[EM ACTUALIZAÇÃO]
13:04 - O desemprego, os cortes salariais e os racionamentos da saúde são as principais razões evocadas pelas pessoas que vão chegando massivamente. De novo há muitas crianças. Os pais voltam a defender que querem que eles conheçam a realidade do país em que vivem.
13:18 - «O filho pergunta à mãe: Mãe se eu roubar vou para a prisão? A mãe responde: Não filho, vais para o Governo!», lê-se num cartaz. As palavras «gatunos» e «roubar» são, tal como nos protestos de 15 Set. e 21 de Set. uma constante.
13:21 - Os cartazes com a mensagem «Basta!» estão outra vez nas ruas. Adensam-se as opiniões de que a guerra da TSU «foi ganha», mas que «os portugueses não são estúpidos e não se vão deixar enganar» com medidas alternativas que surtam o mesmo efeito.
13:24 - Muitos e muitos jovens, bem como idosos. A terceira idade queixa-se do assalto às reformas mas insiste que está aqui sobretudo por causa dos filhos, dos netos, em nome da ausência de futura para as novas gerações. Uma mãe com duas meninas diz: «Claro que as trouxe: isto é mais delas do que meu! O futuro é delas!». Um pai, com um bebé de sete meses ao colo, chora ao responder: «É comovente estar aqui com ela, no meio de um povo que não se acobarda!».
13:31 - Conversar com as pessoas permite perceber que a ideia de injustiça na repartição dos sacrifícios e «desumanidade com os mais pobres, doentes e desempregados» está no centro da revolta. Há muita gente a mencionar a falta de apoios sociais e os cortes na saúde.
13:42 - Há sem dúvida muita gente nas ruas, mas longe da enchente que se mobilizou no 15 de Set.. De qualquer forma, e apesar de haver notícia que a linha azul do Metro está interrompida, impedindo muitos manifestantes de chegarem ao local, a afluência à manifestação é imensa. Repete-se o slogan «Passos, ladrão, não levas um tostão».
13: 53 - O Terreiro do Paço está cheio. Pelas bandeiras vermelhas, é visível que a frente do palco e o centro está repleto de manifestantes ligados à CGTP. Os edifícios dos ministérios estão protegidos por grades e alguma polícia. As esplanadas e os restaurantes das arcadas estão fechados.
14:10 - As pessoas estão muito dispersas. Nem toda a gente respeitou a indicação de concentração nos Restauradores para iniciar a descida até ao Terreiro do Paço. Muitas dirigiram-se imediatamente para lá, outras conservam-se na Praça do Rossio e outras ainda pelas ruas da Baixa.
14:20 - Nota-se que nem toda a gente se dirige para o local do comício. Há mais gente na rua do que as que para lá se dirigem. É, no entanto, uma demonstração de peso da capacidade de mobilização da CGTP.
14:24 - Jerónimo de Sousa fez o percurso completo, desde os Restauradores, e diz-se bastante «emocionado» com «o despertar das consciências» e a crescente «união das pessoas para derrotar esta política».
14:29 - Francisco Louçã está no Terreiro do Paço cercado de pessoas que o querem cumprimentar. Enfatiza que se trata «de uma manifestação de todos» contra os abusos do Governo. «O Governo está perdido: a contar os dias para os ministros que ficam!».
14:34 - Os manifestantes comentam que os jornalistas «fazem quase sempre a mesma pergunta: É sindicalizado? Pertence a algum sindicato ou está aqui por sua conta?».
14:48 - Os helicópteros continuam a sobrevoar a Baixa da cidade. Esperam-se imagens aéreas impressivas da manifestações, como as que se registaram a 15 de Set..
14:55 - As avenidas 24 de Julho e do Infante estão completamente bloqueadas porque é ao longo das mesmas que se encontram estacionados os transportes fretados pela CGTP. Só do Porto vieram 6 mil pessoas, distribuídas em 123 autocarros. De Viseu saíram mais 14, cheios de passageiros e de Coimbra vieram pelo menos 1200 pessoas. [vídeos: RTP]
15:04 - Vêem-se muitos cartazes artesanais e bandeiras negras, sobretudo na Rua da Prata e do Ouro. Toda a faixa junto ao rio é um mar de gente. A grande maioria confirma que esteve na Manifestação do 15 de Set. pela primeira vez e que, a partir de agora, voltará a sair à rua sempre que houver uma oportunidade para mostrar o seu descontentamento.
15:10 - No Terreiro do Paço, uma idosa segura um cartaz onde escreveu «Queremos um Lula da Silva para Portugal». Explica que nunca foi ao Brasil, não conhece o país mas fala com brasileiros. Sabe que «também têm lá problemas», mas que Lula fez crescer o Brasil sem sacrificar os pobres e que, pelo contrário, tirou «milhões da pobreza».
15:23 - Vêem-se bandeiras monárquicas misturadas com bandeiras de Che Guevara. Pedem-se comentários em redor: «estamos todos do mesmo lado: todos contra este Governo».
15:37 - Um homem passeia um corta-relvas, numa alusão clara à vontade popular de ver Miguel Relvas fora do Governo.
15:44 - Algumas pessoas usam a máscara dos indignados. Um homem que veio de Aveiro trouxe uma retrete e diz que apesar do estorvo que representou dentro do autocarro era «essencial para simbolizar a m**** que o Governo está a fazer no país».
15:56 - Outro homem trouxe um coelho dentro de uma gaiola. Voltam a ver-se muitas imagens com Passos Coelho vestido de prisioneiro da troika e convertido em animal amestrado de a Angela Merkel. Existe «Coelho, escuta, o Norte está aqui à luta!», grita um grupo que veio do Porto com um cartaz gigante onde o Governo figura atrás das grades: «mandá-los todos para a prisão, é o que falta!».
16:05 - Um cordão formado por todas as forças policiais que se juntaram à manifestação começam a descer a Rua do Ouro. Vêm sem farda, vestidos à civil. Gritam: «Somos do Povo! Somos do povo!». Os populares aplaudem entusiasticamente a participação dos agentes de segurança. É um dos pontos altos. [videos: RTP]
16:08 - Arménio Carlos começa a discursar no «Terreiro do Povo», como ele próprio o apelida, mas é interrompido pelas pessoas que entoam a frase de ordem «O povo unido jamais será vencido!» e «O povo está na rua!».
16:09 - O discurso segue pelo diagnóstico do país, pelos retrocessos da economia, a degradação social e o falhanço «destas políticas económicas», com Arménio Carlos a comparar Portugal à Grécia.
16:13 - O líder da CGTP evoca promessas quebradas de Passos Coelho. Diz que «o rapaz mudou de ideias» e acusa-o de não ter sensibilidade social. «De que está à espera o Sr. Primeiro-ministro para se ir embora? Vá, vá e leve consigo esta política! (...) Vá o mais depressa possível!», desafia. As pessoas apoiam exultantes.
16:15 - «A luta continua, Governo para a rua!», grita-se no Terreiro do Paço preenchida quase por completo pelos milhares de pessoas, à excepção de algumas clareiras junto às arcadas mais afastadas do palco.
16:26 - O líder da CGTP começa a enumerar alternativas às medidas do Governo. Fala em «taxar o capital e as grandes empresas» e em «parar a exploração de quem trabalha». Diz que «É tempo de ir às grandes fortunas!», «É tempo de por os ricos a pagar!». Ouvem-se aplausos.
16:31 - «Os jovens têm o direito de trabalhar neste país, que é o seu!»: a multidão aplaude vivamente. Sucede o mesmo quando se refere «aos grandes especuladores bolsistas».
16:35 - «Somos uma central sindical que não se vende nem claudica», atira Arménio Carlos, num recado velado à UGT. «A luta não vai parar e será cada vez mais intensa, até concretizarmos os nossos objectivos», garante. «Se não ouvirem a voz do povo a bem, irão ouvir a voz do povo a mal!», garante. A multidão anima-se: «A luta continua! A luta continua!».
16:40 - «Esta semana o Governo esteve dois dias reunido: trabalharam, trabalharam, trabalharam...», vai dizendo Arménio Carlos, quando as pessoas irrompem em assobios e vaias ao Governo. Arménio Carlos retoma: « (...) porque estiveram a congeminar mais uma série de medidas para nos irem ao bolso».
16.41 - Elogios à contestação popular que saiu à rua no 15 de Set.. Arménio Carlos repete que o Governo receia que «o povo perca o medo, mas o povo está a demonstrar que perdeu o medo» e sublinha que «a mobilização é geral e a resposta vai ser global!».
16:42 - O líder da CGTP anuncia «uma caminhada dedicada aos desempregados» a realizar ente 5 e 15 de Out.. Escuta-se uma grande ovação.
16:44 - Aí está: a CGTP anuncia também que convocou um Conselho Nacional extraordinário para decidir a data para uma Greve Geral. «Estão disponíveis para aumentar a intensidade da luta?», pergunta Arménio Carlos. E mais veemente: «Aquilo que pergunto de uma forma muito clara e objectiva: estão connosco na ideia de marcar, no próximo dia 3 de Outubro, uma data para uma Greve Geral?»
16:45 - «Este povo que enche o Terreiro do Paço está ou não de acordo com a decisão de uma Greve Geral?», ainda grita Arménio Carlos. Muito barulho, aplausos e buzinas em resposta afirmativa. «A vossa resposta foi clara, decisiva e determinante», remata.
16:46 - Termina o discurso do líder da CGTP.
16:50 - Existem muitos grupos, especialmente delegações sindicais, que só agora estão a conseguir entrar no Terreiro do Paço. A comissão de Trabalhadores da RTP e um colectivo de Professores do Norte, por exemplo, só há poucos minutos conseguiram chegar ao recinto.
16:53 - Escuta-se o hino da CGTP inter-sindical por Janita Salomé. Muitos punhos fechados no ar, mesmo por parte de quem não sabe a letra e se nota que não pertence sequer a nenhum sindicato.
16:57 - O Terraço do Paço está cada vez mais repleto. Toca o Hino Nacional. É impressionante: toda a gente canta com fervor! Há palmas e buzinas e «O povo unido jamais será vencido!».
17:01 - O líder da CGTP fala com os jornalistas. Está receptivo à adesão da UGT à Greve Geral e sublinha que é «pela unidade na luta», apelando a que «todos os movimentos cívicos» se juntem à iniciativa. É muito marcada a sua insistência na «importância da luta organizada».
17:04 - As pessoas não desmobilizam. Além do Terreiro, o Campo das Cebolas e a Avenida das Naus está praticamente intransitável, bem como as perpendiculares que sobem até à Praça do Rossio. Só quem veio de outros distritos se dirige para os autocarros.
17:07 - Agora canta-se o clássico Pra não dizer que não falei de flores: «Vem vamos embora, que esperar não é saber! Quem sabe faz a hora, não espera acontecer!», entoa Janita Salomé.
17:11 - Carvalho da Silva, ex-líder da CGTP conversa com os jornalistas. Sublinha a enorme afluência de pessoas e diz que fará tudo o que puder para colaborar na Greve Geral, acusando o Governo de não «ser capaz de interpretar os sinais claros que o povo lhe está a dar». Diz que «não tem futuro» porque «as bases de contestação estão a alargar-se e intensificar-se».
17:14 - Ana Avoila, da Frente Comum, e Mário Nogueira, da Fenprof, desdobram-se em entrevistas. Também o presidente da Associação dos Inquilinos e os dirigentes das diversas organizações sindicais das polícias não têm mãos a medir para responder às solicitações dos jornalistas.
17:19 - Termina o concerto de Janita Salomé que encerra oficialmente a manifestação, mas as pessoas permanecem no local. Trocam testemunhos e impressões, debatem soluções políticas e, claro, muitas e muitas críticas ao Governo.
Vídeos:
RTP - aqui, aqui





















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