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Sapo mostra relações entre as pessoas mencionadas nos 2,5 milhões de artigos da Lusa

Posted: 15 de nov. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , 0 comentários


O portal Sapo vai disponibilizar uma ferramenta que mostra relações entre pessoas com base no número de vezes que estas foram mencionadas num mesmo artigo ao longo dos 25 anos de produção noticiosa da agência Lusa.
A novidade foi apresentada no arranque da sexta edição do Codebits, um evento para entusiastas da tecnologia que o Sapo organiza desde 2007 e que neste ano conta com 800 participantes reunidos no Pavilhão Atlântico, em Lisboa.
A visualização interactiva das redes de relações entre pessoas (de chefes de Estado a desportistas, passando por artistas, economistas e políticos) foi criada a partir de cerca de 2,5 milhões de artigos da Lusa, correspondentes à totalidade do arquivo da agência, que foi fundada em finais de 1986 (como sucessora da ANOP) e que começou a publicar a 1 de Janeiro de 1987.

Petição: "Pelo jornalismo, pela democracia"

Pelo jornalismo, pela democracia

A crise que abala a maioria dos órgãos de informação em Portugal pode parecer aos mais desprevenidos uma mera questão laboral ou mesmo empresarial. Trata-se, contudo, de um problema mais largo e mais profundo, e que, ao afectar um sector estratégico, se reflecte de forma negativa e preocupante na organização da sociedade democrática.
O jornalismo não se resume à produção de notícias e muito menos à reprodução de informações que chegam à redacção. Assenta na verificação e na validação da informação, na atribuição de relevância às fontes e acontecimentos, na fiscalização dos diferentes poderes e na oferta de uma pluralidade de olhares e de pontos de vista que dêem aos cidadãos um conhecimento informado do que é do interesse público, estimulem o debate e o confronto de ideias e permitam a multiplicidade de escolhas que caracteriza as democracias. O exercício destas funções centrais exige competências, recursos, tempo e condições de independência e de autonomia dos jornalistas. E não se pode fazer sem jornalistas ou com redacções reduzidas à sua ínfima expressão.
As lutas a que assistimos num sector afectado por despedimentos colectivos, cortes nos orçamentos de funcionamento e precarização profissional extravasa, pois, fronteiras corporativas.
Sendo global, a crise do sector exige um empenhamento de todos - empresários, profissionais, Estado, cidadãos - na descoberta de soluções.
A redução de efectivos, a precariedade profissional e o desinvestimento nas redacções podem parecer uma solução no curto prazo, mas não vão garantir a sobrevivência das empresas jornalísticas. Conduzem, pelo contrário, a uma perda de rigor, de qualidade e de fiabilidade, que terá como consequência, numa espiral recessiva de cidadania, a desinformação da sociedade, a falta de exigência cívica e um enfraquecimento da democracia.
Porque existe uma componente de serviço público em todo o exercício do jornalismo, privado ou público;
Porque este último, por maioria de razão, não pode ser transformado, como faz a proposta do Governo para o OE de 2013, numa “repartição de activos em função da especialização de diversas áreas de negócios” por parte do “accionista Estado”;
Porque o jornalismo não é apenas mais um serviço entre os muitos que o mercado nos oferece;
Porque o jornalismo é um serviço que está no coração da democracia;
Porque a crise dos média e as medidas erradas e perigosas com que vem sendo combatida ocorrem num tempo de aguda crise nacional, que torna mais imperiosa ainda a função da imprensa;
Porque o jornalismo é um património colectivo;
Os subscritores entendem que a luta das redacções e dos jornalistas, hoje, é uma luta de todos nós, cidadãos.
Por isso nela nos envolvemos.
Por isso manifestamos a nossa solidariedade activa com todos os que, na imprensa escrita e online, na rádio e na televisão, lutando pelo direito à dignidade profissional contra a degradação das condições de trabalho, lutam por um jornalismo independente, plural, exigente e de qualidade, esteio de uma sociedade livre e democrática.
Por isso desafiamos todos os cidadãos a empenhar-se nesta defesa de uma imprensa livre e de qualidade e a colocar os seus esforços e a sua imaginação ao serviço da sua sustentabilidade.

Proponentes 

Adelino Gomes - Jornalista
Agostinho Leite - Lusa
Alexandre Manuel - Jornalista e Professor Universitário
Alfredo Maia - JN (Presidente do Sindicato de Jornalistas)
Ana Cáceres Monteiro - Media Capital
Ana Goulart - Seara Nova
Ana Romeu - RTP
Ana Sofia Fonseca - Expresso
Anabela Fino - Avante
António Granado - RTP; Professor Universitário
António Navarro - Lusa
António Louçã - RTP
Avelino Rodrigues - Jornalista
Camilo Azevedo - RTP
Carla Baptista - Jornalista e Professora Universitária
Catarina Almeida Pereira - Jornal de Negócios
Cecília Malheiro - Lusa
Cesário Borga - Jornalista
Cristina Margato - Expresso
Cristina Martins - Expresso
Daniel Ricardo - Visão
Diana Andringa - Jornalista
Diana Ramos - Correio da Manhã
Elisabete Miranda - Jornal de Negócios
Fernando Correia - Jornalista e Professor Universitário
Filipa Subtil - Professora Universitária
Filipe Silveira - SIC
Filomena Lança - Jornal de Negócios
Francisco Bélard - Jornalista
Frederico Pinheiro - Sol
Hermínia Saraiva - Diário Económico
João Carvalho Pina - Kameraphoto
João d’Espiney - Público
João Paulo Vieira - Visão
Joaquim Fidalgo - Jornalista e Professor Universitário
Joaquim Furtado - Jornalista
Jorge Araújo - Expresso
Jorge Wemans - Jornalista
José Luís Garcia - Docente e Investigador (ICS-UL)
José Luiz Fernandes - Casa da Imprensa
J.-M. Nobre-Correia - Professor Universitário
José M. Paquete de Oliveira - Docente, cronista, ex-provedor do telespectador (RTP)
José Manuel Rosendo - RDP
José Mário Silva - Jornalista freelancer
José Milhazes - SIC / Lusa (Moscovo)
José Rebelo - Professor Universitário e ex-jornalista
José Vitor Malheiros - Cronista, consultor
Leonete Botelho - Público
Liliana Pacheco - Jornalista (investigadora)
Luciana Liederfard - Expresso
Luis Andrade Sá - Lusa (Delegação de Moçambique)
Luis Reis Ribeiro - I
Luísa Meireles - Expresso
Manuel Esteves - Jornal de Negócios
Manuel Menezes - RTP
Manuel Pinto - Professor Universitário
Margarida Metelo - RTP
Margarida Pinto - Lusa
Maria de Deus Rodrigues - Lusa
Maria Flor Pedroso - RDP
Maria José Oliveira - Jornalista
Maria Júlia Fernandes - RTP
Mário Nicolau - Revista C
Martins Morim - A Bola
Miguel Marujo- DN
Miguel Sousa Pinto - Lusa
Mónica Santos - O Jogo
Nuno Aguiar - Jornal de Negócios
Nuno Martins - Lusa
Nuno Pêgas - Lusa
Oscar Mascarenhas - Jornalista
Patrícia Fonseca - Visão
Paulo Pena - Visão
Pedro Caldeira Rodrigues - Lusa
Pedro Manuel Coutinho Diniz de Sousa - Professor Universitário
Pedro Pinheiro - TSF
Pedro Rosa Mendes - Jornalista e escritor
Pedro Sousa Pereira - Lusa
Raquel Martins - Público
Ricardo Alexandre - Antena 1
Rosária Rato - Lusa
Rui Cardoso Martins - Jornalista e escritor
Rui Nunes - Lusa
Rui Peres Jorge - Jornal de Negócios
Rui Zink - Escritor e Professor Universitário
Sandra Monteiro - Le Monde diplomatique (edição portuguesa)
Sara Meireles - Docente Universitária e Investigadora (ESEC-Coimbra)
Sofia Branco - Lusa
Susana Venceslau - Lusa
Tiago Dias - Lusa
Tiago Petinga - Lusa
Tomás Quental - Lusa
Vitor Costa - Lusa

Os signatários: consultar 

# Para ler e assinar: AQUI.


Cf. também:

Grupo de 20 peritos toma a dianteira para 'tratar' da saúde dos portugueses

Leio no Expresso:

Numa iniciativa inédita, 20 peritos portugueses conhecedores do setor da Saúde nacional vão sentar-se à mesa para tentar encontrar formas para o Estado continuar a dar aos doentes medicamentos inovadores mesmo em tempo de crise. O projeto, Latitude, prolonga-se por três anos e a primeira reunião está marcada para terça-feira. O grupo de reflexão junta nomes como o investigador Sobrinho Simões, o administrador hospitalar Adalberto Campos Fernandes, os deputados Teresa Caeiro e João Semedo, o ex-secretário de Estado da Saúde Óscar Gaspar, entre outros, e é coordenado pela deputada socialista e antiga ministra da Saúde Maria de Belém Roseira. 

A sociedade civil também vai poder dar o seu contributo para a discussão, no sítio na Internet www.iniciativalatitude.org

Começou o debate quinzenal no Parlamento

Posted: 12 de out. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , , 0 comentários


Passos Coelho está face a face com os partidos, 24h depois da versão preliminar do Orçamento de Estado para 2013 ter começado a ser apresentado informalmente à comunicação social e a vazar para a opinião pública.
O tema central é o próximo Conselho Europeu, mas o brutal agravamento das novas medidas de austeridade e o «enorme aumento de impostos» que se confirmam nos planos do Governo estão a dominar a discussão.

# Para acompanhar AO MINUTO: Expresso | Público | DNParlamento Global

[ACTUALIZAÇÃO]

O que fica deste debate: Passos Coelho a escudar-se das interpelações, alegando que o tema era «a Europa» e a não ser capaz de formular uma única ideia nesse âmbito; a evitar abordar abertamente o OE para 2013; a não desmentir nada do que ontem começou a circular; a dar sinais de que vai insistir na dose brutal de austeridade e a assumir no Parlamento, por ventura, a postura mais acossada e agressiva desde que foi eleito. Por várias vezes se riu das críticas que vinham das bancadas e descontrolou-se ao ponto de acusar o PCP de ser «instigador de atitudes de maior violência em Portugal».

Manifestações entre amanhã e segunda em Portugal


Várias manifestações e concentração contra as medidas de austeridade do Governo estão previstas para sábado, domingo e segunda-feira, em várias cidades do país.
O maior número de protestos acontece no sábado, sendo a manifestação cultural em cerca de 20 cidades portugueses a que deve reunir o maior número de pessoas.
Segundo a rede social Facebook, mais de uma dezena de milhar de pessoas já confirmaram a presença para a manifestação cultural, a decorrer na Praça de Espanha, em Lisboa, a partir das 17:00 de sábado, que vai contar com a atuação de mais de trinta artistas e bandas e com a participação de vários agentes do setor, do cinema à dança e ao teatro.
O protesto, que se junta ao apelo "Que se lixe a troika! Queremos as nossas vidas!", estender-se-á a quase vinte cidades de todo o país, nomeadamente ao Porto, para onde está prevista, por exemplo, a atuação dos Clã, a Aveiro, Coimbra, Faro, Braga e Santarém.
Está ainda previsto, no sábado, um protesto de portugueses junto ao consulado de Portugal em Fortaleza, no Brasil.

A manifestação cultural de sábado vai associar-se ao movimento internacional Global Noise, com recursos a tachos e panelas.
Além da capital, o protesto sonoro também se fará ouvir, em simultâneo, em Braga, Porto, Viseu, Coimbra, Aveiro, Caldas da Rainha, Setúbal, Loulé, Faro ou Portimão, mas também um pouco por todo o mundo. A "hora marcada para fazer barulho" é às 17:00 e às 21:00.
No sábado está igualmente prevista, segundo o Facebook, a manifestação "contra as políticas de austeridade -- devolvam-nos a dignidade", em 24 cidades portugueses. Em Lisboa, os manifestantes vão marchar pela Avenida da Liberdade até ao Marquês de Pombal, juntando-se depois ao protesto da Praça de Espanha.
A marcha da CGTP contra o desemprego termina sábado, em Lisboa, com um desfile entre a Praça da Figueira e a Assembleia da República.
Para domingo, vésperas da apresentação do Orçamento do Estado para 2013, na Assembleia da República, estão marcadas duas vigílias junto ao parlamento. Uma delas é convocada no Facebook pelo movimento "ocupar Lisboa", que convida para um almoço em São Bento.
A outra é marcada pelos indignados de Lisboa e tem início às 00:00 de domingo, prolongando-se até às 18:00 de segunda-feira.
Os indignados de Lisboa dizem que vão ficar "pacificamente" em São Bento até à concentração "Cerco a São Bento! Este não é o nosso orçamento", marcada para as 18:00 de segunda-feira.
O Movimento Sem Emprego e a Plataforma 15 de Outubro são alguns dos promotores da concentração para o dia da entrega do Orçamento do Estado.
"Este não é o nosso orçamento pois só trará mais desemprego, desigualdade e miséria. Por isso, no dia da sua entrega, iremos a São Bento dizer que não o queremos! Exigimos que o Governo de Passos Coelho e Paulo Portas se demita!", escreve a Plataforma 15 de Outubro no apelo à participação da concentração "Cerco a São Bento! Este não é o nosso orçamento".


No resto do País, haverá réplicas desta manifestação, todas com início marcado para as 16h00:

Aveiro- Parque Infante D. Pedro
Barreiro - Parque Catarina Eufémia (jardim da estátua)
Beja – Praça da Republica
Braga – Praça da Republica
Bragança – Praça Cavaleiro de Ferreira
Castelo Branco – Largo das Docas
Coimbra – Praça da Republica
Évora – Praça do Giraldo
Faro – Jardim Manuel Bivar
Guarda – Praça Velha
Leiria – Largo da Republica
Loulé - Mercado Municipal
Marinha Grande - Parque da Cerca
Portalegre – Praça da Republica
Porto – Avenida dos Aliados (Marcha até à Praça D. João I e manifestação cultural)
Portimão - Frente Câmara Municipal
Santarém – Jardim da Liberdade

via Agência Lusa

Cf. também: Tachos e panelas saem à rua no sábado

Entretanto, na Grécia: Milhares nas ruas com 'Dia da Raiva' para receber a visita de Merkel

Posted: 9 de out. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , , , 0 comentários


# Livestream: AQUI.

Jornais e revistas brasileiras com dois séculos de história disponíveis na web

Posted: 7 de out. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , 0 comentários

Quem navega pelo portal hemerotecadigital.bn.br, na rede desde julho, já encontra quase 700 títulos de periódicos lançados a partir de 1808 — ano do primeiro jornal brasileiro, o “Correio Braziliense”, editado em Londres — que totalizam cerca de 6 milhões de páginas.
Até o início de 2013, a Hemeroteca Digital Brasileira chegará a seis mil títulos, que não só contam a história da imprensa, do Brasil e do mundo, sob diferentes ângulos e linhas editoriais, como revelam curiosidades do passado. 
— Começamos com a digitalização de grandes coleções, como o “Correio da Manhã”. Agora estamos atacando os periódicos pequenos que duraram um ano, dois anos — explica a coordenadora da Biblioteca Nacional Digital (BNDigital), Angela Monteiro, acrescentando que a meta é colocar no portal, acessível por celulares e tablets, dez milhões de páginas até o começo de 2013. — Serão dez milhões de páginas que as pessoas poderão carregar no bolso.

Assistir ao vivo | Congresso Democrático das Alternativas, hoje em Lisboa

A ideia:
Um congresso de cidadãos e cidadãs que, no respeito pela autonomia dos partidos políticos e de outros movimentos e organizações, reúna todos os que sentem a necessidade e têm a vontade de debater e construir em conjunto uma alternativa à política de desastre nacional consagrada no memorando da troika e de convergir na ação política para o verdadeiro resgate democrático de Portugal.


Para acompanhar o Congresso: programafotos e vídeos.

# Site oficial | Facebook

Assistindo na TV | Debate Mitt Romney vs. Barack Obama

Posted: 4 de out. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , , 0 comentários


Foi o primeiro debate presidencial da corrida às Eleições nos EUA.

# Para VER NA ÍNTEGRA.

Reportagem: 15 pessoas com deficiência passaram a noite em protesto frente ao Parlamento

Posted: 2 de out. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , , 0 comentários




fotos: Helena Colaço Salazar

Várias pessoas em cadeiras de rodas, um homem acamado e um deficiente visual. O cenário frente à escadaria principal da Assembleia da República, em Lisboa, é pouco usual. As 15 pessoas com deficiência que passaram a noite em frente em São Bento garantem que só saem dali quando forem recebidas pelo Governo. Até agora apenas foram ao encontro deles dois deputados do Bloco de Esquerda. 
A vigília de protesto convocada pelo Movimento (d)Eficientes Indignados começou na noite de terça-feira e reuniu mais de 50 pessoas, entre cidadãos portadores de deficiência, familiares e outros apoiantes. Quinze deles optaram mesmo por passar aqui a noite, resistindo ao frio e à humidade com a ajuda de mantas, luvas e camisolas polares que saíram do roupeiro antes do Inverno. E, sobretudo, a força de vontade que os tem levado a não ficarem ainda mais presos à cadeira de rodas ou a outros instrumentos.
Os motivos que movem os manifestantes são diferentes, mas há uma tónica comum: o corte de quatro milhões de euros para apoios técnicos, resumiu Jorge Falcato, 58 anos, arquitecto, dinamizador do protesto e também ele numa cadeira de rodas há mais de 30 anos, depois de ter sido alvejado por um polícia numa manifestação. Isto num orçamento que era de 12 milhões. Antes do anúncio dos 2,5 milhões, o Governo já tinha anunciado que iria repor um milhão – um valor que não descansa os indignados, que se queixam também de ineficiência na distribuição de verbas, que chegam por ficar por utilizar. Em causa estão materiais como fraldas, sondas, seringas, cateteres, aparelhos auditivos, cadeiras de rodas ou instrumentos para uso profissional como computadores, alguns softwares ou carros adaptados.
Na rua vários são os carros que passam e buzinam. Outras pessoas aproximam-se e dão palavras de força. Há quem decida aparecer com pães quentes, pastéis de nata, leite e chá quente, para aquecer os corpos enregelados da noite e que – na maioria dos casos – nem se podem movimentar para aquecer. Esta manhã já passou por ali a actriz Luísa Ortigoso e o actor Miguel Melo. O grupo Homens da Luta - que representou Portugal no Festival da Eurovisão em 2011 - esteve lá ontem. Gel passou mesmo a noite no local e continua lá, solidário e destacando que "é um protesto mais do que justo e com nada de político".
À medida que a manhã avança o sol aperta e há também quem venha oferecer um saco cheio de águas frescas ou ajeitar o chapéu de sol que protege Eduardo Jorge. Aos 50 anos, acamado após um acidente de trabalho aos 29 anos, saiu de Abrantes de táxi para recuperar a "liberdade de comandar a sua vida". Vive com 400 euros por mês e são cada vez mais os pedidos que vê recusados, nomeadamente o acesso a cuidados especializados ou a um computador que lhe permita acompanhar formações e o curso de Acção Social que está a frequentar. Em termos de saúde, diz que os riscos de desenvolver feridas nas pernas e de não ter acesso aos materiais mais apropriados são os mais imediatos. Mas destaca sobretudo a “humilhação” de se ter de expor assim frente ao Parlamento – um local onde ironicamente as barreiras arquitectónicas como os elevados passeios dificultam a chegada e posicionamento dos manifestantes.“Somos todos os dias verdadeiros atletas olímpicos”, resume Maria Sobral, 35 anos, há oito numa cadeira de rodas após um acidente de viação. Tem dois filhos e mesmo depois do acidente conseguiu sempre trabalhar. Até há pouco tempo. O desemprego veio complicar ainda mais a sua vida e diz que nas entrevistas de trabalho sente claramente que a deficiência é motivo de exclusão. “Há animais que são mais bem tratados do que nós”, lamenta, e alerta que alguns dos cortes em materiais de saúde podem sair mais caros ao Estado. No caso de Maria, a necessidade de estar algaliada é permanente, mas as contas obrigam-na a fazer reaproveitamentos que podem prejudicar a sua saúde. “Já fui para o hospital com problemas renais, mas eles acham que assim sai mais barato. Não estranho, se nem descem as escadas para vir ter connosco... As escadas devem grandes para eles [Governo]”.
Manuela Ralha, 45 anos, também há oito numa cadeira de rodas após um acidente de viação, continua a lutar em tribunal para ser indemnizada, o que a impede de aceder a qualquer ajuda. Com quatro filhos, esta antiga professora de dança e música, depende agora da família. Já Madalena Brandão, 29 anos, tetraplégica de nascença, terminou psicologia social e das organizações em 2007 e não conseguiu mais do que um estágio, afirmando mesmo que desde que inclui no seu curriculum a deficiência que tem, nunca mais foi chamada para nenhuma entrevista. É a dificuldade de acesso ao mercado profissional que a move acima de tudo, pois sabe que pode ser “útil” e lamenta ter de “ficar em casa dependente”.
E a Jorge, Eduardo, Maria, e Manuela e Madalena juntam-se muitas outras vozes, algumas com problemas ainda mais específicos como Nelson Portinha, 37 anos e amblíope, que denuncia diferenças na legislação na Madeira que ainda lhe trazem mais dificuldades. É oficial de justiça mas está de baixa há seis meses por no local de trabalho não lhe poderem comprar os aparelhos necessários para desempenhar as suas funções como qualquer outra pessoa.
"Direitos humanos não são regalias", "deficientes são eficientes" e "exigimos dignidade" são algumas das frases nos cartazes. Num deles vê-se o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, a sua mulher Laura, e uma filha sentados numa cadeira de rodas, onde se questiona se nessas condições conseguiria viver com 300 euros por mês. Há também várias frases de apoio de figuras públicas como José Jorge Duarte, Nuno da Câmara Pereira, Sao José Lapa, Simone de Oliveira, Fernanda Freitas, Rui Veloso ou José Luis Peixoto.


[ACTUALIZAÇÃO]
Leio no Público:
O Ministério da Solidariedade e da Segurança Social garante que não recebeu nenhum pedido de reunião por parte do Movimento (d)Eficientes Indignados, que estão desde terça-feira em protesto frente à Assembleia da República, onde 15 passaram a noite. Mas adianta que uma reunião esta manhã com a Associação Portuguesa de Deficientes permitiu aprovar um aumento de 2,5 milhões de euros para ajudas técnicas.
O ministério de Pedro Mota Soares, em comunicado, diz estar “totalmente disponível para qualquer reunião de trabalho que venha a ser solicitada”. Sobre a reunião da manhã desta quarta-feira, dirigida pelo secretário de Estado da Solidariedade e da Segurança Social, Marco António Costa, adianta-se ainda que é possível que o aumento das verbas para ajudas técnicas venha a chegar aos 4,5 milhões de euros até ao final do ano. “Marco António Costa decidiu ainda criar uma Comissão de Acompanhamento das Ajudas Técnicas, por forma a monitorizar e avançar com iniciativas necessárias à correcta execução da mesma. Farão parte desta Comissão representantes do Governo nesta área (Solidariedade, Saúde e Emprego), Associações Deficientes, Instituto de Segurança Social e Instituto Nacional de Reabilitação”, lê-se no comunicado. A comissão tem a primeira reunião já na próxima segunda-feira, dia 8 de Outubro. Será ainda criado pelo Governo um email, para receber em exclusivo as denúncias de cidadãos portadores de deficiência, de eventuais falhas dos serviços.

Vigília contra os cortes nos apoios a pessoas com deficiência


Para juntar a este «racionamento» inqualificável: o corte de 30% nos míseros 12 milhões que o Estado destina ao apoio a cidadãos portadores de deficiência. Em causa estão materiais como fraldas, sondas, medicação e materiais como aparelhos auditivos, cadeiras de rodas ou computadores para uso profissional. O protesto está marcado para hoje.

# Site oficial: Movimento (d)Eficientes Indignados

*

Roubar os deficientes é insultar a dignidade de um País
por Daniel Oliveira

Nos países que se querem civilizados a sociedade organiza-se para garantir aos deficientes, na medida em que isso seja possível, a mesma qualidade de vida, oportunidades de trabalho e direitos que aos restantes cidadãos. E isso implica custos que, como um todo, assumimos.
O que o Estado português garante aos deficientes é muito pouco. Pouco mais de 200 euros de pensão social de invalidez para quem, em grande parte dos casos, tem de gastar muitíssimo mais do que isso para garantir o que aos não deficientes sai de borla: a mobilidade e as capacidades físicas essenciais que para a maioria são tão naturais como respirar. O subsídio de assistência por terceira pessoa - que é dado a quem tenha uma pessoa deficiente a cargo que precise de assistência de pelo menos 30 horas por semana - é de 88 euros. Dá cerca de cinquenta cêntimos por hora. O subsídio mensal vitalício, também para quem tenha uma pessoa deficiente a cargo com mais de 24 anos, para supostamente pagar todas as despesas, é de 177 euros. Na realidade, não estamos a falar de subsídios mas sim de esmolas. Dinheiro que não daria para uma pessoa sem qualquer deficiência sobreviver.

Entretanto, em Espanha: milhares cercam o Parlamento contra a asfixia da austeridade

Posted: 25 de set. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , , , 0 comentários



Para ler na íntegra:  Manifesto "rescatar" la democracia
 # Blog da coordenação do 25-S 'Rodea el Congreso'  | Facebook

Cf. também:

25s BCN | Apoyo ciudadano al 25S | Coordinadora 25s Sevilla | Info25s | Ocupa el Congreso | Ocupa el Congreso -Facebook | Plataforma En Pie | Rodea el Congreso | YoVoy25s