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Amazônia em evidência no Festival de Cinema do Rio

Posted: 7 de out. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , ,


Uma boa notícia: o belíssimo documentário rodado este ano por Belisario França, Amazônia Eterna, foi incluído à última hora na programação do Festival de Cinema do Rio. O Conexão já aqui o sugeriu, mas se ainda não assistiu pode fazê-lo 3ª, 4ª ou 5ª Feira. Informação: aqui.

Sinopse
A Floresta Amazônica é hoje um imenso laboratório de experiências sustentáveis que revelam uma nova relação entre homens, corporações e este patrimônio natural imprescindível para a vida no planeta. Lá estão nascendo as diretrizes de um novo modelo econômico mundial: a economia verde. Mas quanto valem os serviços que esta commodity invisível presta para a humanidade? E quem deve lucrar com isso? Um debate sobre novas possibilidades com especialistas, iniciativas de sucesso e uma viagem sensorial pelo cotidiano dos povos da floresta.

Sobre Belisario França
Diretor de séries e documentários para TV e cinema. Íntimo da realidade das populações do Brasil, Belisario teve seus inventários audiovisuais premiados nacional e internacionalmente. Destaque para Além Mar (1999), melhor série para televisão segundo a Associação Internacional de Documentários (IDA), e Música do Brasil (2000), contemplado com o título de melhor produção cultural para TV pelo Grande Prêmio Cinema Brasil.
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Para além do destaque conferido ao documentário de Belisário França, a Amazônia é também tema de dois filmes que concorrem na categoria 'Première Brasil' do Festival do Rio. Os dois são muito interessantes, representando duas propostas bastante diferentes num mesmo cenário. Não haverá espanto se o júri, quando anunciar os prémios, atribuir algum a "A Floresta de Jonathas" e, mais ainda, a "Margaret Mee e a Flor da Lua".

"A Floresta de Jonathas"
Houve aplauso - e alguma vaia - para o longa "Floresta de Jonathas", do manauara Sérgio Andrade, uma espécie de "Na Natureza Selvagem" brasileiro.  O filme conta a história de um jovem índio aculturado que se perde na floresta. Ele invoca os xamãs, a mãe. Ninguém responde. O espectador compartilha o seu desespero na floresta, que aqui se apresenta na sua face mais cruel. O realizador aposta na contraposição da cultura dos índios e dos brancos, dos amazonenses e dos ucranianos, utilizando a história de família dividida. Há Jonathas e o irmão, Juliano, que sonha com mulheres sedutoras e aspira a integrar-se na sociedade dos brancos. Jonathas é mais tímido. A floresta parece ser o seu território, mas volta-se contra ele. O fim é enigmático, algo inconclusivo, a lembrar alguns filmes do tailandês Apichatpong Weerasethakul que também invocam o mistério de outras florestas.

"Margaret Mee e a Flor da Lua"
Realizado por Malu De Martino, "Margaret Mee e a Flor da Lua" é uma das melhores surpresas desta 'Premiére Brasil' que se tem revelado de elevada qualidade. A realizadora já havia feito "Como Esquecer", com Ana Paula Arósio e produção de Elisa Tolomelli. Agora, Malu trabalha de novo com Elisa. O filme traça um perfil muito especial da artista e cientista que pesquisou as flores da floresta amazônica. O objectivo de Margaret passava por captar o efémero, presentificado nessa flor rara da região que se abre à noite, à luz da Lua, e morre rapidamente. Foram 15 expedições até que atingisse o seu propósito. A busca da Flor da Lua é uma história épica que Malu transforma num filme de delicadeza infinita, como as aquarelas de Margaret, a mulher que foi guerreira - pioneira - na defesa ecológica. Parecia frágil, mas era uma forte. O filme faz-lhe justiça. "A Floresta" propõe outra coisa no mesmo cenário.

adaptado do texto publicado em O Estado de S. Paulo

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