O recuo do Governo português na Taxa Social Única (TSU) e a decisão de avançar com um aumento impostos sobre o rendimento está a correr o mundo. "Embaraçosa", diz o FT. A coligação esteve em risco, escrevem Wall Street Journal e El País. Há uma nova fase na crise, comentam no Telegraph.
Com a devida vénia ao Pedro Santos Guerreiro, fica a ronda na imprensa internacional sobre o caso. Para ler na íntegra clicando no link em baixo.
“A embaraçosa volta de 180 graus é uma das mais significantes tomadas por um Governo da Zona Euro em resposta a manifestações contra as medidas de austeridade requeridas por um programa de resgate internacional”, escreve hoje o influente diário britânico Financial Times, naquela que é, entre os jornais internacionais, a peça mais crítica sobre a confusão política dos últimos dias.
O norte-americano Wall Street Journal, o principal concorrente do FT na área financeira, também lhe chama “volta de 180 graus”, considerando que as reacções populares e o recuo do Governo “mostram como está a ficar cada vez mais difícil aos governos da Zona Euro com problemas impor mais medidas de austeridade sobre uma população já em dificuldades”
O El País, que dedica as páginas dois e três da sua edição de hoje em papel à crise em Portugal, descreve o recuo do Governo perante as criticas e os protestos da população, sindicatos e patrões e adjectiva a redução da taxa social única para empresas como uma “experiência social” que “de repente” mudou a a atitute da população: “os portugueses, que tinham aguentado estoicamente várias doses de medidas para converter o país no melhor aluno da receita europeia anticrise, saíram para a rua, colocaram-se educadamente numa praça e começaram a protestar”.
A Associated Press, citada pelo Washington Post, diz que o recuo do Governo visou evitar um nível de contestação que “ameaçava tirar o programa de recuperação económica dos carris”, mas vinca também que as propostas de ontem “foram recebidas sem entusiasmo” por patrões e sindicatos.
Coligação em causa
Os efeitos da crise política na coligação governamental também são notados pelos três jornais. O El País é o que vai mais longe e diz que acoligação esteve em causa: “O aliado político do Governo, o CDS-PP, companheiro conservador do partido de Passos Coelho, o PSD, no Governo e no Parlamento, lançou sinais de aviso: ou se dava a volta atrás ou se acabava a coligação”, lê-se num dos artigos publicados hoje, onde se vinca que “tal dinamitaria a valiosa estabilidade política, o principal activo de Portugal aos olhos da Europa (aos olhos da troika)”.
O Financial Times, por seu lado, escreve que “algumas das críticas mais severas chegaram de figuras séniores do seu próprio partido social democrata”, acrescentando que “Paulo Portas, o ministro dos Negócios Estrangeiros e líder do conservador Partido Popular – parceiro de coligação – afirmou que se argumentou contra a medida”.
O Wall Street Journal diz que mais medidas de austeridade poderão encontrar problemas: “membros da coligação de centro direita de Passos Coelho criticaram a medida, aumentando as dúvidas sobre a capacidade do Governo de ter votos suficientes no Parlamento para adoptar mais medidas de austeridade”.
Portugal entrou numa nova fase da crise
Ambrose Evans-Pritchard, o atento comentador de assuntos económicos do britânico Telegragh diz que não vai tão longe como Francisco Louçã ao afirmar que o Governo está morto: “Deixo para os leitores portugueses deste blogue dizerem se é assim, mas o que é claro é que Portugal está a entrar numa fase completamente nova da crise”, escreve hoje no seu blogue.
Evans-Pritchard, diz que ninguém pode culpar o governo de não tentar seguir as recomendações do FMI e Comissão, lembrando que a coligação tentou mesmo ir além da troika, e vinca que este é o momento em se percebe que “há forças maiores que os Governos”: “Passos Coelho e os seus jovens acólitos estão agora cara a cara com Portugal”.
O Financial Times também critica o Governo, mas por ser demasiado tímido perante os protestos, e pede mais FMI: “A decisão de deixar cair a medida para a Segurança Social mostra quão tímido o Governo se tornou perante a pressão pública. O programa de ajustamento português sempre teve Europa a mais e FMI a menos. O Fundo precisa de manter Lisboa no rumo para evitar que se torne outra Grécia”, lê-se no Lex, um espaço de opinião de eleição entre operadores de mercado.
Recuo na TSU: a "embaraçosa" "volta de 180 graus" do Governo corre o mundo
“A embaraçosa volta de 180 graus é uma das mais significantes tomadas por um Governo da Zona Euro em resposta a manifestações contra as medidas de austeridade requeridas por um programa de resgate internacional”, escreve hoje o influente diário britânico Financial Times, naquela que é, entre os jornais internacionais, a peça mais crítica sobre a confusão política dos últimos dias.
O norte-americano Wall Street Journal, o principal concorrente do FT na área financeira, também lhe chama “volta de 180 graus”, considerando que as reacções populares e o recuo do Governo “mostram como está a ficar cada vez mais difícil aos governos da Zona Euro com problemas impor mais medidas de austeridade sobre uma população já em dificuldades”
O El País, que dedica as páginas dois e três da sua edição de hoje em papel à crise em Portugal, descreve o recuo do Governo perante as criticas e os protestos da população, sindicatos e patrões e adjectiva a redução da taxa social única para empresas como uma “experiência social” que “de repente” mudou a a atitute da população: “os portugueses, que tinham aguentado estoicamente várias doses de medidas para converter o país no melhor aluno da receita europeia anticrise, saíram para a rua, colocaram-se educadamente numa praça e começaram a protestar”.
A Associated Press, citada pelo Washington Post, diz que o recuo do Governo visou evitar um nível de contestação que “ameaçava tirar o programa de recuperação económica dos carris”, mas vinca também que as propostas de ontem “foram recebidas sem entusiasmo” por patrões e sindicatos.
Coligação em causa
Os efeitos da crise política na coligação governamental também são notados pelos três jornais. O El País é o que vai mais longe e diz que acoligação esteve em causa: “O aliado político do Governo, o CDS-PP, companheiro conservador do partido de Passos Coelho, o PSD, no Governo e no Parlamento, lançou sinais de aviso: ou se dava a volta atrás ou se acabava a coligação”, lê-se num dos artigos publicados hoje, onde se vinca que “tal dinamitaria a valiosa estabilidade política, o principal activo de Portugal aos olhos da Europa (aos olhos da troika)”.
O Financial Times, por seu lado, escreve que “algumas das críticas mais severas chegaram de figuras séniores do seu próprio partido social democrata”, acrescentando que “Paulo Portas, o ministro dos Negócios Estrangeiros e líder do conservador Partido Popular – parceiro de coligação – afirmou que se argumentou contra a medida”.
O Wall Street Journal diz que mais medidas de austeridade poderão encontrar problemas: “membros da coligação de centro direita de Passos Coelho criticaram a medida, aumentando as dúvidas sobre a capacidade do Governo de ter votos suficientes no Parlamento para adoptar mais medidas de austeridade”.
Portugal entrou numa nova fase da crise
Ambrose Evans-Pritchard, o atento comentador de assuntos económicos do britânico Telegragh diz que não vai tão longe como Francisco Louçã ao afirmar que o Governo está morto: “Deixo para os leitores portugueses deste blogue dizerem se é assim, mas o que é claro é que Portugal está a entrar numa fase completamente nova da crise”, escreve hoje no seu blogue.
Evans-Pritchard, diz que ninguém pode culpar o governo de não tentar seguir as recomendações do FMI e Comissão, lembrando que a coligação tentou mesmo ir além da troika, e vinca que este é o momento em se percebe que “há forças maiores que os Governos”: “Passos Coelho e os seus jovens acólitos estão agora cara a cara com Portugal”.
O Financial Times também critica o Governo, mas por ser demasiado tímido perante os protestos, e pede mais FMI: “A decisão de deixar cair a medida para a Segurança Social mostra quão tímido o Governo se tornou perante a pressão pública. O programa de ajustamento português sempre teve Europa a mais e FMI a menos. O Fundo precisa de manter Lisboa no rumo para evitar que se torne outra Grécia”, lê-se no Lex, um espaço de opinião de eleição entre operadores de mercado.




















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