Espumas . Notas . Pasquim . Focus . Sons . Web TV . FB

E por falar em «instigar à revolta»...

Posted: 12 de out. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , ,


SIC Noticias - 12.10.2012

As imagens que as televisões passaram ontem - dois ex-presidentes do PSD a passearem em alegre galhofa, pelas ruas dos Açores, de braço dado com Berta Cabral - são a chapada pública (de luva branca, diga-se!) a Passos Coelho, que esta manhã desabafava a sua fúria contra Jerónimo de Sousa, acusando-o de instigar à rebelião contra o Governo.
Quanto mais Marcelo Rebelo de Sousa e Marques Mendes riem e espalham piadas entre os eleitores, com uma Berta Cabral (agora sim!) rejuvenescida e saltitante de premeio, mais Passos Coelho sai humilhado, transformado numa verdadeira anedota de liderança, não apenas do país mas também do PSD. No espaço de opinião semanal que ambos têm na TVI24, Marcelo e Marques Mendes têm-lhe lançado críticas implacáveis. Se não verbalmente mais violentas, no mínimo equiparáveis às que o primeiro-ministro se queixou hoje de receber dos comunistas.
Enquanto Marcelo e Marques Mendes vão de casa em casa, de janela em janela, provando petiscos e recolhendo os dividendos da popularidade que a TV lhes proporciona, Passos Coelho fica-se pelo Continente e a engolir em seco, especialmente se estiver a assistir aos telejornais, vendo Marcelo a mordiscar uma cenoura e a ensaiar chalaças com o povo: «nunca tinha pensado nisso, mas olha que é uma boa ideia: dar passos com alimentação de coelho!».
Chega a ser constrangedor ver os dois 'vice' avançarem por caminhos absolutamente interditos ao primeiro-ministro e líder do partido por ordem expressa e violenta da sua própria candidata. É que não perdoa que a impopularidade do Governo lhe tenha vindo ameaçar uma eleição que parecia ganha à partida. No desespero de ver a vitória escapar-se entre os dedos e se demarcar de Passos Coelho, Berta Cabral radicaliza o discurso. À semelhança de Mota Amaral (ex-presidente regional laranja), vai ao ponto de gritar alto e bom som que não só chumbará como dará instruções aos deputados açorianos para votarem contra este Orçamento de Estado.

Se Berta Cabral for eleita junta-se a Alberto João Jardim e Passos Coelho consegue mais um inédito: ter à frente dos Governos Regionais dos Açores e da Madeira membros do seu próprio partido que lhe voltam costas. Mas pior: torna-se facto público que os eleitores só terão voltado a confiar nela por ter jurado opôr-se e dar combate às políticas de Passos Coelho.
As eleições são no Domingo, mas corra o mar por onde correr, Berta Cabral já tem a sua vitória. Enfrentou e afrontou o líder do PSD nacional. Disse que não o queria nos Açores, que não era igual a ele, que não tinha medo dele, que tenciona votar contra ele. Não ficou isolada no partido. Bem pelo contrário. Marcelo Rebelo de Sousa e Marques Mendes (dois ex-líderes históricos, que nunca alinharam pela facção do primeiro-ministro e há anos não se envolviam em arruadas de campanha) meteram-se no avião e foram ajudá-la. Ofereceram-lhe o braço, trataram-na por «Bertinha». Se a candidata vencer as eleições, a ala do PSD que nunca se deixou convencer pela actual liderança dá uma demonstração de vitalidade e influência. Terá resgatado para Berta a conquista dos Açores que só por um triz Passos Coelho não lhe comprometeu.

Uma última nota: embora parceiros no Governo e na austeridade, Paulo Portas provou que ainda consegue ir aos Açores em campanha e ser recebido como uma mais valia, coisa que Passos Coelho nem se atreve. Aliás, não desperdiçou a oportunidade para frisar o contraste. Está tudo dito também quanto à saúde desta coligação de Governo.

0 comentários:

Postar um comentário