Por trás do espelho quem está
De olhos fixados no meus?
Alguém que passou por cá
E seguiu ao Deus dará
Deixando os olhos nos meus.
Quem dorme na minha cama
E tenta sonhar meus sonhos?
Alguém morreu nesta cama
E lá de longe me chama
Misturado nos meus sonhos.
Tudo o que faço ou não faço
Outros fizeram assim
Daí este meu cansaço
De sentir que quanto faço
Não é feito só por mim.
«E agora um fado muito velho, que tem um nome que eu não gosto – por isso não digo! –, mas que é de um cantador muito antigo, o velho Joaquim Campos, com versos de Luís de Macedo». Amália apresentava-o assim.
Só para que conste, Cansaço é o nome que ela não diz e que lhe dá título. À laia de nota de rodapé: anos mais tarde, este mesmo fado (do «velho Joaquim Campos») serviu de chão a Esquina de Rua, que Camané gravou no seu 1º disco, Uma noite nos fados, editado em 1995 [vídeo aqui]. Porque o fado tem esta característica por muito sua, esta coisa de eternamente se desdobrar e re-multiplicar. Nos andamentos e nas respirações, como nas vozes, nas guitarras e nas penas. Por mil vezes. Por mil vidas. Por mil versos e novos poemas. Há quem diga que é aí que lhe repousa o mistério. Há quem jure que é por isso que não morre.




















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