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"Miguel Relvas, Dias Loureiro e José Luís Arnaut em férias de luxo no Rio de Janeiro"

Posted: 1 de jan. de 2013 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , 0 comentários

Leio no jornal i:

O ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, foi passar os últimos dias do ano ao Rio de Janeiro, Brasil, e esteve num dos mais luxuosos hotéis da “Cidade Maravilhosa”, o emblemático Copacabana Palace. Mas não foi o único. O ex-administrador da SLN, holding que era detentora de 100% do BPN – Banco Português de Negócios, Dias Loureiro, e o ex-ministro das Cidades, Administração Local, Habitação e Desenvolvimento Regional, José Luís Arnaut, também lá estiveram (...).
A diária no Copacabana Palace (...) custa um mínimo de 600 euros e o preço médio por dormida é de 800 euros, sem incluir taxas de serviços de hotel ou pequeno-almoço – e a preços de balcão. Uma refeição no hotel pode custar bem mais que a pernoita e os preços sobem em época alta, como acontece nos períodos de Natal e Ano Novo (...).

As reacções não se fizeram esperar. As redes sociais fazem eco da falta de decoro.
Bastaria o caso do 'Buraco do BPN' (*) para transformar o Réveillon destes senhores num festejo escandalosamente obsceno. A miséria e a pobreza para onde os portugueses foram atirados, por conta dos desvarios e compadrios continuados na gestão dos dinheiros públicos, somada aos sacrifícios brutais que o Governo lhes tem decretado e ao «enorme aumento de impostos» (palavras do próprio ministro das Finanças) aprovado para 2013 torna tudo simplesmente imoral.

Cf. a este propósito:

A propósito dos ataques israelitas à Faixa de Gaza

Posted: 23 de nov. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , , , , 0 comentários


22 de Nov.2012

Owen Jones, jornalista do The Independent, ontem, no programa "BBC Question Time": claríssimo. 
Aliás, tão claro que até o próprio se surpreendeu com os aplausos que o seu comentário repercutiu:
Um espanto que evoca à memória uma observação mais antiga:
«During times of universal deceit, telling the truth becomes a revolutionary act
George Orwell

No painel de debate, além de Owen: Iain Duncan Smith MP, Yvette Cooper MP, Charles Kennedy e Deborah Meaden. Moderação de David Dimbleby. 
# Para assistir na íntegra: AQUI.

Usinas termoelétricas ficam abaixo das metas de geração de energia

Posted: 19 de nov. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , , , 0 comentários


Na sobra de diversos outros argumentos, a notícia no Estado de S.Paulo de hoje deveria ser suficiente para, pelo menos, fazer Dilma ponderar o ratio custo/eficácia da sua teima de assentar a exploração de energia em hidrelétricas e levar adiante, não apenas Belo Monte, como todo um gigantesco plano de construção de usinas na Amazônia. Diversificar as fontes e apostar em energias limpas alternativas é uma demanda premente, sobretudo diante das fragilidades e contingências a que, como o Brasil constata num quadro de seca, as hidrelétricas estão expostas.

Quase um mês depois de o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) ser obrigado a acionar todas as térmicas existentes no País para preservar o nível dos reservatórios, algumas usinas ainda têm tido dificuldade para produzir o volume programado. Há unidades que não conseguiram produzir um único megawatt (MW) nesse período, o que fez a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) iniciar uma rígida fiscalização nas usinas.
Essas termoelétricas, movidas a óleo combustível, diesel e carvão, são contratadas para ficar em stand by para qualquer emergência no sistema elétrico, a exemplo da seca que o País vive atualmente (ler abaixo). Para ficarem paradas à espera de um chamado do ONS, elas ganham uma receita fixa mensal. Quando são acionadas, além da renda mensal, recebem também pelo custo do combustível, que é extremamente elevado - acima de R$ 500 o MW hora. Todo esse dinheiro sai do bolso dos brasileiros quando pagam a conta de luz.

Barroso critica governos que querem travar medidas sociais

Posted: 17 de nov. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , , , 0 comentários

Leio no Público:
O presidente da Comissão Europeia (CE), Durão Barroso, criticou hoje, sem os nomear, governos europeus que estão a travar, no debate do próximo orçamento europeu, medidas para apoiar trabalhadores desempregados e combater a pobreza.
“A verdade é que nas negociações actuais sobre o futuro orçamento, há alguns governos na Europa que querem cortar propostas que são essenciais de um ponto de vista de solidariedade social. (...) É isso que explica a indignação que já existe em muitas partes da Europa”, disse.
Entre os programas que estão a ser bloqueados por alguns governos, contam-se medidas para apoiar trabalhadores sem trabalho e sem subsídio de desemprego e para combater a pobreza.

É um facto. E lamentável, sim. Barroso tem razão. Só é pena que as críticas sapienciais que agora tece não venham acompanhadas de um imprescindível mea culpa. Por ter feito vista grossa a uma evidência para a qual muitos alertaram meses e anos a fio. Por ele próprio ter defendido exactamente o oposto até há bem pouco tempo. Por ter sido um dos principais responsáveis e defensores das políticas de austeridade cega prescritas aos países em maiores dificuldades económicas. Por se ter, no caso específico de Portugal, demarcado do sofrimento dos portugueses, referindo-se à situação económica do país com um desdém implacável, quase ameaçador, cobrando sacrifícios e gritando alto e bom som que em lugar de queixas estes deviam expiar a culpa, agradecer a oportunidade concedida pela "ajuda" da troika e sujeitar-se à dureza das condições impostas sem criar problemas.
Se começou a ver a luz, ainda bem. Mais vale tarde do que nunca. Mas a cambalhota, além de ser monumental, não deixa de ser cínica, de uma hipocrisia vira-casacas a que Barroso já nos habituou. Da mesma maneira que largou o cargo de primeiro-ministro às pressas para aceitar um pelouro na Europa e, uma vez lá chegado, passou a ter vergonha da pátria e a fazer de tudo para que se esquecessem que também é português, insurge-se agora de dedo em riste contra os insensíveis sociais com quem tem alinhado e pactuado desde o primeiro momento.

As semelhanças entre Mitt Romney e José Serra

Leitura interessante de Flávio Aguiar, na sua coluna desta semana:

Há um interessante paralelo entre a campanha de Mitt Romney nos EUA e as últimas campanhas de José Serra no Brasil. Ambas mostraram-se, de alguma forma, completamente descoladas da realidade, porque seus protagonistas não conseguiram reconhecer que a paisagem política e social de fato mudara, numa mudança que está, portanto, muito além de sua compreensão. Assim mesmo, ambos esses políticos foram capazes de mobilizar milhões de votos, assim como ambos – este foi também o caso de Serra – a ponto de terem com certa a sua vitória, lembrando que no caso brasileiro isso aconteceu tanto agora em 2012 como em 2010.

Comentário à pesquisa do 'Datafolha' sobre a integração dos índios brasileiros

Leio no Painel do Leitor da Folha de S.Paulo:

Mais uma vez venho criticar a abordagem enviesada da Folha sobre a situação da população indígena no nosso país. Acho totalmente inadequada a metodologia empregada pela pesquisa encomendada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil e feita pela Datafolha (“Índios estão integrados ao modo de vida urbano, afirma pesquisa”, “Poder”, 10/11), uma vez que “foi entrevistada somente a população indígena brasileira que fala português”! Ora, este critério corta da pesquisa toda a população que faria os resultados da pesquisa penderem para o contrário de sua conclusão de “que índios estão integrados” — por sinal a conclusão provavelmente almejada pela CNA para enfraquecer todos os esforços da sociedade pela demarcação de terras indígenas.
Mariana Moreau (São Paulo, SP)

Absolutamente pertinente, o comentário à pesquisa encomendada pelos ruralistas.

Índios brasileiros encontram-se integrados na sociedade, conclui Datafolha

Posted: 10 de nov. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , , , 0 comentários

A Folha de S.Paulo publica hoje uma pesquisa do Datafolha sobre o perfil social dos índios brasileiros. Considerados, entre outros, indicadores como o acesso a Televisão, DVD, geladeira, fogão a gás e celulares, o estudo conclui que, actualmente, os povos indígenas se encontram «integrados ao modo de vida urbano».
A infografia em baixo sistematiza os principais resultados mas, como veio lembrar o Conselho Indigenista Missionário, ao analisá-la é sensato não perder de vista que da aquisição de determinados bens de consumo não se segue necessariamente a instalação de «um conflito cultural» que faça «alguém ser menos indígena».


Importa não perder de vista que a pesquisa foi, segundo o próprio jornal revela, encomendada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
O artigo que acompanha a divulgação da pesquisa trata a população indígena como um todo, ou seja, sem especificar os dados por etnia. Curiosamente, esta lógica quebra-se apenas num caso: o dos Guarani-Kaiowá, a quem o jornal dedica uma secção destacada. Os dados relativos ao povo actualmente em litígio aberto com os grandes fazendeiros do Mato Grosso do Sul, na demanda pela demarcação das suas Terras originárias, são objecto de análise detalhada pela Folha.

Para ler na íntegra, clicando no link em baixo.

Berlusconi condenado a 4 anos de prisão por fraude fiscal

Posted: 26 de out. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , 0 comentários

Leio no Público:

O ex-chefe de governo italiano Silvio Berlusconi foi condenado nesta sexta-feira a quatro anos de prisão por crime de fraude fiscal (...) e fica interdito de exercer um cargo público durante os próximos três anos. (...) O tribunal foi além do que pedia o ministério público, que tinha requerido três anos e seis meses de prisão para o “Cavaliere”. (...) O processo, que começou há seis anos, foi suspenso numerosas vezes, incluindo uma última vez em Abril 2009 depois da aprovação de uma lei que dava a Silvio Berlusconi imunidade penal durante 18 meses. A primeira audiência depois do reinício do processo ocorreu em Fevereiro.
Até agora, o Cavaliere foi condenado três vezes em primeira instância em 1997 e 1998 a um total de 6 anos e 5 meses de prisão efectiva por crimes de corrupção e financiamento ilícito de um partido político. Foi depois absolvido ou beneficiou da prescrição destes crimes.

Tanto a Itália como o Brasil levam a dianteira sobre Portugal. Pelo menos conseguem levar crimes praticados por poderosos à barra do tribunal e sentar políticos no banco dos réus. No caso Berlusconni  saiu uma pena de prisão. No Caso Mensalão, as penas começaram a ser definidas esta semana. Resta saber se, tanto a Itália como o Brasil, terão a força legal necessária para as fazer cumprir. Se as condenações se adiarem em eternos recursos até, eventualmente, acabarem por prescrever, não só os julgamentos não terão servido de nada, como a Justiça sairá desacreditada aos dos olhos dos cidadãos e irremediavelmente enfraquecida para dissuadir futuros infractores.

Eleições Municipais 2012: Dilma e Aécio medem força nos comícios dos candidatos por Manaus

Posted: 25 de out. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , , 0 comentários



Em Manaus, a recta final da campanha de 2º turno na disputa da Prefeitura animou-se, com a presença de lideranças de peso que viajaram até à capital para dar uma ajuda aos candidatos. Na 2ª feira, Dilma Rousseff marcou presença no comício de Vanessa Grazziotin (PC do B), com um discurso que procurou desmistificou o voto numa candidata feminina. A presidente abordou a polémica do suposto voto da candidata contra o salário mínimo, garantindo que a acusação «é mentira» e aproveitando para reforçar a ideia de que o PSDB do Amazonas se opõe sistematicamente às medidas do Governo, aludindo às vantagens que Manaus poderia recolher se elegesse Vanessa, uma candidata capaz de boas relações com o Planalto.
Na 4ª feira, foi a vez de Aécio Neves vir em defesa de Artur Neto. Durante o comício, o senador tucano disparou contra os líderes do PT, em Manaus, rebatendo a tese de que a vitória da candidata da presidente seria melhor para a cidade: «'Balela! Mentira!», disse. Ao lado de Aécio e Artur estiveram também os ex-candidatos do 1º turno que declararam apoio ao candidato do PSDB após a derrota, Serafim Corrêa, Henrique Oliveira e Pauderney Avelino.

Seguem as reportagens, clicando no link em baixo.

Da série 'Importa-se de repetir?!' | Os portugueses não estão dispostos a pagar pelo que querem, diz Gaspar

Posted: 24 de out. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , , 0 comentários

«Existe aparentemente um enorme desvio entre o que os portugueses acham que devem ter como funções do Estado e os impostos que estão dispostos a pagar. Esse problema é fundamental: difícil.»

- Vítor Gaspar, ministro das Finanças, hoje, durante a audiência na comissão parlamentar de Orçamento e Finanças.

Tornou-se um hábito. Cada vez que Gaspar abre a boca debocha «do melhor povo do Mundo». Já não é só desprezo pelo "povinho" que governa, é ódio. Diante do alarmante descrédito e desconfiança das pessoas face aos políticos, os arremedos de Gaspar representam uma machadada gravíssima na classe e na Democracia. No contexto social que o país vive, os insultos que repetidamente profere são de uma inconsciência assustadora. As palavras que escolhe para se referir aos portugueses assemelham-se a fósforos riscados junto de um paiol de pólvora. Gaspar comporta-se como um pirómano social e Passos Coelho só pode ter ensandecido de vez se não entende até onde o seu ministro das Finanças lhe pode incendiar o país. A continuar assim, Gaspar arrisca-se a atear uma fogueira incontrolável à escala nacional. O primeiro-ministro só pode ser frouxo ou mais louco que ele se não lhe colocar travão. E depressa!

De Lula para Mota Soares


Num momento em que a miséria não pára de aumentar em Portugal e o Governo dá mostras diárias de não saber o que fazer a tantos pobres, fica o conselho do ex-presidente Lula da Silva. De borla: grátis e sem requerer factura alta a nenhuma empresa de consultoria. Simples, assim. Como a resposta: «Espírito de mãe!».
A entrevista é conduzida por Daniel Filmus, e integra uma série documental dedicada aos presidentes da América Latina, co-produzida em 2009, na Argentina, pelo Canal Encuentro e a TV Pública.

Com dedicatória especial ao ministro Pedro Mota Soares e equipa.

Saiu o relatório da Execução Orçamental de Setembro: previsões de Gaspar seguem a falhar

Posted: 23 de out. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , 0 comentários


Acabam de ser divulgados os dados da Execução Orçamental relativos ao mês de Setembro. São muitos números e as redacções ainda estão a fazer as contas. Seja como for, confirma-se que a situação piorou. O Público avança que a receita fiscal caiu 4,9% e o Jornal de Negócios diz que o défice se agravou em quase 76 milhões de euros.
As previsões do Governo voltam a falhar o que só reforça os receios em relação à proposta do OE 2013, que insiste na receita por via dos impostos, com uma carga fiscal em dose redobrada. É que, um primeiro olhar rápido basta para constatar que caíram as receitas de IVA, que o imposto automóvel repetiu uma quebra de mais de 40%., que o imposto sobre o tabaco caiu cerca de 9%, ao passo que as despesas da Segurança Social, por conta do aumento do desemprego, não param de subir.

[EM ACTUALIZAÇÃO]

"O lamento de um dinossauro"


Um texto pungente, publicado hoje na secção de opinião da Folha de S. Paulo, escrito por Mário Chimanovitch, um jornalista brasileiro-mestre, de quem a longa carreira, experiência e prémios recebidos falam por si só. Actualmente com 67 anos, e jornalista há 44, escreve:
Desempregado desde 2007, sobrevivendo de cada vez mais raros bicos, sinto que cheguei aos meus limites. A autoestima se esfacela e posso entender porque tantos não resistiram e acabaram sucumbindo ao álcool, às drogas ou, tanto pior, à ideia da própria morte.
Tolo e romântico que sempre fui, imaginava que essa vivência toda, mais tarde, me permitiria ajudar os mais novos a melhorarem o mundo imperfeito que é o campo de colheita dos bons jornalistas. Ledo engano, porém.

A indigna realidade que descreve, retrata na perfeição o que há muito se verifica nas redacções portuguesas. É um retrato de ingratidão, mas sobretudo de irremediável desperdício. Vai mal, toda a classe que despreza os seus mestres e o resultado está à vista, por ventura de uma forma bem mais obscena em Portugal do que no Brasil.
Para ler na íntegra "O lamento de um diossauro", clicando no link em baixo.

Começou o debate quinzenal no Parlamento

Posted: 12 de out. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , , 0 comentários


Passos Coelho está face a face com os partidos, 24h depois da versão preliminar do Orçamento de Estado para 2013 ter começado a ser apresentado informalmente à comunicação social e a vazar para a opinião pública.
O tema central é o próximo Conselho Europeu, mas o brutal agravamento das novas medidas de austeridade e o «enorme aumento de impostos» que se confirmam nos planos do Governo estão a dominar a discussão.

# Para acompanhar AO MINUTO: Expresso | Público | DNParlamento Global

[ACTUALIZAÇÃO]

O que fica deste debate: Passos Coelho a escudar-se das interpelações, alegando que o tema era «a Europa» e a não ser capaz de formular uma única ideia nesse âmbito; a evitar abordar abertamente o OE para 2013; a não desmentir nada do que ontem começou a circular; a dar sinais de que vai insistir na dose brutal de austeridade e a assumir no Parlamento, por ventura, a postura mais acossada e agressiva desde que foi eleito. Por várias vezes se riu das críticas que vinham das bancadas e descontrolou-se ao ponto de acusar o PCP de ser «instigador de atitudes de maior violência em Portugal».

OE 2013: Governo pretende taxar desempregados e doentes e tirar 224 milhões à Segurança Social

Os desempregados e os doentes que têm direito a receber uma prestação do Estado também serão chamados a pagar a crise. A proposta preliminar do Orçamento do Estado para 2013 estabelece uma nova "contribuição" que será de 6% e de 5%, respectivamente. Cerca de meio milhão de pessoas serão afectadas por esta 'novidade'. O documento apenas salvaguarda os valores mínimos. Se for aprovado sem alterações, tal como está, implicará cortes nas prestações dos desempregados que recebem os valores mais baixos, próximos de 419,22 euros, e dos doentes que, no fundo da tabela, recebem 126 euros por mês (4,19 euros por dia). [ Cf. AQUI]

Como escreve hoje Pedro Santos Guerreiro, em editorial do Jornal de Negócios:

Não é apenas mais IRS. É mais tudo. Tudo o que mexe e tudo o que é inanimado. O destro e o canhoto. O que se tem e o que se perde. Quando rasteja e quando voa. Paulo Portas nunca pensou que acabaria a mandar tributar o pai, a mãe, o avô, a avó, o gato e o periquito do défice, que em 2004 atribuiu a Sousa Franco. 

Cf. também: OIT: Crise criou 30 milhões de desempregados

Leio no Diário Económico:
No próximo ano, a consignação de receitas do IVA à Segurança Social vai sofrer um corte de 224 milhões de euros. Só 725 milhões de euros da receita deste imposto serão destinados à realização de despesa com prestações sociais, no âmbito do subsistema de protecção familiar, contra os 949 milhões de euros que foram consignados este ano.
Entre 2010 e 2012, o Estado tinha já reduzido em 10% a sua participação nas receitas da Segurança Social. Este corte no financiamento público coincidiu com uma redução acentuada do número de beneficiários de apoios sociais. Segundo o boletim estatístico do Ministério da Solidariedade, os apoios à família deixaram de ser dados a cerca de 600 mil titulares, houve 70 mil pessoas que ficaram sem rendimento social de inserção (RSI) e 200 mil desempregados sem protecção.
Recorde-se que até meados de 2010, a contribuição do Estado para a Segurança Social - tanto pelas transferências previstas na lei como pela consignação da parcela do IVA (IVA social) - chegou a 40% das receitas do sistema. Mas a partir desse ano reduziu-se, com a entrada em vigor da nova lei de análise dos recursos dos beneficiários, aprovada pelo anterior Governo de Sócrates. No final de 2011, o peso do Estado caíra para valores na casa dos 35% das receitas da Segurança Social. Conclusão: o Estado continua a cumprir a Lei de Bases da Segurança Social, mas reduz a dimensão do seu contributo no financiamento do sistema da segurança social. 

Já agora, em Dia Mundial da Alimentação e no cúmulo de tudo isto, vale ler a reportagem da Agência Lusa publicada no DN: "Há doentes oncológicos sem dinheiro para comer".

Mercado de trabalho dos jornalistas, em Portugal, cada vez mais escasso:

Posted: 10 de out. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , 0 comentários

Esta semana:



[ACTUALIZAÇÃO]

Observatório da Imprensa preocupado com despedimento de jornalistas

O despedimento de jornalistas, que tem vindo a aumentar nos últimos anos, é preocupante e vai, inevitavelmente, afectar a qualidade da informação, adverte o presidente do Observatório da Imprensa, em entrevista à Renascença.

Recado de Olli Rehn a Portugal: uma no cravo outra na ferradura

Posted: 9 de out. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , , 0 comentários

O comissário europeu dos Assuntos Económicos e Monetários disse hoje estar "plenamente ciente das dificuldades e da dolorosa tributação em Portugal", tendo em conta "a forma como os portugueses as encaram". Assim sendo, pede justiça no aumento de impostos. No entanto, ciente da vaga de contestação crescente pede "espírito construtivo" aos partidos, ou seja, que assobiem para o lado, que fiquem de braços cruzados e nada façam. Ou melhor, que alinhem com o Governo, mesmo que isso signifique demitirem-se do seu papel de oposição e do compromisso que assumiram com os seus eleitores.

Eleições Municipais no Brasil com pouco eco em Portugal

Posted: 8 de out. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , , , , 0 comentários


SIC Notícias - 07.Out.2012

As eleições municipais brasileiras passaram praticamente ao lado dos media portugueses, excepção feita a alguns artigos de jornal e assim mesmo, na maioria dos casos, só no próprio dia da votação e mediante a publicação de matérias de agência. As televisões, por exemplo, só se interessaram pelos fenómenos insólitos do sufrágio.
Uma opção editorial estranha, tendo em conta o elevado número de portugueses a viverem no Brasil e a enorme comunidade brasileira residente em Portugal.

Empresários e patrões vs. Governo 'liberal'

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Hoje nas capas do Jornal de NegóciosPatrões pedem ao FMI mudança no memorando e do Diário Económico: Empresários alertam para a urgência de cortes na despesa.
Para juntar à entrevista que António Saraiva, presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP) deu ao DN e à TSF e onde chegou ao ponto de dizer que «Não falta vontade aos empresários para fazer greve».
A unanimidade alastra, dentro e fora do país, das vozes à esquerda às de direita, em todos os sectores da sociedade. No que se refere à estratégia (ou ausência dela!) do Governo, à comprovada ineficácia da receita da troika para ultrapassar a crise e à imperiosa necessidade de rever os termos e os tempos do empréstimo financeiro definidos no acordo assinado. Só Passos Coelho e os seus ministros continuam a teimar e negar essa realidade. No entretanto, nem se apercebem que estão absolutamente sozinhos. Já ninguém os defende, já ninguém lhes legitima ou secunda a opção suicida que escolheram para Portugal.
Basta olhar para as capas dos jornais económicos, hoje nas bancas, para constatar o óbvio: Passos Coelho e o seu elenco conseguiram o inimaginável. Não há memória de um Governo ter gerado tanta crispação em empresários e patrões, especialmente quando oriundo da direita. Para quem se orgulhava de ser 'neo-ultra-liberal' não está nada mal!

A bandeira ao contrário imortalizada nas bancas

Posted: 6 de out. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , 0 comentários


A capa de hoje do jornal i. E não, não se trata de um erro de palmatória da gráfica que o imprimiu. A inversão é intencional e assumida. A ideia não é necessariamente original: ontem, vários blogues tinham já aludido ao insólito que marcou as cerimónias oficiais do 5 de Outubro, invertendo as imagens e logos dos seus headers, e a 'nova estética' proliferava nas redes sociais. No entanto, vale pela ousadia: sair para a banca como até hoje nenhum jornal tinha saído (nem por acidente, quanto mais de propósito!): ao contrário, como o país, tal e qual se lê na manchete: "República de pernas para o ar e com cautelas do Presidente".


Aliás, os principais diários portugueses destacam, na primeira página, o hastear da bandeira ao contrário. Fazem bem. Não se trata de sublinhar mesquinhamente um lapso de protocolo. Trata-se de ilustrar um 'incidente' que foi percepcionado pela generalidade das pessoas como a metáfora perfeita da avaliação que fazem do estado do país. O simbolismo que os portugueses atribuíram ao engano diz tudo.