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Sugestão de leitura: "O regime das águas" de Francisco Vasconcelos

Posted: 13 de mar. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas:

por Francisco José

Cai sobre Coari um dilúvio em forma de novelas, quase todos os dias uma chuvada, um capítulo. Toda essa chuvada no Vale Amazônico está sendo um indicativo de enchente grande. Os relatórios dos especialistas ainda deixam dúvidas se as águas alcançarão ou não os níveis das grandes cheias. Já os amazonidas, na convivência com a floresta, aprendem observando as águas; as andanças dos peixes, a altura onde os pássaros fazem seus ninhos nas árvores e afirmam com quase absoluta certeza que as águas subirão muito esse ano. Uma enchente grande, causa imensos estragos na vida do povo. Os desafios gerados por ela são diversos.

É dentro dessa lógica que o livro “O rio comanda a vida” tem sentido, pois, a força das águas desestrutura as organizações básicas, tanto das famílias, como das comunidades rurais e muito mais das cidades amazônicas; quase todas localizadas na beira d’água. A obra prima do escritor coariense Francisco Vasconcelos, “O regime das águas”, retrata a vida de uma família e de suas relações numa enchente; uma boa leitura para quem quer conhecer pela literatura a vida do povo amazônico.
O povo é expulso pela invasão líquida, que invade casas e plantações. As pessoas munidas de esperanças resistem e deixar o tapiri é a última ideia; só quando as águas estiverem quase cobrindo o telhado da casa. Enquanto se puder levantar o ‘assoalho’, ele vai subindo, subindo, no mesmo nível que as esperanças vão baixando, se apagando.
Em cada enchente grande, nossa área rural se esvazia e as periferias das cidades vão se enchendo. As casas são feitas em qualquer lugar, sem estruturas de saneamentos básicos, esgotos, água encanada e energia elétrica. É viver de qualquer jeito. É recomeçar praticamente com um único patrimônio, a esperança.
A enchente de 2009 foi a última grande enchente que tivemos na Amazônia, uma das maiores nesses últimos cem anos e deixou enormes prejuízos nos estados do norte. Muitas cidades foram inundadas totalmente. A terra do gás e do petróleo também soube o poder das forças das águas, com diversas ruas alagadas e com grande quantidade de pessoas da zona rural migrando em busca de um pedaço de terra, uma moradia enxuta. Foi um tempo de muita ‘pedição’; parecíamos uma cidade de mendigos.

São muitas as cidades da Amazônia que já estão sofrendo com a enchente atual. O governo começa a liberar “ajudas” para tentar amenizar o sofrimento do povo. É uma ajuda muito bem vinda. Sendo esse um ano eleitoral, os riscos de aparecerem aproveitadores da situação para faturarem votos, serão grandes. Os compradores de votos de plantão, podem encontrar no sofrimento do povo, uma oportunidade de coprar um mandato. Como já dizia um filósofo: “há os que vivem da desgraça dos outros”. Agora, é esperar na esperança que a enchente não seja grande; só assim não iremos misturar águas com votos ou as esperanças irem por águas abaixo!