por Carlos A. Moreno
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Ao fazer um voo panorâmico pelas zonas próximas ao perímetro urbano, o município não parece estar em um território amazônico, já que as áreas de florestas não passam de pequenas moitas no meio dos extensos pastos. Da área total do município, 55% são de reservas indígenas e 19% de reservas ambientais sob ameaça. Para contornar essa ameaça, o governo adotou uma série de medidas preventivas em 2008, como a divulgação da lista negra com os 40 municípios mais "destrutivos" do país, então liderada por São Félix do Xingu. Posteriormente, as autoridades suspenderam o crédito aos produtores destes municípios e cancelaram todas as autorizações de desmatamento, ao mesmo tempo em que iniciaram uma vigilância mais rigorosa e com a ajuda de satélites.
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Gado no Parque Nac. da Serra do Pardo (São Félix do Xingu) |
Segundo Ruth Correia da Silva, coordenadora local do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), uma ONG dedicada a formação de líderes ecológicos, "há dois anos os grupos que falavam de ecologia eram mal vistos e até agredidos em São Félix. No entanto, nos dias de hoje, todos já sabem que é preciso se adaptar ao modelo".
O governo estabeleceu três condições básicas para retirar esse município da lista negra: reduzir o desmatamento anual para 40 quilômetros quadrados, fazer com que 80% de seus proprietários tenham registro ambiental e que se comprometa com o modelo de desenvolvimento sustentável. Entre os três itens citados, São Félix ainda precisa reduzir seu índice de desmatamento anual para sair da lista negra.
Entre 2007 e 2011, o desmatamento no município caiu de 876 para 145 quilômetros quadrados, uma marca suficiente para tirar o local do topo da lista de inimigos da Amazônia, mas ainda longe da ideal (40 quilômetros). Agora, a lista é liderada pelos municípios de Altamira e Novo Progresso, também no Pará.
O inventário de áreas ambientais acima dos 80% do território foi alcançado com a ajuda de The Nature Conservancy, organização que realiza um estudo para calcular o passivo ambiental do município. Isso porque, em agosto de 2011, 600 representantes das autoridades locais, dos produtores e da ONG assinaram o "Pacto municipal para o fim do desmatamento". "A sociedade está comprometida. Com segurança, o exemplo bem-sucedido de um município tão complexo e que possui o maior rebanho do país será inspirador para outros na mesma situação", resume Mireya Sandrini, diretora do Fundo Vale, entidade vinculada à empresa mineradora Vale, que financia projetos verdes em São Félix do Xingu.
publicado na Agência EFE em 28.03.2012
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