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Morreu o poeta brasileiro Manoel de Barros

Posted: 13 de nov. de 2014 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , , , 0 comentários


Leio no Público:
O poeta brasileiro Manoel de Barros morreu esta quinta-feira, aos 97 anos, em Campo Grande no Brasil.
O poeta que nasceu em Dezembro de 1916 em Cuiabá, no Estado de Mato Grosso, era o “poeta maior” do Brasil, nas palavras de Carlos Drummond de Andrade. Era também advogado e fazendeiro. Ao longo da sua longa carreira obteve importantes prémios literários, como o Prémio Nacional de Poesia (1966), o Prémio Jabuti (1989 e 2002) ou o Prémio da Academia Brasileira de Letras (2000). Em 2012 recebeu o prémio literário da Casa da América Latina.
Está editado em Portugal com as chancelas da extinta Quasi e da Caminho. Foi aliás esta editora da Leya que publicou uma edição que condensa toda a sua poesia publicada até ao ano 2010. Logo à entrada deste livro, o poeta escrevia: "A única língua que estudei com força foi a portuguesa/ Estudei-a com força para poder errá-la ao dente" .
E é dele também : "Poesia é a infância da língua. Sei que os meus desenhos verbais nada significam. Nada. Mas se o nada desaparecer a poesia acaba. Eu sei. Sobre o nada eu tenho profundidades."
No obituário d' O Globo lembra-se que no documentário Só dez por cento é mentira, realizado por Pedro Cezar e lançado em 2008, quando ao poeta perguntam como gostaria de ser lembrado ele responde: “A gente nasce, cresce, amadurece, envelhece, morre. Pra não morrer, tem que amarrar o tempo no poste. Eis a ciência da poesia: amarrar o tempo no poste”.


"Só Dez Por Cento é Mentira", realizado por Pedro Cezar (2008)

Entre 2000 e 2010, Amazônia perdeu área equivalente à 'Grã-Bretanha', diz estudo

Posted: 4 de dez. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , , , 0 comentários

Um estudo inédito realizado em nove países sul-americanos revela que, entre 2000 e 2010, a Amazônia perdeu 240 mil quilómetros quadrados de floresta, 3% de sua área total, o equivalente ao território da Grã-Bretanha.
Coordenado pela Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada (Raisg), que congrega 11 ONGs e institutos de pesquisa regionais, o atlas "Amazônia Sob Pressão" mediu, com base em imagens de satélite, o desmatamento entre 2000 e 2010 em todos os países que abrigam a floresta, além de mapear as principais ameaças ao ambiente e à população local.
"É importante manter em evidência uma visão geral sobre o que está acontecendo na Amazônia", disse Beto Ricardo, coordenador-geral do estudo e membro do ISA (Instituto Socioambiental), uma das principais organizações ambientalistas do Brasil. Ele explica que, embora existam muitos estudos sobre o desmatamento na Amazônia brasileira, ainda não haviam sido feitas avaliações que incorporassem as porções andina e guianense da floresta.
Para o Brasil, acrescenta Ricardo, trata-se de um estudo especialmente importante porque boa parte das cabeceiras dos grandes rios amazônicos que cortam o país estão em nações vizinhas, sobretudo as andinas, como Colômbia e Peru. "O que acontece lá nas nascentes afecta todo mundo aqui rio abaixo", afirmou.
Segundo o levantamento, entre 2000 e 2010, 80,4% do desmatamento da Amazônia ocorreu no Brasil, país que abriga 58,1% da floresta. Dono da segunda maior porção de cobertura florestal, com 13,1%, o Peru foi responsável por 6,2% do desmatamento no período, seguido pela Colômbia, que possui 8% da floresta e desmatou 5%.
A pesquisa mostra, porém, que o ritmo de desflorestamento no Brasil e na maioria dos países sul-americanos tem se reduzido desde 2005. Na última semana, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, anunciou a menor taxa anual de destruição da Amazônia no Brasil desde 1988. Na ocasião, ela afirmou que o país também deverá cumprir a meta de baixar o desmatamento ao limite de 3.925 quilômetros quadrados de floresta ao ano em 2020. Para Ricardo, mesmo que se atinja tal objetivo, esses níveis de desmatamento "resultarão na morte lenta da Amazônia".
O estudo revela ainda que, apesar de ter caído em termos gerais, a taxa de desmatamento tem se mantido estável no Peru e aumentado na Colômbia e na Guiana Francesa.

Estradas transnacionais

Embora aponte para uma redução nos índices de desmatamento, a pesquisa mostra que, se todos os projetos de exploração econômica na região saírem do papel, a Amazônia poderá perder até a metade de sua cobertura florestal.
O estudo considera como principais pressões sofridas pela floresta as estradas, a exploração de petróleo e gás, a mineração, hidrelétricas, focos de calor e o desmatamento.
De acordo com o estudo, a presença de estradas na Amazônia está associada à exploração ilegal de madeira, ao avanço de actividades agropastoris e a grandes projectos de infraestrutura e urbanização.
A Raisg diz que a pressão exercida por estradas na Amazônia aumenta à medida que avança a IIRSA (Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sul-Americana), empreendimento conjunto de governos da região. Parte das iniciativas busca ligar áreas habitadas da Amazônia brasileira a portos no Pacífico, facilitando o escoamento de produtos.
A expansão da pecuária e da produção agrícola, informa a Raisg, também está entre as maiores ameaças à floresta e a seus habitantes. No caso da Amazônia brasileira, 93% das terras exploradas pela agropecuária são ocupadas por fazendas de gado com pastagens onde se cria, em média, 0,9 boi por hectare, quando técnicas intensivas permitem elevar tal proporção a até dez bois por hectare.

Petróleo e mineração

Outras atividades que ameaçam a floresta são a exploração de petróleo e gás e a mineração.
Segundo a Raisg, entre os principais impactos ligados à extracção de petróleo estão a poluição da água e do ar, a contaminação do solo e a destruição de ecossistemas naturais.
A organização avalia que há 327 lotes com potencial de exploração de petróleo e gás em toda a floresta, que ocupam 15% de sua área. Cerca de 80% dos lotes se encontram na Amazônia Andina, onde vive metade dos 385 povos indígenas da região. No Brasil, os lotes ocupam 3% da porção nacional da floresta. O estudo aponta que, no Acre, estão em curso estudos para a exploração de petróleo ou gás em áreas próximas a nove territórios indígenas e seis unidades de conservação.
Já uma porção ainda maior da Amazônia – 21% – é considerada área de interesse para a mineração. Em metade desse território, exploradores aguardam licença para operar, enquanto em 30,8% das terras já existem trabalhos em curso.
A Raisg afirma ainda que, no Brasil, dois factores podem "incentivar" a mineração na Amazônia: a eventual aprovação de um projeto de lei que autorizaria a exploração em terras indígenas e a construção de hidrelétricas em rios da região.
As hidrelétricas, aliás, são apontadas pelo estudo como outra grande ameaça à região. Segundo a entidade, há em toda a Amazônia 171 hidrelétricas em operação ou construção e 246 planejadas ou em estudo.

Panorama

Segundo a Raisg, a Amazônia é habitada por cerca de 33 milhões de pessoas, espalhadas por 1.497 municípios. As maiores porções da floresta se encontram no Brasil (58,1%), Peru (13,1%) e Colômbia (8%), seguidos por Venezuela (6,9%), Bolívia (5,7%), Guiana (2,6%), Suriname (2,4%), Equador (1,7%) e Guiana Francesa (1,5%).
A pesquisa estima que, hoje, 45% da Amazônia é ocupada por terras indígenas (TI) ou áreas nacionais de proteção (ANP). Nesses locais, a Raisg diz que os níveis de desmatamento e outros impactos ambientais são expressivamente menores. "Os resultados apresentados sustentam o importante papel que as ANP e TI vêm cumprindo como desaceleradores ou contentores dos processos de perda de floresta em cada país e na Amazônia em conjunto".

publicado na BBC

Na revista 'Veja': "O Brasil vai às compras em Portugal"

Posted: 3 de dez. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , , 0 comentários


Vale a pena ler o artigo hoje publicado no site da Veja onde se elencam 8 grandes negócios brasileiros com os olhos postos em Portugal. Segundo a revista:
As empresas portuguesas estão descapitalizadas e o governo embarcou num processo acelerado de privatizações. Grupos brasileiros estão alertas para as oportunidades. Empresas brasileiras aproveitam crise na Europa para buscar oportunidades de negócios em Portugal.

Em resumo:
No dia 7 de dezembro um grande negócio unindo Brasil e Portugal pode ser fechado. (...) A aquisição da TAP, se concretizada, será mais um capítulo de uma enxurrada de negócios envolvendo brasileiros em terras portuguesas, desde que a crise bateu forte naquele país.
(...) No final de novembro, a Amil arrematou sete hospitais que pertenciam à Caixa Geral de Depósitos pelo equivalente a 110 milhões de dólares. Dois meses antes, a Embraer havia inaugurado duas fábricas de fuselagem, componentes e ligas metálicas para aviões em Évora. Em junho, a InterCement, subsidiária da Camargo Corrêa, havia comprado 94,8% do capital da multinacional portuguesa Cimpor, uma das maiores produtoras de cimento do planeta. Nas próximas semanas, a brasileira Rionave disputará com os russos da JSC o controle dos estaleiros navais de Viana do Castelo, no norte do país. A Empresa de Correios e Telégrafos está no páreo para comprar a Companhia Portuguesa de Correios e Telégrafos, que deverá ser privatizada em 2013. Segundo jornais portugueses, o Banco do Brasil estaria interessado em 20% de participação na Caixa Geral de Depósitos. 

Para ler na íntegra: AQUI.


Cf. também:

Entrevista a Germán EFromovich: «Portugal hoje é uma oportunidade. Qualquer país da Europa é um investimento interessante. Até a Grécia pode ser uma ótima opção»

ONU abre conferência de telecomunicações, em meio a receios pela liberdade na Internet

Leio na BBC:

Representantes de 193 governos, incluindo o Brasil, estão reunidos a partir desta segunda-feira no Dubai para discutir normas que padronizem e regulamentem as telecomunicações, em meio a temores de que os resultados afectem a liberdade da Internet.
O Google está entre os principais opositores de possíveis limitações à "internet livre". A União Europeia, por sua vez, defende que o actual sistema de regulação funciona. "Se não está quebrado, não há o que consertar", disseram representantes do bloco.
Já a ONU, organizadora da conferência em Dubai, alega que seu objectivo é apenas "mitigar tais temores" e afirma que é preciso "ampliar o acesso à rede". "A verdade brutal é que a internet permanece sendo em grande parte um privilégio de ricos. Queremos mudar isso", disse Hamadoun Touré, secretário-geral da União Internacional de Telecomunicações (UIT), braço da ONU responsável pelo evento. Na abertura do seminário, Touré declarou que a liberdade da internet "não será coibida ou controlada" e afirmou que o argumento é uma forma "barata" de criticar a conferência.

Os EUA e a Agenda Climática: urgências, inconveniências e... contingências

"Climate of doubt" via Frontline / PBS

Ao contrário do que sucedeu na campanha eleitoral americana de 2008, em que tanto Barack Obama como John McCain elegeram a questão das Alterações Climáticas uma prioridade nacional, o assunto praticamente se eclipsou do debate, na corrida à Casa Branca em 2012. Em nenhum dos três frente-a-frente televisivos entre Obama e Romney a questão foi aflorada, não obstante as pesquisas indicarem que essa é uma preocupação cara aos eleitores.
Por ironia, a questão mais silenciada pelos dois candidatos ao longo da campanha, acabou por dominar as atenções, nos EUA e no Mundo, justamente na recta final da disputa eleitoral, por conta da passagem trágica do furacão Sandy pelo país e pelas Caraíbas. A posição de ambos sobre o assunto transformou-se, aliás, num elemento determinante, confessado por muitos eleitores para decidir o voto. Depois de meses a ignorarem a matéria, Obama e Romney foram surpreendidos pela situação e, ao arrepio do que tinham nos planos, viram-se forçados a dar o tudo por tudo com a matéria no comando das acções eleitorais.
A marcha à ré no debate e na acção, todavia, não é de agora e acentua-se desde que a 'agenda verde' de Obama esbarrou nos primeiros obstáculos, logo no início do seu primeiro mandato. Mais: o fervor de consciência ambiental, que Al Gore (Prémio Nobel, dois óscares com "Uma Verdade Inconveniente") teve a capacidade de colocar no topo das urgências mundiais, foi-se diluindo e cedendo à contra-campanha organizada por aqueles que veêm na responsabilização da acção humana sobre a Natureza o obstáculo a uma exploração económica que querem livre e desregulada. Aproveitando o cenário de recessão mundial, cavalgaram a onda da crise financeira e acenaram com o fantasma do desemprego, associaram a defesa do clima a uma perda generalizada de postos de trabalho, capitalizaram o pavor social e foram neutralizando as demandas globais de intervenção em favor do Planeta. 
A demissão e o impasse gerado pelos EUA face ao Protocolo de Kyoto, a sua sistemática recusa num acordo de redução nas emissões de carbono e, por fim, a ausência da Cimeira Rio+20, são apenas os ganchos mais flagrantes do abandono da agenda climática tão obstinadamente defendida por Obama até à eleição de 2008.
A reportagem em baixo ajuda a perceber os tentáculos que minaram a agenda climática nos EUA, pervertendo o debate, mais pela combinação de interesses de circunstância do que através de objecção com fundamento científico, culminando num processo contaminação da opinião, de contornos no mínimo escusos, que atende pelo nome de 'Climategate'. 


Seguem dois artigos de Coral Davenport, correspondente do The National Jornal para as questões da energia e do ambiente: um, publicado no final de Outubro, sobre o silêncio de Obama a respeito da matéria, durante a campanha eleitoral; outro, publicado em Setembro, à data da Convenção Nacional do Partido Republicano, no âmbito das referências críticas e irónicas que o tema das Alterações Climáticas mereceu no discurso de Mitt Romney. Numa dessas intervenções, Romney arrancou gargalhadas à plateia, contrapondo:
”President Obama promised to begin to slow the rise of the oceans. And to heal the planet. My promise is to help you and your family.”

As declarações valeram-lhe a simpatia da ala céptica da sociedade americana, que despreza as preocupações ambientais, mas a vantagem eleitoral que aparentemente renderam acabaram por se voltar contra Romney ainda antes das urnas. A calamidade provocada pelo furacão Sandy recolocou as preocupações climáticas no topo das prioridades dos eleitores. Confrontado com os efeitos reais do problema, o candidato foi obrigado a engolir o desdém de que se vangloriara um mês antes.
A incongruência - entre a ausência de discurso político, o interesse manifesto dos cidadãos e as evidências incontornáveis da realidade - que o Sandy veio expor é de tal forma flagrante que os EUA discutem agora, a poucos dias da eleição, a forma a vitória de um ou outro candidato se pode vir a decidir em torno de uma política para as Alterações Climáticas.

A este respeito, e a par com os dois artigos referidos, vale ainda ler uma entrevista de Coral Davenport ao "Frontline", da PBS, onde ela analisa a inversão abissal do Congresso sobre o assunto e explica que opções políticas ainda estão sobre a mesa, para aqueles que defendem a necessidade de acção urgente neste domínio.

[ENTREVISTA]

In 2008, Obama campaigned pretty actively around the issue of climate change, proposing a cap-and-trade system that would put a ceiling on carbon dioxide emissions. What’s behind his quieter stance this election?

… In this campaign, the public perception has shifted so much. The Republican Party has shifted so far to the right that it has denied the science at all.
Another reason is the biggest issue in this campaign: the economy and jobs. Republicans have sold climate regulation as something that will hurt jobs, that it will probably increase the price of fossil fuels. So within the Obama campaign there’s a sense that [this is a losing battle].
[Obama] campaigned on this aggressive, detailed [cap-and-trade] plan, and they torpedoed it. It passed the House, just barely, and died in the Senate. And in the midterm elections, Republicans campaigned on cap-and-trade to the point where it became politically toxic. …
Part of Obama’s campaign promise was to pass cap-and-trade and use that money for the government to invest heavily in clean energy research; $150 billion was his campaign pledge.
What ended up happening was that in 2009, soon after Obama was elected, Congress passed the stimulus, with $50 billion … to invest in clean energy. The first big solar company to get funds was Solyndra, which later went bankrupt. And so this campaign promise of clean energy spending became politically toxic, it became something [used] to attack the idea of clean energy spending.
Democrats who had supported cap-and-trade retreated. It became fodder for campaign ads. It was portrayed as an energy tax that would hurt the economy. And then a lot of Democrats who supported cap-and-trade ending up losing their jobs [in the midterm elections].

So if cap-and-trade is no longer an option, what options does Obama have to address climate change if he’s re-elected?

He doesn’t have a lot of options. He cannot go back to cap-and-trade; that has no chance of passing.
One thing he could and probably will do is use the EPA [Environmental Protection Agency] to roll out new rules limiting coal-fired power plants that would require coal plants to rein in their pollution of C02 emissions.
It’s very unpopular. He’d probably not want to talk about this on the campaign trail because it could lead to the closure of coal plants in Ohio, Virginia, Colorado and Pennsylvania — all swing states. …

What are the chances Congress would take up the issue, and in what way?

Cap-and-trade is dead, but there is one policy that does have some bipartisan support. It’s kind of a long shot, but it’s a carbon tax. Economists say the most effective way to address the issue is to put a tax on greenhouse emissions. Republicans like the idea in exchange for an end to other taxes they don’t like.
In the next year, Congress is expected to take up a sweeping tax code reform to clean up the tax code and help the federal deficit. So a lot of old tax policies will be on the table.
So if they frame this as not an environmental issue, but as a good tax policy, as part of the mix, as good fiscal policy, that could be one opening in the next year or so that would be tremendous environmental policy that economists say would be the most effective.

What’s Mitt Romney’s campaign stance on climate change?

… Mitt Romney has had several positions on this issue. As a governor, he pushed climate change policies, pushed his government on the issue, promised to close coal plants. In his book, he said he supports this idea of this carbon tax, like McCain.
But when he started running in the Republican primary this year, where he was attacked by those on the right, like Perry, who denied climate change, [Romney] also went to the right and walked back his former views. He’s indicated he’s not sure what causes climate change. In this speech at Republican National Convention, he mocked the issue, telling the crowd: ”President Obama promised to begin to slow the rise of the oceans. And to heal the planet. My promise is to help you and your family.” That was a laugh line.

In Congress, who’s leading on climate change issues? Who isn’t doing anything?

In the Republican-majority House, the chairman of the Energy and Commerce Committee, Fred Upton, is now supposed to undercut climate change, undercut EPA regulations, which is an awkward position for him because for most of his career, he was a real moderate on this issue. He used to say it was a problem. He sponsored legislation to mandate energy-efficient light bulbs with lower emissions.
Within the House, the other big leaders are Darrell Issa, chairman of the House Oversight and Government Reform Committee, charged with leading investigations into the executive branch. He’s made this a big issue. [Congressman] Joe Barton, a Republican from Texas, is known as one of the biggest skeptics. And in the Senate, Jim Inhofe (R-Okla.). They used to be out in the cold. …
As for leaders on the left pushing for change, there’s Henry Waxman (D-Calif.), the ranking Democrat on the House Energy and Commerce Committee, and he was the leading sponsor of House cap-and-trade bill that passed, and which led to a lot of his Democratic colleagues losing their jobs [in the 2010 midterm elections]. He’s the stalwart environmentalist not backing down.

Among Republicans, is there anyone pushing to address climate change?

Outside of Congress, there are a lot of Republicans who are very concerned in the way their party talks about climate change. They’re afraid the Republicans will end up on the wrong side of history, and this view will come back and hurt them badly. So they’re outside the political process having conversations on how to push the issue.
The Energy and Enterprise Initiative is made up of Bob Inglis of South Carolina, who lost his job in part for support of climate change and is working with conservative economist Art Laffer, with the support of Romney adviser Greg Mankiw to push for this idea of the carbon tax.
There is also the Young Conservatives for Energy Reform, a Christian Coalition linked up with [Young Republicans], that fears that the party is morally on the wrong side of the issue.
So there’s a growing conversation of Republicans who aren’t in public office, who are worried, who want to tell Republicans that if they go back to a moderate place on this issue, we will still support them.
But a much more powerful voice is fossil fuel groups and SuperPACs. They haven’t had nearly as much of a voice as the SuperPACs, like Americans for Prosperity, or the coal groups, like the American Coalition for Clean Coal and Electricity, which are spending very heavily to influence the campaign and make sure Republican candidates don’t move on the issue.

Are there economic costs to not addressing the issue? What are the costs for American taxpayers?

The economic costs are adding up. One thing scientists say is that we’re already starting to see increased floods, and so there are increased insurance rates in areas where there are more floods, stronger hurricanes or increased drought.
We had record drought this year, which sent up food prices. So climate change is already starting to have an impact on bottom lines. Former Republican Senator Richard Lugar of Indiana, who lost his Republican primary, said that even if Republicans aren’t going to come to the table [on the issue of climate change], they better be prepared to pay for the results of it, the taxpayer damage. This is going to keep coming and driving up costs. …

How much do voters care about the issue?

It’s interesting because a couple of years ago we saw polls showing that fewer and fewer people were convinced by climate science or believed in climate change.
Now we have extreme droughts, record weather damage, on the taxpayer’s dime, and we’re starting see voters change. [A Pew study released last week] showed that in the last year, an increasing number of Americans say the earth has been getting warmer over the last few decades and that the rise in the earth’s temperature is mostly because of human activity.
This is an issue for independent voters who say that where a candidate stands on climate change change can influence their vote, and they want to see a candidate who will do something on climate change. So that’s a new dynamic that we’re starting in the hump stretch of this election season. Part of it has to do with the extreme weather of this summer, when we saw food prices go up. Extreme drought is something that can be directly tied to climate change. Voters tend to respond to dynamics that are most directly affecting them. It’s fresh in voters’ minds.


e ainda:

Outros documentários:




Obama's Climate-Change Silence
by Coral Davenport

The president is finally talking about global warming again, but his best chance of actually doing something about it may come if he keeps quiet.

Climate change is slowly returning to the campaign conversation. After essentially ignoring the issue all year, President Obama has finally begun to explicitly address the dangers of fossil-fuel emissions warming the atmosphere, a phenomenon that an overwhelming majority of scientists agree will have grave consequences—some of which are already evident in the form of extreme droughts, increased flooding, and more-devastating storms. At an Oct. 11 rally in Miami, Obama said, “And, by the way, my plan will reduce the climate pollution that’s heating our planet. Because climate change is not a hoax … it’s a threat to our children’s future.”

"Sandy forces climate change on US election despite fossil fuel lobby"

por Bill McKibben


Such is Big Energy's hold on DC, neither Obama nor Romney talk about climate change. But Americans are joining the dots
Here's a sentence I wish I hadn't written – it rolled out of my Macbook in May, part of an article for Rolling Stone that quickly went viral:
"Say something so big finally happens (a giant hurricane swamps Manhattan, a megadrought wipes out Midwest agriculture) that even the political power of the industry is inadequate to restrain legislators, who manage to regulate carbon."

I wish I hadn't written it because the first half gives me entirely undeserved credit for prescience: I had no idea both would, in fact, happen in the next six months. And I wish I hadn't written it because now that my bluff's been called, I'm doubting that even Sandy, the largest storm ever, will be enough to make our political class serious aboutclimate change.
Maybe I'm wrong, though. Maybe – just maybe – the arrival of a giant wall of water in the exact middle of the financial and media capital of our home planet will be enough to get this conversation unstuck. Maybe that obscene slick of ocean spreading unnaturally into the tubes and tunnels of the greatest city on earth will shock enough people to change the debate. New York Governor Andrew Cuomo, at a press conference Tuesday afternoon, allowed as how:
"There has been a series of extreme weather incidents. That is not a political statement, that is a factual statement … Anyone who says there's not a dramatic change in weather patterns, I think, is denying reality."

New York Mayor Michael Bloomberg added:
"What is clear is that the storms we've experienced in the last year or so around this country and around the world are much more severe than before."

Truthfully, I think I'd just as soon see statements like that as carefully thought-out endorsements of climate science. It's experience that changes people: the summer's drought left more than half of American counties as federal disaster areas, and meteorologist Jeff Masters estimates Sandy hit 100 million Americans with "extreme weather". Add in the largest forest fires in Colorado and New Mexico, the hottest month in US history, and the completely absurd summer-in-March heatwave that kicked off our year of living sweatily, and you can begin to understand why the percentage of Americans worrying about global warming has spiked sharply this year. Spiked high enough that even a few politicians are willing to speak out.
Not many. The presidential candidates avoided the topic at all their big public forums – except for Romney's Republican national convention joke about how silly it was to try and slow the rise of the oceans (which probably didn't win him many votes on the Jersey Shore this week). Obama did talk climate with MTV last week, but that venue almost defines the issue's fringe status; his other real discussion of it was with Rolling Stone – global warming is, apparently, only for people with earbuds.
They barnstormed through the hottest summer on record, and they didn't seem to notice. One appreciates cool in a president, but there's a limit.
If Sandy, however, begins to give a little opening for discussion, we're unfortunately at the point where we have to force the discussion. After 20 years of inaction, we're so far behind the curve that we've got to raise the bar higher than mere acknowledgement that we've got a problem. We've got to get some action from these guys.
And that, I think, requires a truly crucial set of changes. We need to neutralize the force that's kept them quiet. It's not that our politicians didn't know about climate change: I've watched, for two decades, as the world's best scientists make the annual trek to Capitol Hill to lay out the latest data. It's that, as scary as those charts and graphs were, the fossil fuel industry was scarier still.
As the richest industry on earth, and the biggest political player, the boys from coal and oil and gas have bought one party and terrified the other. Last week – in the very final days of the US election – Chevron smacked down the single largest corporate donation in the Citizens United era,$2.5m to a GOP Super Pac. There's not a congressman who didn't notice, and who didn't think: what if they came after me with ten days to go?
If we're going to change the political equation, we're going to do it by going after the fossil fuel industry. They deserve it. As that Rolling Stone article of mine laid out, they're planning to burn literally five times more carbon than the most conservative government on earth thinks is safe. They've turned into a rogue force.
Which is why 350.org sent out an email blast today, raising money for the Red Cross and raising signatures for a petition to oil execs asking that they stop their campaign donations and spend the money repairing New York instead. And it's why we launch a road show next week. We'll go to 20 cities in 20 nights, trying to spark a movement for divestment from fossil fuel stocks, and a new willingness to stand up to the industry. It starts next Wednesday in Seattle, and we'll do it no matter who wins the White House next Tuesday night.
Because as important as elections are, they're not the biggest battle.

De Lula para Mota Soares


Num momento em que a miséria não pára de aumentar em Portugal e o Governo dá mostras diárias de não saber o que fazer a tantos pobres, fica o conselho do ex-presidente Lula da Silva. De borla: grátis e sem requerer factura alta a nenhuma empresa de consultoria. Simples, assim. Como a resposta: «Espírito de mãe!».
A entrevista é conduzida por Daniel Filmus, e integra uma série documental dedicada aos presidentes da América Latina, co-produzida em 2009, na Argentina, pelo Canal Encuentro e a TV Pública.

Com dedicatória especial ao ministro Pedro Mota Soares e equipa.

Não há democracia sem pleno acesso a informação livre


Na semana passada, João Ubaldo Ribeiro escrevia o seguinte, na sua crónica semanal em O Estado de S.Paulo:
Toda ditadura, sem exceção, tem como prioridade básica o controle da imprensa, a vigilância rigorosa sobre os fatos e opiniões que podem ser conhecidos pelo público. Não há como aceitar o controle da imprensa pelo Estado e muito menos pelo governo. O resto é conversa e interesse contrariado, pois em lugar nenhum existe democracia sem liberdade de imprensa. É a imprensa, apesar de todos os defeitos comuns à condição humana, que serve de olho e boca da coletividade, não pode ser cerceada sem que as liberdades civis também sejam.

Hoje, Ricardo Noblat pega no raciocínio e acrescenta, na sua coluna em O Globo:
Ubaldo esqueceu os governos democráticos. Também eles têm como prioridade básica o controle da imprensa, a vigilância rigorosa sobre os fatos e opiniões que podem ser conhecidos pelo público.
Existe uma diferença vital aí: se necessário, as ditaduras usam a força bruta para subjugar a imprensa. Os governos democráticos se valem de meios não violentos. Ou dissimuladamente não violentos. Mais eficazes na maioria das vezes porque não costumam deixar marcas visíveis.
(...) Liberdade de imprensa não é o direito que têm jornalistas e donos de veículos de comunicação de divulgarem o que quiser. Não é não. Liberdade de imprensa é o direito que você, eu, todos nós temos de saber o que está acontecendo. Sem saber, como tomar decisões que afetarão profundamente a nossa vida e a vida alheia? Ou mesmo decisões banais, mas capazes de nos infringir prejuízos?

São duas reflexões de brasileiros, publicadas num dos lados do Atlântico, e que espelham tanto a experiência jornalística como a realidade brasileira. No caso, ambas têm como pano de fundo as condenações saidas do julgamento do processo Mensalão. Não apenas do ponto de vista das reacções às sentenças que tem provocado, mas também daquilo que lhe deu origem, a saber, o facto da investigação ter sido despoletada por uma série de reportagens publicadas na imprensa.
Este contexto factual preciso é, aliás, a tradução perfeita daquilo para que o Daniel Oliveira alerta, hoje, na outra banda do Atlântico, no texto que publica no Expresso:
Um País em crise e desagregação, com um poder político sem autoridade moral e uma população descrente nas instituições, a ser vendido ao desbarato em negócios pouco transparentes, é terreno fértil para o populismo e para a corrupção. E uma população mal informada é a vítima ideal para os oportunistas da crise. Os que ganham dinheiro com ela e os que esperam com ela ganhar votos.

E propõe um exercício simples:
Imaginem este país informado quase exclusivamente pelo "Correio da Manhã" e sucedâneos. Imaginem um canal de televisão, uma rádio e vários jornais (DN, JN, I, Sol) nas mãos dos homens de negócios próximos da ditadura angolana. Imaginem jornais feitos por meia dúzia de estagiários, impreparados e indefesos perante todas as pressões. Imaginem jornais sem meios para investigar e jornalistas com medo de investigar. Diretores com medo de administradores e administradores com medo de anunciantes e políticos. Imaginem que tudo o que sobra são as notícias encomendadas e as investigações entregues ao domicílio. Não precisam de imaginar. Estamos praticamente lá.

O Brasil teve o seu Mensalão. Portugal arrisca-se a, se for o caso, nem sequer poder aspirar ao seu:
O País discute a corrupção, os abusos, a prepotência. Mas é com a situação dramática em que está a comunicação social que tudo isto pode florescer. Na obscuridade. Não se indignarão os portugueses. Porque não saberão de nada.

Como lembra Ubaldo, «apesar de todos os defeitos comuns à condição humana», a imprensa é «a boca e o olho da colectividade» e, como sublinha o Daniel, «até haver uma alternativa, não há jornalismo sem jornalistas». «Sem jornalismo não há democracia», escreve-se hoje em Portugal. Se a liberdade de imprensa falhar serão «as liberdades civis» que sairão cerceadas, escreveu-se no Brasil, ainda a semana passada. O direito de saber o que acontece é condição de possibilidade para escolher e decidir, diz Noblat, sem eximir a democracia de silenciamentos semelhantes aos da ditadura, mesmo que mais subtis e «invisíveis». Uma vez na ignorância, seremos  - resume o Daniel - «uma ditadura perfeita: todos os direitos democráticos formais garantidos, nenhum instrumento para os usar».
Não obstante os contextos, estas três reflexões assentarão sempre como uma luva nos dois lados do Atlântico e em qualquer outra parte do Mundo, sem que seja sequer necessário alterar-lhes uma vírgula. A razão é simples: a liberdade de informar e ser informado é um direito universal de cidadania, muita para além das contingências do Portugal da Crise e do Brasil do Mensalão. Negá-lo é condição imprescindível à ditadura. Assegurá-lo é exigência primeira em democracia.

* O texto do Daniel pode ser lido na íntegra aqui e os de Ubaldo e Noblat, clicando no link em baixo.

"Cada jornalista despedido é mais um prego no caixão da democracia"

por  Daniel Oliveira

Ontem a Lusa esteve em greve. Os despedimentos põem em causa um serviço público que apenas esta agência noticiosa pode garantir. O País sabe qualquer coisa sobre regiões onde, para além da imprensa local, ninguém tem correspondentes. Depois desta razia a ideia de que "Portugal é Lisboa e o resto é paisagem" estará mais próxima da verdade. Uma parte de Portugal será invisível. Mais: a Lusa é responsável por cerca de 70% das notícias que se publicam em Portugal. O corte em 31% do seu orçamento é uma machadada do Estado na já tão frágil comunicação social portuguesa. E as primeiras vítimas do silenciamento serão seguramente as já isoladas populações do interior.
Na sexta-feira, o "Público" esteve em greve. Em causa está um despedimento colectivo de 43 pessoas e 36 jornalistas que torna virtualmente impossível que ali se continue a fazer um jornal de referência, com uma edição em papel e online. Anteriores despedimentos tiveram já efeitos visíveis na qualidade média do jornal. Com mais este, não é sequer sério pensar que quem fica pode garantir o mínimo de qualidade e de rigor que a profissão exige. Será um enorme passo para a tabloidização definitiva da imprensa portuguesa.
Continua, sem se saber ao certo do que se trata, a falar-se da compra da Controlinveste por um grupo angolano, muito provavelmente próximo do regime de Luanda. "Diário de Notícias", "Jornal de Notícias" e TSF nas mãos de uma ditadura. Como já aconteceu noutros casos, não sabe ao certo quem são estes compradores, o que não deixa de ser preocupante quando falamos da compra de órgãos de comunicação social, que em princípio devem garantir a transparência, não apenas na vida política mas também na vida empresarial.
A RTP vive um clima de incerteza, sempre na iminência de ver um dos seus canais em mãos angolanas. O clima de pressão sente-se. A semana passada, o canal ARTE, que realizava uma reportagem sobre a situação da televisão pública portuguesa, foi impedido pela administração da empresa de entrar nas instalações. Um excelente cartão de visita para quem deve defender a liberdade de informar. Mas é natural que alguém que nunca trabalhou neste ramo e se tem dedicado mais aos finos e às imperiais não perceba a especificidade deste "negócio". E a importância da sua transparência e credibilidade.
Isto são apenas as situações mais visíveis. Na generalidade das redações de jornais, televisões e rádios trabalha-se sem meios, no fio da navalha, à beira do abismo. E todos fazem contas a quanto tempo durará o título que fazem chegar às bancas e a rádio que nós podemos ouvir. A crise profunda da comunicação social, que é internacional e resulta, antes de tudo, do acesso gratuito, via Internet, a informação produzida com custos, agravou-se muito desde 2008. E em Portugal, onde a situação já era mais precária, agravou-se ainda mais desde que a austeridade assentou arraiais. Se as coisas continuarem como estão não sobreviverá quase nenhuma informação que mereça ser lida. Seremos cegos, surdos e mudos.
Nada do que aqui escrevo é específico das empresas de comunicação social. Milhares de empresas vivem situações dramáticas. Os jornalistas não merecem de mim mais solidariedade do que um empregado de balcão, um carpiteiro ou um enfermeiro. Mas as consequências da crise nos media vão muito para além das sociais e económicas. É a democracia que está em perigo. E sem ela não há futuro para nós.
Um País em crise e desagregação, com um poder político sem autoridade moral e uma população descrente nas instituições, a ser vendido ao desbarato em negócios pouco transparentes, é terreno fértil para o populismo e para a corrupção. E uma população mal informada é a vítima ideal para os oportunistas da crise. Os que ganham dinheiro com ela e os que esperam com ela ganhar votos.
Imaginem este país informado quase exclusivamente pelo "Correio da Manhã" e sucedâneos. Imaginem um canal de televisão, uma rádio e vários jornais (DN, JN, I, Sol) nas mãos dos homens de negócios próximos da ditadura angolana. Imaginem jornais feitos por meia dúzia de estagiários, impreparados e indefesos perante todas as pressões. Imaginem jornais sem meios para investigar e jornalistas com medo de investigar. Diretores com medo de administradores e administradores com medo de anunciantes e políticos. Imaginem que tudo o que sobra são as notícias encomendadas e as investigações entregues ao domicílio. Não precisam de imaginar. Estamos praticamente lá.
O País discute a corrupção, os abusos, a prepotência. Mas é com a situação dramática em que está a comunicação social que tudo isto pode florescer. Na obscuridade. Não se indignarão os portugueses. Porque não saberão de nada.
A luta que os jornalistas da Lusa, do "Público" e de outros órgãos de comunicação social estão a travar não é apenas uma luta pelo seu emprego. É uma luta pela democracia. Não é apenas uma luta deles. É nossa. Se a perderem, bem podemos arrumar as botas. É que o Facebook não faz investigações, os blogues não pagam reportagens e os comentários nos sites não têm código deontológico. Até haver uma alternativa, não há jornalismo sem jornalistas. E sem jornalismo não há democracia.
Ninguém pode obrigar homens de negócios a manter jornais, televisões e rádios que são deficitárias. Mas podemos impedir que seja o Estado um dos motores da destruição de um pilar fundamental da democracia. E podemos todos, e não apenas os jornalistas, a começar um debate urgente: como vamos, como comunidade, garantir uma imprensa livre? É que mais do que um negócio, ela é condição para a nossa democracia. Se os homens de negócios não a querem, temos nós todos que encontrar uma solução. Ou aceitar viver na ignorância. Roubados no poder de decidir o nosso futuro, só falta mesmo robarem-nos o poder de saber o que fazem os que decidem o nosso futuro. Seremos então uma ditadura perfeita: todos os direitos democráticos formais garantidos, nenhum instrumento para os usar.

"Portugal-Brasil: separados por uma língua comum ou unidos por uma relação especial?"

por Carlos Fino *

Mais do que preconceito ou estranheza, chega mesmo, por vezes, a haver autêntico desdém pelas coisas portuguesas. Portugal também é responsável por isso. Não é só o Brasil que nos esquece, somos nós que não nos fazemos lembrar.

A realização do Ano de Portugal no Brasil e do Ano do Brasil em Portugal, a decorrer entre 7 de Setembro deste ano e 10 de Junho de 2013, torna oportuna uma reflexão sobre as relações entre os dois países, ainda marcadas, apesar dos enormes progressos dos últimos anos, pelo sentimento de alguma estranheza e distanciamento, que a retórica oficial da fraternidade com base no sangue, na língua e na história comuns, disfarça mal e pouco ou nada contribui para ultrapassar.

Entre a crítica e o esquecimento

Quando, pela primeira vez, entrei para abastecer num posto de gasolina em Brasília, a jovem empregada, notando que havia algo de diferente na minha pronúncia, perguntou, intrigada: "Você fala muito bem português... De onde é que você é?". Falando pausadamente, abrindo e destacando as sílabas para ter a certeza de ser bem compreendido, respondi-lhe com outra questão: "Sendo eu da Europa e falando esta língua, de onde você acha que eu sou?"... Ela revirou os olhos, franziu a testa, reflectiu, e arriscou: "Da França?" Percebendo que errara, ainda tentou uma alternativa: "Argentina?" E mais não ousou. Portugal nem sequer lhe passou pela cabeça, tendo que ser eu a dar-lhe a solução, que para ela não era óbvia.
Dias antes, ao desembarcar do avião ao cabo de dez horas de voo, experimentara aquela sensação, misto de orgulho e conforto (que os ingleses devem sentir um pouco por todo o mundo) de quem vê a sua língua falada noutro continente. Caramba! – Ali estava a minha pátria projectada do outro lado do Atlântico!
Agora, e como que em contraponto, apercebia-me com espanto de uma outra realidade: por norma, Portugal não está no radar do Brasil e o comum dos brasileiros, o chamado Povão, nem sequer relaciona a língua que fala com o país que somos.
Essa foi a primeira de uma série de lições que iria receber sobre as relações luso-brasileiras. Outra foi constatar que os Portugueses não são apenas a grande vítima das anedotas (ainda que bastante menos do que no passado), mas também verdadeiro bombo da festa sempre que se trata de apontar responsáveis pelos males do Brasil. Da burocracia à corrupção e ao nepotismo, da destruição da mata atlântica ao dizimar dos índios, passando pela escravidão e o atraso económico e social, não há grande problema passado ou presente do Brasil que não tenha a sua raiz na colonização portuguesa.
Cultivada nos meios académicos por uma sociologia de inspiração marxista e nacionalista que há muito desconstruiu e destronou a lusofilia de Gilberto Freyre, a ideologia que atribui os males do Brasil aos Portugueses está largamente disseminada entre as elites, cristalizou nos media e passou, por essa via, a integrar o senso comum da população.
Dos inúmeros exemplos que poderia citar, recordo três, ocorridos ao logo do período que vivi no Brasil, que traduzem bem este tipo de atitude.

Petição: "Pelo jornalismo, pela democracia"

Pelo jornalismo, pela democracia

A crise que abala a maioria dos órgãos de informação em Portugal pode parecer aos mais desprevenidos uma mera questão laboral ou mesmo empresarial. Trata-se, contudo, de um problema mais largo e mais profundo, e que, ao afectar um sector estratégico, se reflecte de forma negativa e preocupante na organização da sociedade democrática.
O jornalismo não se resume à produção de notícias e muito menos à reprodução de informações que chegam à redacção. Assenta na verificação e na validação da informação, na atribuição de relevância às fontes e acontecimentos, na fiscalização dos diferentes poderes e na oferta de uma pluralidade de olhares e de pontos de vista que dêem aos cidadãos um conhecimento informado do que é do interesse público, estimulem o debate e o confronto de ideias e permitam a multiplicidade de escolhas que caracteriza as democracias. O exercício destas funções centrais exige competências, recursos, tempo e condições de independência e de autonomia dos jornalistas. E não se pode fazer sem jornalistas ou com redacções reduzidas à sua ínfima expressão.
As lutas a que assistimos num sector afectado por despedimentos colectivos, cortes nos orçamentos de funcionamento e precarização profissional extravasa, pois, fronteiras corporativas.
Sendo global, a crise do sector exige um empenhamento de todos - empresários, profissionais, Estado, cidadãos - na descoberta de soluções.
A redução de efectivos, a precariedade profissional e o desinvestimento nas redacções podem parecer uma solução no curto prazo, mas não vão garantir a sobrevivência das empresas jornalísticas. Conduzem, pelo contrário, a uma perda de rigor, de qualidade e de fiabilidade, que terá como consequência, numa espiral recessiva de cidadania, a desinformação da sociedade, a falta de exigência cívica e um enfraquecimento da democracia.
Porque existe uma componente de serviço público em todo o exercício do jornalismo, privado ou público;
Porque este último, por maioria de razão, não pode ser transformado, como faz a proposta do Governo para o OE de 2013, numa “repartição de activos em função da especialização de diversas áreas de negócios” por parte do “accionista Estado”;
Porque o jornalismo não é apenas mais um serviço entre os muitos que o mercado nos oferece;
Porque o jornalismo é um serviço que está no coração da democracia;
Porque a crise dos média e as medidas erradas e perigosas com que vem sendo combatida ocorrem num tempo de aguda crise nacional, que torna mais imperiosa ainda a função da imprensa;
Porque o jornalismo é um património colectivo;
Os subscritores entendem que a luta das redacções e dos jornalistas, hoje, é uma luta de todos nós, cidadãos.
Por isso nela nos envolvemos.
Por isso manifestamos a nossa solidariedade activa com todos os que, na imprensa escrita e online, na rádio e na televisão, lutando pelo direito à dignidade profissional contra a degradação das condições de trabalho, lutam por um jornalismo independente, plural, exigente e de qualidade, esteio de uma sociedade livre e democrática.
Por isso desafiamos todos os cidadãos a empenhar-se nesta defesa de uma imprensa livre e de qualidade e a colocar os seus esforços e a sua imaginação ao serviço da sua sustentabilidade.

Proponentes 

Adelino Gomes - Jornalista
Agostinho Leite - Lusa
Alexandre Manuel - Jornalista e Professor Universitário
Alfredo Maia - JN (Presidente do Sindicato de Jornalistas)
Ana Cáceres Monteiro - Media Capital
Ana Goulart - Seara Nova
Ana Romeu - RTP
Ana Sofia Fonseca - Expresso
Anabela Fino - Avante
António Granado - RTP; Professor Universitário
António Navarro - Lusa
António Louçã - RTP
Avelino Rodrigues - Jornalista
Camilo Azevedo - RTP
Carla Baptista - Jornalista e Professora Universitária
Catarina Almeida Pereira - Jornal de Negócios
Cecília Malheiro - Lusa
Cesário Borga - Jornalista
Cristina Margato - Expresso
Cristina Martins - Expresso
Daniel Ricardo - Visão
Diana Andringa - Jornalista
Diana Ramos - Correio da Manhã
Elisabete Miranda - Jornal de Negócios
Fernando Correia - Jornalista e Professor Universitário
Filipa Subtil - Professora Universitária
Filipe Silveira - SIC
Filomena Lança - Jornal de Negócios
Francisco Bélard - Jornalista
Frederico Pinheiro - Sol
Hermínia Saraiva - Diário Económico
João Carvalho Pina - Kameraphoto
João d’Espiney - Público
João Paulo Vieira - Visão
Joaquim Fidalgo - Jornalista e Professor Universitário
Joaquim Furtado - Jornalista
Jorge Araújo - Expresso
Jorge Wemans - Jornalista
José Luís Garcia - Docente e Investigador (ICS-UL)
José Luiz Fernandes - Casa da Imprensa
J.-M. Nobre-Correia - Professor Universitário
José M. Paquete de Oliveira - Docente, cronista, ex-provedor do telespectador (RTP)
José Manuel Rosendo - RDP
José Mário Silva - Jornalista freelancer
José Milhazes - SIC / Lusa (Moscovo)
José Rebelo - Professor Universitário e ex-jornalista
José Vitor Malheiros - Cronista, consultor
Leonete Botelho - Público
Liliana Pacheco - Jornalista (investigadora)
Luciana Liederfard - Expresso
Luis Andrade Sá - Lusa (Delegação de Moçambique)
Luis Reis Ribeiro - I
Luísa Meireles - Expresso
Manuel Esteves - Jornal de Negócios
Manuel Menezes - RTP
Manuel Pinto - Professor Universitário
Margarida Metelo - RTP
Margarida Pinto - Lusa
Maria de Deus Rodrigues - Lusa
Maria Flor Pedroso - RDP
Maria José Oliveira - Jornalista
Maria Júlia Fernandes - RTP
Mário Nicolau - Revista C
Martins Morim - A Bola
Miguel Marujo- DN
Miguel Sousa Pinto - Lusa
Mónica Santos - O Jogo
Nuno Aguiar - Jornal de Negócios
Nuno Martins - Lusa
Nuno Pêgas - Lusa
Oscar Mascarenhas - Jornalista
Patrícia Fonseca - Visão
Paulo Pena - Visão
Pedro Caldeira Rodrigues - Lusa
Pedro Manuel Coutinho Diniz de Sousa - Professor Universitário
Pedro Pinheiro - TSF
Pedro Rosa Mendes - Jornalista e escritor
Pedro Sousa Pereira - Lusa
Raquel Martins - Público
Ricardo Alexandre - Antena 1
Rosária Rato - Lusa
Rui Cardoso Martins - Jornalista e escritor
Rui Nunes - Lusa
Rui Peres Jorge - Jornal de Negócios
Rui Zink - Escritor e Professor Universitário
Sandra Monteiro - Le Monde diplomatique (edição portuguesa)
Sara Meireles - Docente Universitária e Investigadora (ESEC-Coimbra)
Sofia Branco - Lusa
Susana Venceslau - Lusa
Tiago Dias - Lusa
Tiago Petinga - Lusa
Tomás Quental - Lusa
Vitor Costa - Lusa

Os signatários: consultar 

# Para ler e assinar: AQUI.


Cf. também:

Educação: a área social em que Portugal mais corta e o Brasil mais aposta

Leio no Diário Económico:

A Educação vai ser a área social com maior corte real de verbas em 2013. Apesar de ainda não ser possível determinar a redução global exacta feita no ministério de Nuno Crato, a verdade é que (...) o corte orçamental da Educação e Ciência é bem superior ao inicialmente estimado. Só no básico e secundário atinge os 703 milhões (menos 11%). No ensino superior, os reitores garantem que haverá também um corte real e ameaçam já com o encerramento de universidades.
(...) Quase metade (47,4%) desta redução de 703 milhões de euros vai ser feita com o corte no investimento da Parque Escolar. Em 2013, a empresa responsável pela requalificação da rede escolar vai ter menos 266,9 milhões. No entanto, o documento revela também a intenção de continuar a reduzir professores, utilizando "critérios exigentes de gestão e racionalização", e fechar escolas, defendendo uma "racionalização da rede de oferta de ensino".

A contrastar com este cenário, ontem mesmo, no Brasil, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara de Deputados aprovou a redacção final do Plano Nacional de Educação (PNE), que prevê que 10% do PIB seja destinado à educação. Só ficou por saber quanto caberá à União, aos Estados e aos municípios investirem. O Governo queria que essa discussão também decorresse na Câmara, mas foi derrotado pela base de apoio e a definição transita agora para o Senado.
É certo que a educação no Brasil está longe de se poder considerar idílica. Basta lembrar a extensão das greves de professores que, por meses, paralisaram escolas e universidades, agitando o país num clamor por condições de trabalho e salários mais justos. Ainda assim! Aliás, seria até interessante imaginar que proporções tomaria a sua luta se, à semelhança do que sucede em Portugal, a classe se debatesse há anos contra sucessivas desconsiderações e penalizações laborais. Como seria igualmente curioso tentar imaginar o que aconteceria em Portugal se os professores ousassem levar por diante uma greve de extensão e duração idêntica à brasileira.
Observando, uma e outra realidade nacional, são inúmeras as diferenças e cada vez mais opostas as opções e políticas educacionais adoptadas. Enquanto em Portugal, por exemplo, se legisla para aumentar o número de alunos por classe, no Brasil, a Comissão do Senado aprovou recentemente um projecto destinado a reduzi-lo. Enquanto em Portugal aumenta assustadoramente o número de estudantes universitários que se vêem obrigados a abandonar os seus cursos por falta de recursos económicos, no Brasil, só em 2011, as matrículas no ensino superior cresceram 5,7%.
Não é à toa que a UNESCO revelou, por estes dias, que 200 milhões de jovens de países em desenvolvimento não completaram ensino primário.

Nesta lógica de números, apostado em transformar o ensino numa máquina de calcular cada vez mais obcecada e desumanizada, é de temer que episódios de insensibilidade chocante, como o que se segue, tendam a multiplicar-se em Portugal.


SIC Notícias - 16.10.2012

Com 20 mil euros de dívidas acumuladas nas cantinas e depois de vários alertas aos pais que não pagam, um agrupamento de escolas em Quarteira decidiu deixar de dar almoço às crianças.
Na reportagem (transmitida, por ironia, em pleno Dia Mundial da Alimentação!), a directora apresenta os argumentos que a levaram a optar pela «medida extrema» de impedir a entrada de uma menina de 5 anos no refeitório, obrigando-a a ficar sem comer até à hora de saída, quando a mãe a veio buscar: dinheiro.

"O lamento de um dinossauro"


Um texto pungente, publicado hoje na secção de opinião da Folha de S. Paulo, escrito por Mário Chimanovitch, um jornalista brasileiro-mestre, de quem a longa carreira, experiência e prémios recebidos falam por si só. Actualmente com 67 anos, e jornalista há 44, escreve:
Desempregado desde 2007, sobrevivendo de cada vez mais raros bicos, sinto que cheguei aos meus limites. A autoestima se esfacela e posso entender porque tantos não resistiram e acabaram sucumbindo ao álcool, às drogas ou, tanto pior, à ideia da própria morte.
Tolo e romântico que sempre fui, imaginava que essa vivência toda, mais tarde, me permitiria ajudar os mais novos a melhorarem o mundo imperfeito que é o campo de colheita dos bons jornalistas. Ledo engano, porém.

A indigna realidade que descreve, retrata na perfeição o que há muito se verifica nas redacções portuguesas. É um retrato de ingratidão, mas sobretudo de irremediável desperdício. Vai mal, toda a classe que despreza os seus mestres e o resultado está à vista, por ventura de uma forma bem mais obscena em Portugal do que no Brasil.
Para ler na íntegra "O lamento de um diossauro", clicando no link em baixo.

Assistindo na TV | Entrevista a Jorge Sampaio

Posted: 14 de out. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , , , 0 comentários



Entrevista de António José Teixeira ao ex-presidente da República Jorge Sampaio, ontem à noite, para o programa 'Portugal 2012' da SIC Notícias.

Para ver ou rever na íntegra.

Ex-vice da Moody's apela a revolução na zona euro

Posted: 11 de out. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , , 0 comentários

"Está na hora de uma revolução na zona euro, o tempo para uma discussão educada terminou. O que está em causa não são um ou dois por cento de crescimento económico no Sul, mas, pelo contrário, a diferença entre um futuro de prosperidade e um de depressão", refere hoje Christopher T. Mahoney, ex-vice presidente da agência de notação Moody's, num artigo intitulado "Southern Europe Must Revolt Against Price Stability", publicado no Project Syndicate. Essa "revolução" deve ser "liderada pela França, Itália e Espanha", com a França à cabeça, e os seus alvos principais são a Alemanha e o Bundesbank. "O tempo é agora, antes que a Espanha e Itália sejam forçadas a capitular à estricnina e ao arsénio da troika", sublinha.
Mahoney é um veterano de Wall Street que saiu de vice-presidente da Moody's em 2007. Considera-se um "libertário do mercado livre".
"Se o Sul continuar a permitir que o Norte administre o remédio envenenado da deflação monetária e da austeridade orçamental, sofrerá, desnecessariamente, anos e anos", adverte Mahoney, para, depois, apelar à "revolução" do Sul.
"A zona euro é uma república multinacional em que cada país, independentemente da sua notação de crédito, pode atuar como um hegemonista. A Alemanha tem apenas dois votos no conselho de governadores do Banco Central Europeu (BCE), não tem controlo e não tem poder de veto. A Alemanha é apenas mais outro membro da união e o Bundesbank apenas mais outra sucursal regional do sistema do euro. O Tratado do BCE não pretendeu ser um pacto de suicídio, e pode ser interpretado de um modo suficientemente aberto para permitir que seja feito o que tem de ser feito. Se o Tribunal Constitucional objetar, então a Alemanha pode sair."
E reforça: "O que advogo é uma rutura pública com o Bundesbank e com os seus satélites ideológicos".
A finalizar, diz: "Talvez seja mais prudente conduzir esta revolta em privado, mas o que acho é que só funciona como ultimato público".

via Expresso

Dia Mundial Contra a Pena de Morte: 5 países são responsáveis por 90% das penas

Posted: 10 de out. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , , 0 comentários

Leio no Expresso:

Assinala-se hoje o Dia Mundial Contra a Pena de Morte, ocasião escolhida pela Amnistia Internacional (AI) para divulgar um relatório cuja principal conclusão é o facto de cinco países - os Estados Unidos, a China, o Irão, o Iraque e a Arábia Saudita - serem responsáveis por 90% das condenações à morte no mundo.
Segundo os dados recolhidos pela AI, mais de 20 mil pessoas encontram-se no corredor da morte em 58 países. A boa notícia é que mais de 140 países aboliram a pena capital, número que vem aumentando todos os anos. A AI sublinha, no entanto, que nem todos os números são conhecidos. Na China, onde milhares de execuções são realizadas anualmente, os dados sobre as condenações à morte são segredo de Estado, pelo que se desconhece a sua real dimensão. Em 2011, terão sido executadas entre quatro mil e oito mil pessoas. (...) Um outro país sobressai pela negativa. Após dois anos sem aplicar a pena de morte, o Japão regressou às execuções no final de março, tendo sido enforcadas sete pessoas desde então. No país, mais de 85% da população apoia a sentença.

Eleições Municipais no Brasil com pouco eco em Portugal

Posted: 8 de out. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , , , , 0 comentários


SIC Notícias - 07.Out.2012

As eleições municipais brasileiras passaram praticamente ao lado dos media portugueses, excepção feita a alguns artigos de jornal e assim mesmo, na maioria dos casos, só no próprio dia da votação e mediante a publicação de matérias de agência. As televisões, por exemplo, só se interessaram pelos fenómenos insólitos do sufrágio.
Uma opção editorial estranha, tendo em conta o elevado número de portugueses a viverem no Brasil e a enorme comunidade brasileira residente em Portugal.

"Esses índios aí"

por António Prata *


Pra que serve o índio? Índio não colabora com o PIB, não contribui com a ciência, não dourará nosso quadro de medalhas nas Olimpíadas e ainda é dono de Bélgicas e Bélgicas de terra improdutiva! Esses folgados deviam era tomar vergonha na cara, botar uma roupa, arrumar um emprego, mudar pra um apartamento de 25 metros quadrados e passar duas horas no trânsito, todo dia, como qualquer ser humano normal, é ou não é?!
Tirando a ironia do apartamento e do trânsito, o discurso acima não é muito diferente do que eu ouvi tantas vezes, na época em que cursava ciências sociais e explicava a algum curioso do que tratava a antropologia.
Lembrei-me dessas pérolas na semana passada, ao ler aqui na Folha a notícia de que uma portaria da Advocacia-Geral da União prevê a possibilidade de o setor público construir em áreas indígenas sem consultar seus habitantes. A ideia, pelo que eu entendi, é que as reservas não sejam reservadas. Genial.
Uma vez perguntaram a um antropólogo "por que os índios precisam de reserva?". Resposta: "porque eles existem". Simples assim. Por existirem, viverem da caça, da pesca, da colheita, de pequenas produções de subsistência - e, diga-se de passagem, por estarem aqui há pelo menos 5.000 anos -, devem ter as partes que lhes cabem entre nossos latifúndios.
Que baita desperdício! - dirá a turma do primeiro parágrafo. Debaixo das terras onde esses pelados estão a comer pitangas há minérios valiosíssimos! Minérios essenciais para a fabricação de celulares, por exemplo. Enquanto eles estão lá, rezando pro grande Deus da mandioca, poderíamos estar diminuindo em 0,001 centavo o preço dos smartphones, permitindo a mais gente tirar fotos de seus cachorros para pôr no Facebook, possibilitando que mais gente desse "like" nas fotos dos cachorros de mais gente, contribuindo, assim, para a grande marcha da civilização - mas esses índios...
Não, não direi que o índio é bom e a gente é ruim, caro leitor, nem acho que um caiapó viva necessariamente melhor do que o morador da Caiowá. Sou feliz com os antibióticos, as séries da HBO, as cervejas artesanais e outras conquistas da civilização. E é justamente a herança iluminista desta civilização à qual pertenço que me obriga a concordar que, se não há uma finalidade última para a existência, tanto faz gastarmos o tempo que nos foi dado vestidos e postando fotos de cachorros no FB ou pelados e cantando para a mandioca. Mais ainda: é essa mesma tradição, cujas grandes criações tanto admiro - de Hamlet ao microchip -, que me faz lamentar o tesouro que desperdiçamos ao menosprezar os quase 240 povos indígenas brasileiros, com suas mais de 800 mil pessoas falando cerca de 180 línguas. Quantas Ilíadas e Gênesis, Medeias e Gilgameshs, quantos belos poemas, cosmogonias e epopeias deixam de fazer parte do rio de nossa cultura por preconceito e ignorância?
Garantir a terra e a sobrevivência desses índios é aumentar a riqueza da experiência humana. A deles e a nossa. E, mesmo que não fosse, mesmo que "esses índios aí" não pudessem trazer nada de bom para nós, ainda mereceriam as reservas. Porque eles existem. Simples assim.

* escritor e colunista do jornal Folha de S.Paulo

05 de Outubro: Celebração da República, com feriado pela última vez e vários incidentes insólitos

Posted: 5 de out. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , , , 0 comentários

fotos de Miguel A. Lopes e José Sena Goulão

Hoje o 05 de Outubro de 1910, data da Implantação da República em Portugal, foi celebrado pela última vez como feriado nacional. Fica para a história não apenas por essa contestada decisão do Governo, mas também pela série de episódios e insólitos de que foi palco: a bandeira portuguesa foi hasteada ao contrário; o discurso de Cavaco foi interrompido pela entrada súbita de uma mulher desesperada que gritava «Alguém tem de começar a gritar»; antes dos convidados saírem, uma outra irrompeu a cantar Fernando Lopes Graça «pela alma de Portugal»; o primeiro-ministro faltou às cerimónias e o número dois da coligação no Governo, o ministro dos Negócios Estrangeiros também; os jardins do Palácio de Belém, que desde 2006 o presidente da República abria às pessoas, desta vez manteve os portões fechados; as comemorações oficiais, que desde 1910 (data da implantação da República) se celebrava na Praça do Município (onde o regime foi proclamado) foi transferida para o interior do Pátio da Galé, num edifício ao lado, e o acesso restringido apenas a convidados; o ex-presidente, Mário Soares, recusou estar presente, pela primeira vez, em sinal de protesto; todos os acessos no entorno dos Paços do Concelho foram vedados à circulação, mantidos desertos e fortemente policiados; uma manifestação de última hora, convocada nas redes sociais para a frente do Parlamento, acabou em confrontos e detenções.

O filme do dia, para ler na íntegra, clicando no link em baixo.

Assistir ao vivo | Congresso Democrático das Alternativas, hoje em Lisboa

A ideia:
Um congresso de cidadãos e cidadãs que, no respeito pela autonomia dos partidos políticos e de outros movimentos e organizações, reúna todos os que sentem a necessidade e têm a vontade de debater e construir em conjunto uma alternativa à política de desastre nacional consagrada no memorando da troika e de convergir na ação política para o verdadeiro resgate democrático de Portugal.


Para acompanhar o Congresso: programafotos e vídeos.

# Site oficial | Facebook