Moradia flutuante dos Paumari. foto: ISA
Uma pesquisa realizada pelo Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) revelou a estreita relação dos índios Paumari, grupo que habita o sul do estado do Amazonas, com o universo fluvial (ethos aquático) e descreveu as mudanças e permanências desse padrão ao longo da história, tendo como ponto de referência o Ciclo da Borracha. Da autoria da finalista Angélica Maia Vieira, o trabalho “Índios fluviais: os Paumari e sua relação com o mundo aquático”, foi realizado entre Julho de 2009 e Agosto de 2010 com apoio do Programa de Apoio à Iniciação Científica do Amazonas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM). O principal objectivo do estudo, orientado pelo professor Gilton Mendes dos Santos, foi levantar os aspectos culturais da sociedade indígena Paumari. «Procuramos estudar o padrão de residência, aspectos cosmológicos, grafismo e etc. Mas todos relacionados ao universo aquático», explica a investigadora. «Como a pesquisa não contou com um trabalho de campo, in loco, foram utilizadas fontes documentais, etnográficas e audiovisuais», bem como «informações do Serviço de Proteção aos Índios e do Instituto Histórico e Geográfico do Amazonas (IGHA), além de jornais como a Gazeta do Purus, Jornal de Lábrea e Commercio”, relatou a autora.
Segundo Vieira, a pesquisa constatou que sobressaem várias informações sobre a relação dos Paumari com o universo aquático. «Existem incidências das várias afirmações atuais dos Paumari sobre seu modo de vida no passado. Além de balsas com casas flutuantes e a ocupação quase que exclusiva dos rios, lagos e áreas de várzeas estes ambientes ocupavam um lugar de destaque no cotidiano desse povo». Vieira afirma que o povo Paumari estabeleceu uma visão cultural da água, cujos elementos aquáticos como peixes e quelônios não são apenas fonte de alimento. “Todo o cotidiano Paumari está intimamente relacionado com as águas: pintura corporal, produção de cestarias, atribuição de identidade humana, mitos e rituais que expressam visivelmente esta relação”, descreveu a pesquisadora.
O resultado da pesquisa foi apresentado durante o XIX Congresso de Iniciação Científica (Conic) que aconteceu na Ufam em agosto. O evento reuniu, jovens pesquisadores e seus orientadores, a comunidade universitária além do grande público, que puderam ter acesso aos trabalhos de iniciação científica realizados no período de 2009 a 2010.
As pesquisas foram financiadas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM).
O Programa de Apoio à Iniciação Científica do Amazonas (Paic), consiste em apoiar, com recursos financeiros e bolsas institucionais, estudantes de graduação interessados no desenvolvimento de pesquisa em instituições públicas e privadas do Amazonas.
publicado no Portal Amazônia






















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