curiosamente, tanto o de ontem, como os de Outubro aconteceram às vésperas da Eleição Municipal. Teoria da conspiração à parte, também não deixa de ser curioso que as quebras de energia ocorram logo após Dilma ter anunciado, em meados de Setembro, uma redução média de 20,2% da conta de luz dos consumidores em 2013. É que essa redução na tarifa resultará da diminuição ou extinção de encargos, bem como da renovação antecipada e condicionada das concessões do sector elétrico que venceriam entre 2015 e 2017.
Até ontem, o Governo vinha desvalorizando os apagões e insistindo que se tratavam de problemas pontuais que não comprometiam a segurança da rede nacional. Hoje, porém, houve uma clara mudança de tom e o ministro interino de Minas e Energia, Márcio Zimmermann já veio dizer que «eventos como esse não são normais e a coincidência, então, é que é mais anormal ainda».
A questão é delicada para Dilma, uma vez que assenta num dos cavalos de batalha que lançou sobre o anterior Governo tucano quando, durante a presidência de Lula, assumiu a pasta. Na época, a presidente foi a responsável pela elaboração do novo marco regulatório do sector, tendo como objectivo principal atacar o racionamento de luz imposto, em 2001, por Fernando Henrique Cardoso.
A oposição já PSDB e DEM não esquecem o facto, nem estão dispostos a desperdiçar a oportunidade. Hoje, já vieram atribuir os apagões à má gestão e criticar o baixo investimento no sector. Um deputado do PPS manifestou mesmo a intenção de pedir uma audiência ao ONS e Aneel na Câmara.


Cf. Nota explicativa do ONS.

Novo apagão atinge parte do país e governo muda o tom

O novo apagão registrado entre o fim da quinta-feira e a madrugada desta sexta-feira, que atingiu todo o Nordeste e parte da Região Norte do país, fez o governo federal mudar o tom ao afirmar que os recentes blecautes ocorridos no país "não são normais".
O ministro interino de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, disse em entrevista coletiva que a sequência de quatro blecautes que ocorreram no país recentemente é, do ponto de vista probabilístico, "praticamente impossível" e que todos os eventos ocorreram por falha na proteção primária dos sistemas.
O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema (ONS), Hermes Chipp, descartou que o blecaute ocorrido na quinta-feira tenha sido causado por sabotagem.
Questionado pela imprensa sobre a possilidade, Zimmerman, disse que "por enquanto" essa hipótese não faz sentido, mas acrescentou que "como o evento é raro, trabalha-se para aprofundar alternativas, mas a avaliação é feita de maneira serena, por isso enviamos equipe para o local".
No apagão da quinta-feira, assim como nos demais, segundo Zimmermann, houve falhas nas chamadas "proteções primárias" dos sistemas, que é o mecanismo que deveria, em tese, fazer com que a interrupção do fornecimento fosse apenas local, sem se propagar por regiões maiores.
No momento da interrupção da noite de quinta para sexta-feira, a perda de carga de energia no Nordeste foi de 9.500 megawatts (MW). No Norte, onde Pará e Tocantins ficaram sem luz, a perda foi de 3.500 MW, segundo o Operador Nacional do Sistema (ONS). Há relatos de moradores de Brasília de que o corte no fornecimento também afetou parte da capital federal.
É o quarto blecaute de proporções importantes nos últimos dois meses, atestando os desafios para melhora na infraestrutura da maior economia da América Latina. O primeiro atingiu o Nordeste em setembro e outros dois sucessivos deixaram sem luz áreas no Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Sistema Acre-Rondônia e o Distrito Federal no início de outubro.
Até a queda no fornecimento de energia desta madrugada, representantes do governo vinham afirmando que as ocorrências não comprometiam o sistema elétrico brasileiro, e que eram falhas pontuais e isoladas.
Pela manhã, Zimmermann trocou de tom e disse que blecautes com essa frequência não são normais. "Eventos como esse não são normais e a coincidência, então, é que é mais anormal ainda. Então é isso que está sendo avaliado".
Como nas ocasiões anteriores, o apagão provavelmente foi resultado de um problema em uma linha de transmissão, desta vez administrada pela Taesa, controlada da estatal mineira Cemig. Segundo Zimmermann, a falha teria acontecido na linha que liga as subestações Colinas (TO) e Imperatriz (MA).
O governo aguarda o relatório técnico com as razões de mais esse blecaute, mas o presidente da Taesa, José Ragone, disse que uma possibilidade com a qual se trabalha seria de uma descarga atmosférica ter causado uma sobrecorrente que resultou no blecaute.
"É uma possibilidade. Não é uma desculpa para nos escondermos atrás de um fenômeno natural, estamos colocando todo nosso esforço para investigar porque a proteção não atuou", disse o executivo, que participou de reunião no ministério para discutir o incidente.
De acordo com o ONS, um incêndio em uma peça de um capacitor da linha de transmissão teria culminado no blecaute, e a parada teria sido longa, sendo que quatro horas depois 70 por cento da carga de energia tinha sido restabelecida.
Zimmermann disse que o setor elétrico brasileiro, que tem um dos maiores sistemas de transmissão do mundo, sempre trabalha "com nível de confiabilidade bom".
"Tivemos nesses últimos eventos uma diminuição dessa confiabilidade, que ainda não se tem as razões. Sempre começa com um equipamento falhando e a proteção primária não atuando, e aí levando para a proteção secundária, alternada, e aí provocando eventos de grande proporção", disse.
Procurada, a Cemig informou que não comentaria o assunto por enquanto.
Zimmermann, que assumiu o ministério porque o titular da pasta, Edison Lobão, está afastado por problema de saúde, reiterou que o governo está realizando um "pente-fino" no setor de transmissão de energia.

TEMA DELICADO PARA DILMA

A presidente Dilma Rousseff tem um carinho especial com o tema energia. No governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma foi ministra da pasta e responsável pela elaboração do novo marco regulatório do setor --ainda abalado pelo racionamento de luz em 2001, no governo de Fernando Henrique Cardoso.
Coincidência ou não, a série recente de blecautes teve início dias após a presidente ter anunciado, em meados de setembro, que a conta de luz para os consumidores no Brasil cairá, em média, em 20,2 por cento em 2013.
A redução da tarifa de energia será possível graças à diminuição ou extinção de encargos e pela renovação antecipada e condicionada das concessões do setor elétrico que venceriam entre 2015 e 2017. Para manter os ativos cujos investimentos já foram quase ou totalmente amortizados, as concessionárias terão que aceitar redução significativa de sua receita --o que alguns analistas temem que possa comprometer a capacidade de investimentos futuros.

via Reuters

Oposição culpa Dilma por novo apagão

Dirigentes de partidos da oposição se manifestaram na tarde desta sexta-feira (26) para criticar o governo por causa do apagão que afetou as regiões Nordeste e Norte durante a noite e a madrugada. Em notas distribuídas à imprensa, DEM e PSDB culparam a presidente Dilma Rousseff pelos blecautes, atribuindo o problema à má gestão e investimentos baixos no setor elétrico. O PPS já se mobiliza para convocar uma audiência com autoridadades da área.
O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), disse que a "origem" do apagão "está no abandono da meritocracia pelo governo do PT, nas estatais e na ocupação desenfreada e inconsequente de cargos estratégicos por critérios exclusivamente partidários".
O dirigente também falou em "desorganização" das estatais e "falta de investimentos". "Esses apagões não acontecem por causas naturais ou simples falhas, como procura sistematicamente justificar o governo do PT. Há o uso das empresas estatais de forma irresponsável pelo governo".
Os investimentos baixos, segundo o oposicionista, decorrem de um marco regulatório "defeitusoso". "Esse marco foi proposto e pessoalmente defendido pela então ministra das Minas e Energia Dilma Rousseff, hoje presidente da República", afirmou.
Em nota divulgada pelo PSDB, o líder do partido na Câmara, deputado Bruno Araújo (PE), cobrou explicação "convincente e urgente" do governo. "A presidente Dilma foi ministra de Minas e Energia e antes disso foi secretária da mesma pasta no Rio Grande do Sul. Ela está diretamente ligada à área e, mesmo assim, não consegue combater os sucessivos apagões", afirmou.
Membro da Comissão de Minas e Energia da Câmara, o deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP), disse que vai pedir na semana que vem uma audiência pública na Câmara dos Deputados para que autoridades da área expliquem a sucessão de apagões no país. Ele pretende chamar o Operador Nacional do Sistema e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
É a segunda vez nos últimos 35 dias que ocorre um apagão na Região Nordeste. Em 22 de setembro, segundo o ONS, um problema nas interligações Sudeste/Norte e Sudeste/Nordeste, atingiu o fornecimento de energia elétrica em parte da região Nordeste do país.

Racionamento x Apagão

Em suas declarações, o líder do PSDB Bruno Araújo reforçou a crítica ao sugerir que o apagão é mais grave que racionamento de energia. "O primeiro caso é uma medida preventiva. Já o segundo é a causa de danos reais para o cidadão", afirmou.
No início de setembro, ao lançar plano para reduzir o preço da energia, Dilma criticou o governo do tucano Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), pelo racionamento de energia entre 2001 e 2002. Ela disse que quando assumiu a pasta de Minas e Energia no governo Lula, em 2003, teve de "reconstruir" o setor.
"Nós tínhamos um país com problemas de abastecimento de energia que amargara oito meses de racionamento, que resultaram em grandes prejuízos para as empresas, tanto as empresas da área do setor elétrico como as demais empresas do país, e impuseram restrições à qualidade de vida da população. Tivemos que reconstruir esse setor", declarou a presidente na ocasião.

NOTA ÚTIL:

De acordo com a Coelba, os clientes que tiveram algum aparelho elétrico danificado em decorrência de interrupção no fornecimento de energia elétrica, devem registrar uma Reclamação por Danos Elétricos através da Central de Teleatendimento da concessionária, pelo número 0800 071 0800 ou no site da entidade. Os consumidores também podem fazer o registro em qualquer agência de atendimento da instituição. Será necessário informar a data e o horário da interrupção do fornecimento de energia elétrica, além de dados sobre o equipamento danificado (marca, modelo e ano).
A Coelba também informou que após realizada a reclamação, a concessionária irá vistoriar o equipamento em até 10 dias e tem até 15 dias para informar sobre o deferimento ou não do pedido. No caso de equipamentos utilizados para o acondicionamento de alimentos perecíveis ou de medicamentos (geladeiras, por exemplo), o prazo para inspeção e vistoria é de 1 dia útil. Segundo o órgão, o consumidor tem, a partir do dia da interrupção, 90 dias para solicitar ressarcimento junto à empresa.

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