Espumas . Notas . Pasquim . Focus . Sons . Web TV . FB

A propósito dos anúncios e capitulações do Governo Passos Coelho

Posted: 26 de out. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , ,

O novo método de governar
por Nicolau Santos


O Governo descobriu um novo método de governar: anuncia medidas para-a praça pública e testa a reação. Se for forte, mete a medida na gaveta, diz que tem muito respeito pela concertação e pelos parceiros sociais e salta para outro patamar. Se não houver reação, passa a medida a lei ou diploma e siga a marcha.
Foi assim com a taxa social única, que deveria ser financiada pelo aumento da contribuição dos trabalhadores. É agora assim com o recuo no corte de 10% no limite mínimo do subsídio de desemprego, com o ministro da Solidariedade e da Segurança Social, Mota Soares, a dizer que se deve estar sempre disposto a ouvir os parceiros sociais. Perante o clamor, o Governo bateu em retirada.
Como não é admissível pensar que os ministros são tolinhos, só resta uma de duas explicações: ou estão desorientados com o que se passou na quinta avaliação da troika e estão pressionados a cortar despesa, quer faça ou não sentido, sem pensar duas vezes; ou então optaram pelo método do sargento que, ao ser informado de que o pai de um dos recrutas tinha falecido, o chamou e disse que os pais tinham morrido. Perante o súbito desfalecimento do recruta, acrescentou de imediato: calma, foi só o teu pai que morreu!


Avanço e recuo à beira de um precipício

por Daniel Oliveira


O governo propôs mais meia hora de trabalho diário. As reações foram violentas perante tamanho incentivo ao desemprego. O governo recuou nessa para a UGT ter um argumento para assinar um acordo inaceitável para qualquer sindicalista.
O governo avançou com a concessão de um canal da RTP com o Estado a pagar. As reações foram de espanto por tão estapafúrdia ideia. O governo recuou para poder continuar a defender a privatização.
O governo avançou com a redução em 10% no subsídio de desemprego mínimo. As reações foram de indignação perante tamanha insensibilidade social. O governo recuou para vir seguramente a propor uma outra qualquer patifaria que pareça um pequeno menos grave.
A estratégia é sempre a mesma: propor uma brutalidade para a tareia que vem depois até parecer uma coisa mais ou menos decente. Resultou à primeira, resultou à segunda, não resulta, porque não somos todos idiotas, à terceira.
O único recuo sincero deste governo foi na TSU. Aí, a rua foi demasiado forte. E, mesmo neste caso, os impostos vieram com tal violência que já ninguém se lembra que para além de roubar os salários ainda queria pôr os trabalhadores a financiarem as suas próprias empresas. Fora este caso, estes recuos são apenas jogos de sombras.
O problema é que o governo anda a brincar com coisas sérias. Com a vida, o dinheiro e a ansiedade das pessoas. Por isso, em vez dos avanços e recuos resultarem num benefício para a sua estratégia, este jogo funciona contra o governo. Em vez de conseguir amenizar o que vem depois, apenas aumenta a impaciência dos portugueses. Consegue, em simultâneo, exibir a sua brutalidade social e a sua desorientação.
Este foi apenas mais um episódio na triste vida de um governo desgovernado. Que, em apodrecimento acelerado, já só consegue repetir uma truque gasto. Já não resulta. Alguém que os avise.

0 comentários:

Postar um comentário