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Pelo menos 300 mil desempregados inscritos no IEFP sem nenhum subsídio, mas BCE segue elogiando

Posted: 8 de out. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , , ,

Leio no Público:
Cerca de 300 mil portugueses dos mais de 640 mil inscritos nos centros de emprego do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) não beneficiam do subsídio de emprego nem do Rendimento Social de Inserção (RSI), também conhecido como “rendimento mínimo”. As pessoas nesta situação representam 46% das que procuram trabalho através do IEFP, segundo a rádio TSF, que avançou hoje a notícia.
Os últimos números que tinham vindo a público indicavam que estavam nestas circunstâncias cerca de 170 mil portugueses, mas este universo – só nos números relativos ao IEFP – é bem maior, sendo que há ainda que contar com as pessoas que, não tendo emprego, não estão inscritas nos centros do IEFP.
No IEFP contavam-se, em Agosto, 640 mil desempregados registados nos seus centros de emprego. Em Junho, o número de portugueses desempregados e inactivos que desistiram de procurar trabalho ultrapassou o valor histórico de um milhão de pessoas.
O subsídio de desemprego, normal ou social, apenas chega a 360 mil, lembra ainda a TSF. Na prática, dois terços dos portugueses sem qualquer actividade remunerada não recebem subsídio de desemprego e apenas uma minoria está a receber o RSI – cerca de 200 mil.

Poucas horas depois, leio no Expresso:

O Banco Central Europeu (BCE) elogiou hoje as reformas laborais ocorridas em Portugal, Grécia, Irlanda, Espanha e Itália, por conterem "medidas importantes para aumentar a flexibilidade nas negociações laborais e reduzir a excessiva proteção do emprego".
De acordo com o estudo, Os mercados laborais da zona euro e a crise publicado hoje, o BCE considerou que o mercado laboral na zona euro respondeu de uma forma heterogénea à crise. Ainda assim, a instituição liderada por Mario Draghi considera que as reformas realizadas em Portugal, Grécia, Irlanda, Espanha e Itália constituem os primeiros passos para melhorar a competitividade destes países e do conjunto da zona euro.

Por conta destas políticas, as pessoas perdem os seus empregos. Com a contracção do mercado de trabalho nunca mais conseguem encontrar nenhum, como o prova o aumento sem precedentes da taxa de desemprego de longa duração. Com o tempo estas pessoas perdem direito a todo e qualquer subsídio ou apoio social. Ficam sozinhas e entregues a si próprias porque o Estado lava daí as suas mãos. É-lhes pedido que sobrevivam sem um único cêntimo de rendimento. O desafio que têm pela frente passa a ser comer sem terem dinheiro, sustentar um tecto, educar os filhos, cuidar dos seus velhos e da sua própria saúde sem terem dinheiro. Porque tudo tem um prazo, a começar pelos subsídios e apoios sociais, e quem o define é o Estado. Independentemente de descontarem toda a vida laboral para  terem direito a protecção social, é-lhes ditado um prazo limite para dela usufruírem. E quando o prazo acaba, o Estado está-se nas tintas para indagar das razões pelas quais as pessoas continuam desempregadas. Está-se nas tintas para os milhares de postos de trabalho que entretanto as suas políticas exterminaram, para os milhares de outros desempregados que entretanto produziram, para o facto de serem milhares atrás do mesmo: daquilo que já não existe - um emprego. Nessa altura, o Estado não quer saber das dificuldades crescentes que fazem com que encontrar trabalho seja pior do que achar uma agulha num palheiro. Decide que se acabou o tempo e pronto: cada um que se amanhe. Sozinho, seguramente. Sem o Estado, como ponto assente. Trabalharam a vida inteira? Descontaram para a Segurança Social? Paciência! Agora vivam do ar porque o tempo esgotou-se.

Ao mesmo tempo que colocam no acordo de empréstimo financeiro medidas que promovem a «flexibilidade nas negociações laborais» e permitem «reduzir a excessiva protecção do emprego» (que aumentam o desemprego, leia-se), UE, FMI e BCE exigem uma redução drástica nas despesas sociais (apoios a quem é lançado no desemprego, leia-se). O resultado está à vista: em Portugal, na Espanha, na Grécia, na Irlanda, na Itália. Por todo o Velho Continente, aliás, que mesmo não se encontrando formalmente sob 'resgate', se rege pela mesma lógica de austeridade cega.
O elogio do BCE traduz o supremo desplante de aplaudir aos Estados uma actuação que está a conduzir ao sofrimento galopante dos seus povos. Flexibilizadas as negociações laborais, os números do desemprego dispararam. Reduzida a protecção do emprego ao mínimo, as carências humanas e sociais multiplicaram-se e gritam fome e desespero nas ruas das principais capitais europeias. Espantosamente, e ao contrário dos seus planos, nem por isso a produtividade aumenta, nem por isso a economia cresce e a crise se esbate.
Nestes termos, o elogio do BCE está longe de constituir motivo de jubilo. Primeiro porque aplaudindo a  ineficácia apenas vem incentivar a mais da mesma incompetência. Depois porque se congratula pelo sucesso conseguido na redução de emprego e protecção social.
Aquilo que impressiona é que o BCE não se dê conta do tremendo insulto que, por via de um tal elogio aos Governos, dirige às populações.
Esta Europa só pode estar louca, olhando para cada indivíduo como um amontoado de custos e uma fonte interminável de receitas. Estes dirigentes europeus só podem estar loucos, convencidos que estão que a União Europeia se faz arregimentando Governos e exterminando os seus povos.

Esta Europa e estes dirigentes europeus só podem estar loucos!


Cf. também:


# Fórum TSF - "Desemprego e pobreza": OUVIR AQUI.

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