![]() |
| imagem via We Have Kaos In The Garden |
Merkel não é, nunca foi e jamais será amiga de Passos Coelho. Portugal serve-a e Passos Coelho dá-lhe jeito. Mesmo que, por cá, os números derrapem e os resultados sejam desastrosos, o programa que defende é executado sem contestação. É isso que lhe importa, sobretudo em véspera de eleições na Alemanha. Interessa-lhe uma demonstração de poder, um exemplo vivo de que a sua voz fala forte e domina o tabuleiro da Europa. Para Merkel, nesta altura do campeonato, mais do que pouco relevante, o sucesso do programa é relativo. Depende acima de tudo da perspectiva a partir da qual se avaliam os seus ganhos. Está a esfacelar a economia portuguesa? Está, é um facto. Mas isso é encará-lo do ponto de vista dos interesses próprios. Visto, como certamente tencionará exibi-lo durante a campanha, pelo prisma do que à Alemanha diz respeito, o facto que sobressai é outro bem diferente. A começar, por exemplo, pela vantagem de já ter permitido resgatar a maior parte do capital em risco que trazia os bancos alemães expostos à dívida soberana portuguesa.
Pelo meio sucede ainda que Portugal "acordou". Passos esbarrou nesse despertar quando tentou impor mudanças na aplicação da TSU. O povo rejeitou e ele não conseguiu impô-la. Com a contestação tornada uma constante, incompatibilizado com tudo e todos (presidente da República, partidos de base da coligação, oposição, sindicatos, cidadãos), outras medidas se seguirão que não conseguirá fazer passar. Terá nessa altura a derradeira prova do seu equívoco em relação à força da amizade de Merkel. O laço há-de diluir-se na exacta proporção em que a autoridade da sua acção governativa se esfumar. Quando Passos deixar de servir, será indiferente a Merkel que um dia lhe tenha dado jeito.
Nessa altura, bem pode bater-lhe à porta e tentar reclamar os dividendos por ter sido «um bom aluno». O mais provável é que Merkel lhe responda nos moldes de Durão Barroso, 'sacudindo a água do capote', dizendo que não tem nada a ver com o assunto, lembrando-lhe que a responsabilidade pelas políticas dos países é sempre dos respectivos governos. Em suma, que deu as ordens, mas foi Passos quem escolheu cumpri-las.





















0 comentários:
Postar um comentário