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"Brazilians grow weary of the walking dead"

Posted: 11 de abr. de 2016 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , 0 comentários


Protests are common in Brazil these days. There are those against President Dilma Rousseff, whose members generally sport the green and yellow of the country’s flag, and there are those in favour of the leftist leader, whose supporters dress in the red of her Workers’ party, or PT.
But late last month on Avenida Paulista, an important São Paulo thoroughfare, a new kind of demonstration was seen. Bearing banners declaring “Fora Todos” or “Out with them all”, a group of young people called for the removal of Ms Rousseff and all of Congress through new elections.

The increasingly Byzantine nature of a battle to impeach Ms Rousseff means more and more Brazilians are bound to throw up their hands in confusion and disgust and join the Fora Todos movement.
Indeed, the political scene in Brasília, while often compared to the US television series House of Cards for its complicated political intrigue, is increasingly starting to resemble instead the rival zombie TV series, The Walking Dead.
Through their involvement in corruption or just their cynical opportunism, Brazil’s main political actors are rapidly losing legitimacy in the eyes of a tired electorate.
Take the events of recent weeks as an example. President Rousseff — deeply unpopular, presiding over what is emerging as Brazil’s worst recession in a century and with her party accused of rampant corruption — is facing impeachment for allegedly manipulating the public accounts to window-dress the budget deficit, charges she denies.
In March, her main coalition partner, the centrist PMDB party, the largest grouping in Congress, abandoned the government in preparation for impeachment. Its leader, Michel Temer, is also the vice-president. He would therefore take over as president if Ms Rousseff is impeached, a process that could start as early as this month.
So far so good. Confusing the matter, however, is that the PMDB is also up to its ears in corruption allegations, particularly in relation to a scheme at Petrobras, the state-run oil company. PMDB heavyweight, lower house speaker Eduardo Cunha, is under investigation for stashing money from corruption in Swiss accounts — allegations he denies. Meanwhile, another PMDB leader, Renan Calheiros, the head of the Senate, is accused in another corruption case.

In spite of these allegations, both are presiding over the impeachment — Mr Cunha in the lower house and Mr Calheiros if it reaches the Senate, where the trial of the president would be conducted. Their involvement robs impeachment of some of its legitimacy as many analysts believe they want to enter power to help protect themselves from the investigations.

Mr Temer, so far, has largely stayed out of the corruption investigations. But a Supreme Court judge ruled last month that Congress should consider impeachment proceedings against him too on similar grounds to Ms Rousseff.
To muddy the waters even further, a pro-opposition group then countered with a petition to impeach the judge who ordered the impeachment of Mr Temer, alleging the judge breached the separation of powers by telling Congress what to do.
With everyone being impeached or in danger of impeachment or implicated in corruption, the “Fora Todos” movement is gaining ground. A popular previous presidential candidate, Marina Silva, and newspaper Folha de S.Paulo in an editorial have championed this line.
The problem is that while the idea of a clean-slate approach is attractive, there is no clear constitutional way of calling fresh elections unless Ms Rousseff and Mr Temer are both impeached, have their mandates annulled by the election tribunal, or resign. With both showing no signs of willingly stepping aside, the impasse is unlikely to be resolved quickly.

In the meantime, Brasília’s walking dead politicians are threatening to turn a country that was once among the most vibrant global growth stories into the zombie economy of the emerging world.

via Financial Times

De olho em Vanuatu

Posted: 19 de mar. de 2015 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , 0 comentários

1º canal de TV indígena vai para o ar esta 6ª Feira, na Argentina


crónica do Ariel Palacios

A nova Lei de Mídia abriu brecha para a criação, na Argentina, de um canal de TV indígena. É o primeiro com estas características na história do país. O "Wall Kintun TV" - que significa "olhar circular" no idioma mapuche - começa a funcionar nesta sexta-feira, dia 07, em Bariloche.
A abertura da emissora é consequência do Artigo 37 da nova Lei de Media, que concede aos povos indígenas a autorização directa para a posse e funcionamento de canais de TV e estações de rádio. Acontece, no entanto, que o canal não é comandado pela etnia mapuche de Bariloche, mas pela "Cooperativa de Serviços Audiovisuais Mapuche", composta por 15 jovens que afirmam representar a comunidade.
O canal terá programas infantis, sendo que boa parte da programação não terá nada a ver com os mapuches que é suposto representar. A grelha retransmitirá, aliás, programas do canal estatal cultural Encuentro, entre outros.
Segundo a deputada estadual Rota Liempe, do Partido Unidade Popular, de esquerda, "os povos indígenas estão a ser usados como pretexto para fazer de conta que a lei é cumprida e que os indígenas estão totalmente integrados na sociedade". Também os líderes indígenas sustentam que os canais que o Governo está a distribuir a diversos grupos não representam as etnias existentes, já que mudanças recentes na legislação criam um cenário no qual ONGs compostas por indígenas de várias origens podem ser reconhecidas genericamente como "comunidades indígenas".
Embora seja formalmente "independente", o que é certo é que a Wall Kintun TV vai funcionar no edifício do governo provincial de Rio Negro, em Bariloche, controlado pelos kirchneristas.

"Pedro e os lobos"

por Viriato Soromenho Marques

Há dias, Jean-Claude Juncker, o primeiro--ministro luxemburguês que preside às reuniões dos ministros das Finanças da Zona Euro, afirmava que as regras mais suaves (em prazos e juros) aplicadas à Grécia se aplicariam evidentemente a Portugal. Ontem, contudo, no Parlamento Europeu, os ministros das Finanças da Alemanha e da França, numa espécie de sinistro coro, desaconselharam Portugal a solicitar mais flexibilidade. Juncker falava em nome de um princípio sagrado na construção europeia, o da igualdade de tratamento para Estados em situações idênticas. Os ministros do diretório falam em nome do interesse e da conveniência dos mais fortes. Se havia dúvidas elas ficaram dissipadas. A Grécia só recebeu mais um balão de oxigénio porque Berlim e Paris não quiserem suportar os custos para as suas economias de uma expulsão da Grécia da Zona Euro, neste momento. Contudo, o mais notável é que Schäuble e o seu colega francês usaram, para deitar por baixo as justas expectativas portuguesas, as fantasias espalhadas por Gaspar e Coelho: a) Portugal é muito diferente da Grécia; b) Portugal está à beira de voltar aos mercados financeiros. Como sempre, os mitómanos acabam tolhidos na sua própria trama.

Entre 2000 e 2010, Amazônia perdeu área equivalente à 'Grã-Bretanha', diz estudo

Um estudo inédito realizado em nove países sul-americanos revela que, entre 2000 e 2010, a Amazônia perdeu 240 mil quilómetros quadrados de floresta, 3% de sua área total, o equivalente ao território da Grã-Bretanha.
Coordenado pela Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada (Raisg), que congrega 11 ONGs e institutos de pesquisa regionais, o atlas "Amazônia Sob Pressão" mediu, com base em imagens de satélite, o desmatamento entre 2000 e 2010 em todos os países que abrigam a floresta, além de mapear as principais ameaças ao ambiente e à população local.
"É importante manter em evidência uma visão geral sobre o que está acontecendo na Amazônia", disse Beto Ricardo, coordenador-geral do estudo e membro do ISA (Instituto Socioambiental), uma das principais organizações ambientalistas do Brasil. Ele explica que, embora existam muitos estudos sobre o desmatamento na Amazônia brasileira, ainda não haviam sido feitas avaliações que incorporassem as porções andina e guianense da floresta.
Para o Brasil, acrescenta Ricardo, trata-se de um estudo especialmente importante porque boa parte das cabeceiras dos grandes rios amazônicos que cortam o país estão em nações vizinhas, sobretudo as andinas, como Colômbia e Peru. "O que acontece lá nas nascentes afecta todo mundo aqui rio abaixo", afirmou.
Segundo o levantamento, entre 2000 e 2010, 80,4% do desmatamento da Amazônia ocorreu no Brasil, país que abriga 58,1% da floresta. Dono da segunda maior porção de cobertura florestal, com 13,1%, o Peru foi responsável por 6,2% do desmatamento no período, seguido pela Colômbia, que possui 8% da floresta e desmatou 5%.
A pesquisa mostra, porém, que o ritmo de desflorestamento no Brasil e na maioria dos países sul-americanos tem se reduzido desde 2005. Na última semana, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, anunciou a menor taxa anual de destruição da Amazônia no Brasil desde 1988. Na ocasião, ela afirmou que o país também deverá cumprir a meta de baixar o desmatamento ao limite de 3.925 quilômetros quadrados de floresta ao ano em 2020. Para Ricardo, mesmo que se atinja tal objetivo, esses níveis de desmatamento "resultarão na morte lenta da Amazônia".
O estudo revela ainda que, apesar de ter caído em termos gerais, a taxa de desmatamento tem se mantido estável no Peru e aumentado na Colômbia e na Guiana Francesa.

Estradas transnacionais

Embora aponte para uma redução nos índices de desmatamento, a pesquisa mostra que, se todos os projetos de exploração econômica na região saírem do papel, a Amazônia poderá perder até a metade de sua cobertura florestal.
O estudo considera como principais pressões sofridas pela floresta as estradas, a exploração de petróleo e gás, a mineração, hidrelétricas, focos de calor e o desmatamento.
De acordo com o estudo, a presença de estradas na Amazônia está associada à exploração ilegal de madeira, ao avanço de actividades agropastoris e a grandes projectos de infraestrutura e urbanização.
A Raisg diz que a pressão exercida por estradas na Amazônia aumenta à medida que avança a IIRSA (Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sul-Americana), empreendimento conjunto de governos da região. Parte das iniciativas busca ligar áreas habitadas da Amazônia brasileira a portos no Pacífico, facilitando o escoamento de produtos.
A expansão da pecuária e da produção agrícola, informa a Raisg, também está entre as maiores ameaças à floresta e a seus habitantes. No caso da Amazônia brasileira, 93% das terras exploradas pela agropecuária são ocupadas por fazendas de gado com pastagens onde se cria, em média, 0,9 boi por hectare, quando técnicas intensivas permitem elevar tal proporção a até dez bois por hectare.

Petróleo e mineração

Outras atividades que ameaçam a floresta são a exploração de petróleo e gás e a mineração.
Segundo a Raisg, entre os principais impactos ligados à extracção de petróleo estão a poluição da água e do ar, a contaminação do solo e a destruição de ecossistemas naturais.
A organização avalia que há 327 lotes com potencial de exploração de petróleo e gás em toda a floresta, que ocupam 15% de sua área. Cerca de 80% dos lotes se encontram na Amazônia Andina, onde vive metade dos 385 povos indígenas da região. No Brasil, os lotes ocupam 3% da porção nacional da floresta. O estudo aponta que, no Acre, estão em curso estudos para a exploração de petróleo ou gás em áreas próximas a nove territórios indígenas e seis unidades de conservação.
Já uma porção ainda maior da Amazônia – 21% – é considerada área de interesse para a mineração. Em metade desse território, exploradores aguardam licença para operar, enquanto em 30,8% das terras já existem trabalhos em curso.
A Raisg afirma ainda que, no Brasil, dois factores podem "incentivar" a mineração na Amazônia: a eventual aprovação de um projeto de lei que autorizaria a exploração em terras indígenas e a construção de hidrelétricas em rios da região.
As hidrelétricas, aliás, são apontadas pelo estudo como outra grande ameaça à região. Segundo a entidade, há em toda a Amazônia 171 hidrelétricas em operação ou construção e 246 planejadas ou em estudo.

Panorama

Segundo a Raisg, a Amazônia é habitada por cerca de 33 milhões de pessoas, espalhadas por 1.497 municípios. As maiores porções da floresta se encontram no Brasil (58,1%), Peru (13,1%) e Colômbia (8%), seguidos por Venezuela (6,9%), Bolívia (5,7%), Guiana (2,6%), Suriname (2,4%), Equador (1,7%) e Guiana Francesa (1,5%).
A pesquisa estima que, hoje, 45% da Amazônia é ocupada por terras indígenas (TI) ou áreas nacionais de proteção (ANP). Nesses locais, a Raisg diz que os níveis de desmatamento e outros impactos ambientais são expressivamente menores. "Os resultados apresentados sustentam o importante papel que as ANP e TI vêm cumprindo como desaceleradores ou contentores dos processos de perda de floresta em cada país e na Amazônia em conjunto".

publicado na BBC

Portugal tem 3.ª melhor actuação no combate às alterações climáticas

Posted: 3 de dez. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , 0 comentários

A crise está a ter efeitos positivos no ambiente. Portugal subiu oito lugares no índice sobre desempenho nas alterações climáticas, sendo o 3.º entre 58 países, um comportamento justificado pela crise e pela política energética, informou hoje a Quercus.
Os resultados da análise do CCPI (Climate Change Performance Index) 2013 foram anunciados na Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP18), a decorrer em Doha, no Qatar, até 07 de dezembro e que reúne 194 países.
«Portugal ficou classificado em 6.º lugar (mas os 3 primeiros não foram atribuídos) em termos de melhor desempenho relativamente às políticas na área das alterações climáticas numa classificação a comparar 58 países que, no total, são responsáveis por mais de 90% das emissões de dióxido de carbono associadas à energia", refere a Quercus. Assim, "na prática Portugal é o 3.º melhor país", o melhor lugar de sempre, já que, tal como ano passado, os três primeiros lugares não foram atribuídos pois os peritos responsáveis pela classificação consideraram não haver qualquer país merecedor.
O vice-presidente da Quercus, Francisco Ferreira, que participa na conferência de Doha, afirmou que, "como o relatório salienta, não deixa de ser espantoso que Portugal seja o terceiro país melhor classificado". Falando à agência Lusa, por telefone, o ambientalista avançou que a subida de Portugal do 14.º lugar "surpreende pela positiva, mas também pela negativa". "Conseguimos este lugar muito à custa da crise que nos tem vindo a afetar e que tem levado a que se reduzam muito os consumos energéticos, na eletricidade e no gás, e na parte rodoviária, no gasóleo e na gasolina", explicou. "Temos agora consumos por pessoa relativamente baixos e a tendência é de decréscimo", frisou Francisco Ferreira. O responsável da Quercus referiu também o papel das renováveis, "quer o seu aumento, quer pelo que já representam para o país, [que é] bastante relevante". Por isso, alertou, o Governo "não deve descurar de forma alguma, na sua política climática, os investimentos nesta área".
Para a Quercus, o objetivo é fazer com que fracas emissões se consigam, "acima de tudo, a partir da redução do desperdício, pelas indústrias e pelas pessoas em casa", que evitam gastos devido ao aumento dos preços e à crise, e que "continuarão a manter estes níveis, mas melhorando a sua qualidade de vida, quando a crise for ultrapassada". E isso "só se consegue com uma política proativa de eficiência energética, de preços que promovam a eficiência", disse Francisco Ferreira, realçando que "não se pode perder esta oportunidade".
Portugal partilha os três primeiros lugares com Dinamarca e Suécia, sendo as piores posições ocupadas pelo Canadá, Cazaquistão, Irão e Arábia Saudita. Na União Europeia, a Holanda substitui a Polónia no pior desempenho, enquanto o Brasil tem uma das maiores quedas, ao passar do 7.º para o 33.º lugar, devido à desflorestação. A Índia recuou seis lugares e a China melhorou três, enquanto os EUA subiram nove posições, para o 43.º, devido à crise económica e à redução do uso de carvão.
O índice sobre desempenho nas alterações climáticas (Climate Change Performance Index - CCPI) é da responsabilidade da organização não-governamental de ambiente GermanWatch e da Rede Europeia de Acção Climática, integrada pela Quercus.

via TSF

Desmatamento e código florestal fazem Brasil despencar em ranking do clima


O desmatamento na Amazônia e a política ambiental brasileira levaram o país a cair da 7ª para a 33ª posição no Índice de Proteção do Clima, publicado pela ONG alemã Germanwatch, em parceria com a rede de entidades ambientalistas Clima Action Network Europe. O índice foi divulgado nesta segunda-feira (03/12) durante a Conferência do Clima no Catar.
A listagem, realizada anualmente, avalia os esforços dos 57 maiores emissores de gases do efeito estufa contra as mudanças climáticas. Os dados consideram o período de 2005 a 2010, para os quais há estatísticas disponíveis de todos os países do estudo. O ano de 2011, em que o Brasil registrou o menor índice de desmatamento da história, não foi incluído.
Entre os líderes estão Dinamarca, Suécia e Portugal. Essas nações ocupam, respectivamente, as posições quatro, cinco e seis do ranking. Os três primeiros lugares ficaram vazios, como nos anos anteriores, pelo fato de os autores considerarem que nenhum país tem feito o suficiente para limitar o aquecimento global a menos de 2 graus Celsius.
Portugal ficou em uma boa posição sobretudo por causa da crise econômica, que levou à queda na produção industrial. Mas não só: diferente de outros países em crise, Portugal manteve as políticas ambientais.

Nova Metodologia

Um importante motivo para a queda da posição brasileira foi a mudança na metodologia do estudo, que considera pela primeira vez as emissões provocadas pelo desmatamento florestal. "O Brasil é de longe a principal fonte de tais emissões. Com quase 5 toneladas de CO2 per capita, as emissões do Brasil originadas do desmatamento são mais que o dobro de suas emissões per capita produzidas por combustíveis fósseis", frisa o texto.
Mas a avaliação negativa da política nacional para meio ambiente e do desflorestamento praticado durante o período analisado também contribuíram para a piora no desempenho brasileiro. Segundo o documento, a queda brasileira no ranking também seria "dramática" se o índice já tivesse considerado as emissões devidas ao desmatamento em sua versão anterior. Mesmo nesta hipótese, o Brasil teria perdido 19 posições, caindo não do 7°, mas do 14° para o 33° lugar.
"Particularmente dramática é a queda devido à política nacional", ressalta o estudo. Considerada relativamente boa na edição anterior, ela foi avaliada de forma pessimista desta vez. "Especialistas criticaram, por exemplo, que dois terços de todos os investimentos planejados no setor de elétrico entre 2011 e 2020 se baseiam na extração de petróleo e em grandes e insustentáveis projetos hidrelétricos", destaca o documento. Considerando-se isoladamente o quesito "política climática nacional", o Brasil caiu do 11° melhor desempenho no ano passado para a posição de número 50.
Novo Código Florestal
"Outro tema importante é a discussão do Código Florestal, a qual deveria apoiar e proteger a biodiversidade e a contribuição das florestas como ecossistema, mas, de acordo com nossos especialistas, o projeto do código foi substancialmente enfraquecido no processo legislativo e finalmente vetado pela presidente Dilma Roussef", diz trecho do estudo.
Um ponto positivo ressaltado pela pesquisa são os desenvolvimentos na área de energias renováveis. O índice destaca que o Brasil apresenta projetos promissores na área de energia de baixa emissão de carbono e energias renováveis.

Mais empenho

"O Brasil está entre os países que mais caíram de posições no ranking", comentou Jan Burck, da Germanwatch e um dos autores do estudo, em entrevista à DW Brasil. "Sobretudo por causa das grandes quantidades de floresta desmatadas nos últimos anos" completou. "Entre as grandes economias, o Brasil é tem uma das maiores emissões per capita. O país ainda tem que se empenhar mais para combater o problema e tentar parar o desmatamento", alertou.
A Alemanha caiu da 6ª para a 8ª posição. Os especialistas em clima temem que a transição energética promovida pelo governo alemão e o desenvolvimento de energias renováveis sejam paralisados. "Particularmente no domínio da eficiência energética, a Alemanha tem ainda muito potencial para progredir", disse Jan Burck. Os últimos lugares da lista são ocupados por Arábia Saudita, Irã e Cazaquistão. link

Cf. Brasil cai em ranking de proteção do clima da ONG alemã Germanwatch (07.12.2011)


Brasil não está preparado para os impactos das mudanças climáticas

Especialistas dizem que país não tem planejamento estratégico para minimizar os efeitos em setores como agricultura, energia e migração regional. Pesquisa mostra o Brasil como o 58º em vulnerabilidade."O Brasil não está totalmente preparado para as mudanças climáticas e seus impactos. Os pontos fracos do Brasil estão relacionados à sua infraestrutura e ao fato de ser um país de enorme extensão e com uma grande população pobre", frisa o cientista-chefe do Instituto de Adaptação Global (GAIN, em inglês), Ian Noble. Uma recente pesquisa do instituto mostrou que, no quesito vulnerabilidade, o Brasil está na 58ª posição entre 176 países.

ONU abre conferência de telecomunicações, em meio a receios pela liberdade na Internet

Leio na BBC:

Representantes de 193 governos, incluindo o Brasil, estão reunidos a partir desta segunda-feira no Dubai para discutir normas que padronizem e regulamentem as telecomunicações, em meio a temores de que os resultados afectem a liberdade da Internet.
O Google está entre os principais opositores de possíveis limitações à "internet livre". A União Europeia, por sua vez, defende que o actual sistema de regulação funciona. "Se não está quebrado, não há o que consertar", disseram representantes do bloco.
Já a ONU, organizadora da conferência em Dubai, alega que seu objectivo é apenas "mitigar tais temores" e afirma que é preciso "ampliar o acesso à rede". "A verdade brutal é que a internet permanece sendo em grande parte um privilégio de ricos. Queremos mudar isso", disse Hamadoun Touré, secretário-geral da União Internacional de Telecomunicações (UIT), braço da ONU responsável pelo evento. Na abertura do seminário, Touré declarou que a liberdade da internet "não será coibida ou controlada" e afirmou que o argumento é uma forma "barata" de criticar a conferência.

A propósito dos ataques israelitas à Faixa de Gaza

Posted: 23 de nov. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , , , , 0 comentários


22 de Nov.2012

Owen Jones, jornalista do The Independent, ontem, no programa "BBC Question Time": claríssimo. 
Aliás, tão claro que até o próprio se surpreendeu com os aplausos que o seu comentário repercutiu:
Um espanto que evoca à memória uma observação mais antiga:
«During times of universal deceit, telling the truth becomes a revolutionary act
George Orwell

No painel de debate, além de Owen: Iain Duncan Smith MP, Yvette Cooper MP, Charles Kennedy e Deborah Meaden. Moderação de David Dimbleby. 
# Para assistir na íntegra: AQUI.

Barroso critica governos que querem travar medidas sociais

Posted: 17 de nov. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , , , 0 comentários

Leio no Público:
O presidente da Comissão Europeia (CE), Durão Barroso, criticou hoje, sem os nomear, governos europeus que estão a travar, no debate do próximo orçamento europeu, medidas para apoiar trabalhadores desempregados e combater a pobreza.
“A verdade é que nas negociações actuais sobre o futuro orçamento, há alguns governos na Europa que querem cortar propostas que são essenciais de um ponto de vista de solidariedade social. (...) É isso que explica a indignação que já existe em muitas partes da Europa”, disse.
Entre os programas que estão a ser bloqueados por alguns governos, contam-se medidas para apoiar trabalhadores sem trabalho e sem subsídio de desemprego e para combater a pobreza.

É um facto. E lamentável, sim. Barroso tem razão. Só é pena que as críticas sapienciais que agora tece não venham acompanhadas de um imprescindível mea culpa. Por ter feito vista grossa a uma evidência para a qual muitos alertaram meses e anos a fio. Por ele próprio ter defendido exactamente o oposto até há bem pouco tempo. Por ter sido um dos principais responsáveis e defensores das políticas de austeridade cega prescritas aos países em maiores dificuldades económicas. Por se ter, no caso específico de Portugal, demarcado do sofrimento dos portugueses, referindo-se à situação económica do país com um desdém implacável, quase ameaçador, cobrando sacrifícios e gritando alto e bom som que em lugar de queixas estes deviam expiar a culpa, agradecer a oportunidade concedida pela "ajuda" da troika e sujeitar-se à dureza das condições impostas sem criar problemas.
Se começou a ver a luz, ainda bem. Mais vale tarde do que nunca. Mas a cambalhota, além de ser monumental, não deixa de ser cínica, de uma hipocrisia vira-casacas a que Barroso já nos habituou. Da mesma maneira que largou o cargo de primeiro-ministro às pressas para aceitar um pelouro na Europa e, uma vez lá chegado, passou a ter vergonha da pátria e a fazer de tudo para que se esquecessem que também é português, insurge-se agora de dedo em riste contra os insensíveis sociais com quem tem alinhado e pactuado desde o primeiro momento.

Manifesto defende reaglutinação de forças no Brasil para enfrentar crise mundial

Um grupo brasileiro de forças progressistas e de esquerda está a articular um manifesto de reflexão sobre a crise económica e política mundial, em que exige a reaglutinação de forças no Brasil. A reunião de lançamento desse manifesto deve ocorrer no início de Dezembro, no Rio de Janeiro. Entre os apoiantes da iniciativa estão nomes como Luiz Pinguelli Rosa, Marcio Pochmann, João Pedro Stedile, Samuel Pinheiro Guimarães, Carlos Lessa, Moniz Bandeira e Luiz Carlos Bresser Pereira.
Manifesto na íntegra e artigo do Marco Aurélio Weissheimer, na Carta Maior, para ler clicando no link  em baixo.

As semelhanças entre Mitt Romney e José Serra

Leitura interessante de Flávio Aguiar, na sua coluna desta semana:

Há um interessante paralelo entre a campanha de Mitt Romney nos EUA e as últimas campanhas de José Serra no Brasil. Ambas mostraram-se, de alguma forma, completamente descoladas da realidade, porque seus protagonistas não conseguiram reconhecer que a paisagem política e social de fato mudara, numa mudança que está, portanto, muito além de sua compreensão. Assim mesmo, ambos esses políticos foram capazes de mobilizar milhões de votos, assim como ambos – este foi também o caso de Serra – a ponto de terem com certa a sua vitória, lembrando que no caso brasileiro isso aconteceu tanto agora em 2012 como em 2010.

Cidadãos portugueses endossam "Carta Aberta a Angela Merkel"


Segue o texto, aberto à subscrição de todos: AQUI.
Cara chanceler Merkel,
Antes de mais, gostaríamos de referir que nos dirigimos a si apenas como chanceler da Alemanha. Não votámos em si e não reconhecemos que haja uma chanceler da Europa. Nesse sentido, nós, subscritores e subscritoras desta carta aberta, vimos por este meio escrever-lhe na qualidade de cidadãos e cidadãs. Cidadãos e cidadãs de um país que pretende visitar no próximo dia 12 de Novembro, assim como cidadãos e cidadãs solidários com a situação de todos os países atacados pela austeridade. Pelo carácter da visita anunciada e perante a grave situação económica e social vivida em Portugal, afirmamos que não é bem-vinda. A senhora chanceler deve ser considerada persona non grata em território português porque vem, claramente, interferir nas decisões do Estado Português sem ter sido democraticamente mandatada por quem aqui vive.
Mesmo assim, como o nosso governo há algum tempo deixou de obedecer às leis deste país e à Constituição da República, dirigimos esta carta directamente a si. A presença de vários grandes empresários na sua comitiva é um ultraje. Sob o disfarce de "investimento estrangeiro", a senhora chanceler trará consigo uma série de pessoas que vêm observar as ruínas em que a sua política deixou a economia portuguesa, além da grega, da irlandesa, da italiana e da espanhola. A sua comitiva junta não só quem coagiu o Estado Português, com a conivência do governo, a privatizar o seu património e bens mais preciosos, como potenciais beneficiários desse património e de bens públicos, comprando-os hoje a preço de saldo.
Esta interpelação não pode nem deve ser vista como uma qualquer reivindicação nacionalista ou chauvinista – é uma interpelação que se dirige especificamente a si, enquanto promotora máxima da doutrina neoliberal que está a arruinar a Europa. Tão pouco interpelamos o povo alemão, que tem toda a legitimidade democrática para eleger quem quiser para os seus cargos representativos. No entanto, neste país onde vivemos, o seu nome nunca esteve em nenhuma urna. Não a elegemos. Como tal, não lhe reconhecemos o direito de nos representar e menos ainda de tomar decisões políticas em nosso nome.
E não estamos sozinhos. No próximo dia 14 de Novembro, dois dias depois da sua anunciada visita, erguer-nos-emos com outros povos irmãos numa greve geral que inclui muitos países europeus. Será uma greve contra governos que traíram e traem a confiança depositada neles pelas cidadãs e cidadãos, uma greve contra a austeridade conduzida por eles. Mas não se iluda, senhora chanceler. Também será uma greve contra a austeridade imposta pela troika e por todos aqueles que a pretendem transformar em regime autoritário. Será, portanto, uma greve também contra si. E se saudamos os nossos povos irmãos da Grécia, de Espanha, de Itália, do Chipre e de Malta, saudamos também o povo alemão que sofre connosco. Sabemos bem que o Wirtschaftswunder, o “milagre económico” alemão, foi construído com base em perdões sucessivos da dívida alemã por parte dos seus principais credores. Sabemos que a suposta pujança económica alemã actual é construída à custa de uma brutal repressão salarial que dura há mais de dez anos e da criação massiva de trabalho precário, temporário e mal-remunerado, que aflige boa parte do povo alemão. Isto mostra também qual é a perspectiva que a senhora Merkel tem para a Alemanha.
É plausível que não nos responda. E é provável que o governo português, subserviente, fraco e débil, a receba entre flores e aplausos. Mas a verdade, senhora chanceler, é que a maioria da população portuguesa desaprova cabalmente a forma como este governo, sustentado pela troika e por si, está a destruir o país. Mesmo que escolha um percurso secreto e um aeroporto privado, para não enfrentar manifestações e protestos contra a sua visita, saiba que essas manifestações e protestos ocorrerão em todo o país. E serão protestos contra si e aquilo que representa. A sua comitiva poderá tentar ignorar-nos. A Comissão Europeia, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Central Europeu podem tentar ignorar-nos. Mas somos cada vez mais, senhora Merkel. Aqui e em todos os países. As nossas manifestações e protestos terão cada vez mais força. Cada vez conhecemos melhor a realidade. As histórias que nos contavam nunca bateram certo e agora sabemos serem mentiras descaradas.

Acordámos, senhora Merkel. Seja mal-vinda a Portugal.

Os Subscritores/as

A propósito das eleições nos EUA: algumas notas sobre Obama e a Europa

Posted: 6 de nov. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , 0 comentários


O contraste é gritante. Enquanto a comunicação social europeia analisa ansiosamente a mínima variação nas sondagens sobre a eleição presidencial norte-americana e seguiu minuto a minuto a meteorologia em Nova Iorque, no último debate entre Barack Obama e Mitt Romney a palavra Europa foi pronunciada uma única vez. Os observadores europeus concluíram que a Europa já não tem peso no mundo. É também um sinal de que os Estados Unidos abandonaram uma visão global para se concentrarem naquilo que consideram ser os seus interesses: a economia e o emprego, as relações com a China ou o seu sistema de proteção social.
É sabido que Barack Obama simboliza uma viragem, a de uma América que já não sente afinidades com o Velho Continente. (...) Barack Obama, que geriu as relações transatlânticas por videoconferência, soube estar ao lado dos britânicos e dos franceses durante a intervenção na Líbia, fornecendo o equipamento militar que lhes fazia falta e evitando-lhes, assim, um isolamento humilhante. Mas deixou os europeus quase sozinhos nas negociações sobre as alterações climáticas e contribuiu para fazer perder ao planeta alguns anos preciosos.
Para a Europa, o “Yes, we can” do candidato que, em 2008, juntou milhões de pessoas cheias de esperança, em Berlim, traduziu-se num período de transição sem brilho. Mas os europeus continuam a “votar” Obama. Para um continente pós-histórico, são preferíveis as relações tranquilas do que a ruidosa desordem “bushiana” ou o conservadorismo tão pouco compreensível de Mitt Romney.

via Presseurop (02.11.2012)
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Uma sondagem da Pew [grupo independente de estudos de opinião] publicada em julho de 2008, antes das eleições, revelava que Obama era mais popular na Europa do que em qualquer outro continente, incluindo a América do Norte.
Porque será que os europeus gostam tanto de Obama, se ele lhes deu tão pouco? Muitas das razões iniciais do apoio que lhe prestam ainda se mantêm. Obama continua a não ser George Bush, embora seja discutível por quanto tempo mais esse critério pela negativa se manterá válido. Os europeus não gostam só mais de Obama do que os americanos. Gostam mais dele do que daqueles que eles próprios elegeram. Uma das razões pelas quais Obama é tão popular na Europa reside, em parte, no facto de ele ter surgido num momento em que vários dirigentes políticos europeus se encontravam numa situação especialmente crítica.
(...) Obama é um homem perspicaz, carismático, com boa imagem televisiva e ainda não maculado por escândalos, que representa a perspetiva de triunfo uma forma popular de política eleitoral, liderada por cidadãos inteligentes e preocupados com o bem-estar das pessoas, por oposição a oportunistas, narcisistas e corruptos. É como se a sua capacidade comprovada de enunciar a origem e a dimensão dos problemas tivesse feito com que algumas pessoas não reparassem na sua incapacidade de encontrar uma solução para esses mesmos problemas.
Mas, num certo sentido, a atração anormal da Europa por Obama sempre refletiu tanto os pontos fortes dessa mesma Europa como os seus pontos fracos.(...) As atitudes dos europeus perante Obama dizem-nos mais sobre a Europa do que sobre o Presidente dos EUA. E aquilo que estas dizem sobre uma e o outro não é especialmente notável.

via The Guardian (24.05.2011)
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No início da campanha presidencial, eram os Republicanos que utilizavam a Europa para assustar os eleitores e atingir Obama […]. Agora, os papéis inverteram-se e os Democratas acusam os adversários de “ser como os europeus”, porque os Republicanos propõem a mesma austeridade teutónica que condena a zona euro à recessão e ao desemprego.

via La Stampa (06.06.2012)
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Obama é a favor ou contra a Europa? Não foi ele que se autoproclamou o "primeiro Presidente originário do Pacífico", marcando assim uma viragem no diálogo transatlântico? Que fará no seu segundo mandato? Voltará a reservar à Ásia a sua primeira visita ao estrangeiro, relegando a Europa para segundo plano?
É verdade que Obama começou por colocar o Pacífico à frente da Europa. Mas percebeu quase de imediato que os grandes problemas geopolíticos, da estabilidade da bacia do Mediterrâneo às dificuldades económicas, se jogam na outra margem do Atlântico, a margem onde se situam as raízes étnicas, ideológicas e culturais da América. E o Presidente mudou rapidamente de tom.
(...) Os investimentos diretos dos Estados Unidos na Europa e vice-versa são muito superiores aos da China e do Japão reunidos; as trocas comerciais aumentaram 14%, atingindo os 636 mil milhões de dólares [cerca de €500 mil milhões] em 2011, a economia dos dois blocos transatlânticos gera um volume de negócios de cinco biliões de dólares e dá emprego a 15 milhões de pessoas; a investigação e desenvolvimento dos dois blocos representa 65% do setor, a nível mundial. A economia transatlântica é também 54% da produção mundial e 40% do poder de compra; se metade das barreiras comerciais fossem suprimidas, as trocas poderiam aumentar 200 mil milhões de dólares. Sem falar na solidariedade do Tratado do Atlântico Norte [NATO], uma das maiores alianças da História.

via Il Sole 24 Ore (05.11.2012)
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Barack Obama tomou a iniciativa, em final de 2009, de criar um mini-grupo de contacto que envolve os dirigentes europeus que considera susceptíveis de contribuírem para a resolução dos problemas que enfrenta. Os diplomatas chamam-lhe "Quadrilateral de Chefes de Estado" porque integra quatro países:  Estados Unidos, Reino Unido, França e Alemanha. Por meio de um ecrã, esta "quadrilateral" reúne, em princípio, uma vez por mês para tratar de um largo espectro de processos difíceis, como o Irão, o Afeganistão, o Médio Oriente, o G-20 ou a regulação financeira. 
Obama cresceu no Havai e na Indonésia. O pai, queniano, pertencia à elite africana dos anos 1960 que pretendia emancipar o Sul dos restos decrépitos dos velhos impérios. O avô trabalhava como "boy" em casa de colonos britânicos. Em Harvard, o estudante Obama interessava-se pelo Terceiro Mundo. Na visão global do Presidente norte-americano, há pouca Europa afectiva.
(...) Obama considera que, num mundo em flutuação, a plataforma de valores partilhados com a Europa não necessita de ser permanentemente reforçada. A sua relação com o Velho Continente passa por uma falta de afinidades pessoais, decepção em relação ao empenho europeu no Afeganistão e exercício constante de consolidação, quando a sua Administração se vê a braços com críticas. Prefere delegá-la em Joe Biden, o vice-presidente, ou Hillary Clinton, a secretária de Estado para os Negócios Estrangeiros. Obama gosta de tratar sobretudo com a Rússia, passando por cima da cabeça dos europeus.
A Europa sente-se desconsiderada, mas constitui um ponto de apoio para os Estados Unidos em relação aos grandes desafios. É com ela que Obama conta para reunir países voluntários para efectuarem sanções autónomas contra o Irão. A Europa e os Estados Unidos representam 54% do PIB mundial, contra 16% do grupo dos BRIC (Brasil, Rússia, Índia, China), heterogéneo e dividido.
Após os resultados pouco impressionantes saídos do Tratado de Lisboa, Obama concluiu manifestamente que apenas os grandes Estados europeus estavam em condições de pesar nas questões que lhe importam. A discrição da "quadrilateral" entende-se: não faz grande caso das novas instituições europeias e pode ser vista como a encarnação daquele Ocidente de que Barack Obama gosta de se demarcar para ter mais audiência no resto do mundo. 

via Le Monde (Maio de 2010)
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No El País:

La influencia de EE UU en el mundo por razones políticas, económicas o militares convierte la elección presidencial en un foco de atención al que pocos países pueden escapar. Si la población mundial mira con curiosidad y atención la decisión de los estadounidenses, con mayor motivo los Estados esperan conocer el nombre del vencedor de próximo martes. Sus decisiones políticas, económicas y estratégicas dependerán de si Obama continúa en la Casa Blanca o, por el contrario, es Romney quien sucede al demócrata en el cargo.
En la última semana anterior a los comicios, los corresponsales de El País explicará a los lectores la visión - deseos, expectativas y previsiones - de los Gobiernos y ciudadanos de los países en los que desarrollan su labor profesional frente a unas elecciones que determinarán las relaciones internacionales en los próximos cuatro años.



Cf. também:

Manifesto de intelectuais espanhóis pede federalismo em vez de independência na Catalunha

Posted: 5 de nov. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , 0 comentários

Leio no Público:

Escritores, advogados, políticos de todas as áreas, economistas, cineastas e académicos assinaram um manifesto pelo federalismo e contra o independentismo defendido pelo governo regional da Catalunha liderado por Artur Mas. Entre as centenas de assinaturas do texto divulgado este domingo pelo diário El País estão a do realizador Pedro Almodóvar e a do escritor Mario Vargas Llosa.

Cf.

Tema da redacção do Enem: o "movimento imigratório para o Brasil no séc. XXI"

Posted: 4 de nov. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , , 0 comentários

Emigrantes haitianos no Estado do Acre. foto: Gleisson Miranda
Leio  em O Globo:
O Ministério da Educação divulgou neste domingo que o tema da prova de redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foi "Movimento imigratório para o Brasil no século 21".
Para a professora Vera Lúcia da Costa Antunes, coordenadora de geografia do cursinho Objetivo, de São Paulo, a escolha do tema foi muito boa. "É um tema bem atual", diz.
"O Brasil tem recebido muitos sul-americanos, como bolivianos, paraguaios, uruguaios e até argentinos, que chegam ao nosso país em busca de melhores condições de trabalho. Temos também uma grande presença de haitianos que começaram no Acre e em Manaus e hoje estão em São Paulo." Segundo a professora, o estudante pode também mostrar a migração de pessoas altamente qualificadas para o Brasil que vêm junto com as grandes empresas. "A crise na Europa e nos Estados Unidos fez muita mão-de-obra brasileira voltar." LER NA INTEGRA

Os EUA e a Agenda Climática: urgências, inconveniências e... contingências

"Climate of doubt" via Frontline / PBS

Ao contrário do que sucedeu na campanha eleitoral americana de 2008, em que tanto Barack Obama como John McCain elegeram a questão das Alterações Climáticas uma prioridade nacional, o assunto praticamente se eclipsou do debate, na corrida à Casa Branca em 2012. Em nenhum dos três frente-a-frente televisivos entre Obama e Romney a questão foi aflorada, não obstante as pesquisas indicarem que essa é uma preocupação cara aos eleitores.
Por ironia, a questão mais silenciada pelos dois candidatos ao longo da campanha, acabou por dominar as atenções, nos EUA e no Mundo, justamente na recta final da disputa eleitoral, por conta da passagem trágica do furacão Sandy pelo país e pelas Caraíbas. A posição de ambos sobre o assunto transformou-se, aliás, num elemento determinante, confessado por muitos eleitores para decidir o voto. Depois de meses a ignorarem a matéria, Obama e Romney foram surpreendidos pela situação e, ao arrepio do que tinham nos planos, viram-se forçados a dar o tudo por tudo com a matéria no comando das acções eleitorais.
A marcha à ré no debate e na acção, todavia, não é de agora e acentua-se desde que a 'agenda verde' de Obama esbarrou nos primeiros obstáculos, logo no início do seu primeiro mandato. Mais: o fervor de consciência ambiental, que Al Gore (Prémio Nobel, dois óscares com "Uma Verdade Inconveniente") teve a capacidade de colocar no topo das urgências mundiais, foi-se diluindo e cedendo à contra-campanha organizada por aqueles que veêm na responsabilização da acção humana sobre a Natureza o obstáculo a uma exploração económica que querem livre e desregulada. Aproveitando o cenário de recessão mundial, cavalgaram a onda da crise financeira e acenaram com o fantasma do desemprego, associaram a defesa do clima a uma perda generalizada de postos de trabalho, capitalizaram o pavor social e foram neutralizando as demandas globais de intervenção em favor do Planeta. 
A demissão e o impasse gerado pelos EUA face ao Protocolo de Kyoto, a sua sistemática recusa num acordo de redução nas emissões de carbono e, por fim, a ausência da Cimeira Rio+20, são apenas os ganchos mais flagrantes do abandono da agenda climática tão obstinadamente defendida por Obama até à eleição de 2008.
A reportagem em baixo ajuda a perceber os tentáculos que minaram a agenda climática nos EUA, pervertendo o debate, mais pela combinação de interesses de circunstância do que através de objecção com fundamento científico, culminando num processo contaminação da opinião, de contornos no mínimo escusos, que atende pelo nome de 'Climategate'. 


Seguem dois artigos de Coral Davenport, correspondente do The National Jornal para as questões da energia e do ambiente: um, publicado no final de Outubro, sobre o silêncio de Obama a respeito da matéria, durante a campanha eleitoral; outro, publicado em Setembro, à data da Convenção Nacional do Partido Republicano, no âmbito das referências críticas e irónicas que o tema das Alterações Climáticas mereceu no discurso de Mitt Romney. Numa dessas intervenções, Romney arrancou gargalhadas à plateia, contrapondo:
”President Obama promised to begin to slow the rise of the oceans. And to heal the planet. My promise is to help you and your family.”

As declarações valeram-lhe a simpatia da ala céptica da sociedade americana, que despreza as preocupações ambientais, mas a vantagem eleitoral que aparentemente renderam acabaram por se voltar contra Romney ainda antes das urnas. A calamidade provocada pelo furacão Sandy recolocou as preocupações climáticas no topo das prioridades dos eleitores. Confrontado com os efeitos reais do problema, o candidato foi obrigado a engolir o desdém de que se vangloriara um mês antes.
A incongruência - entre a ausência de discurso político, o interesse manifesto dos cidadãos e as evidências incontornáveis da realidade - que o Sandy veio expor é de tal forma flagrante que os EUA discutem agora, a poucos dias da eleição, a forma a vitória de um ou outro candidato se pode vir a decidir em torno de uma política para as Alterações Climáticas.

A este respeito, e a par com os dois artigos referidos, vale ainda ler uma entrevista de Coral Davenport ao "Frontline", da PBS, onde ela analisa a inversão abissal do Congresso sobre o assunto e explica que opções políticas ainda estão sobre a mesa, para aqueles que defendem a necessidade de acção urgente neste domínio.

[ENTREVISTA]

In 2008, Obama campaigned pretty actively around the issue of climate change, proposing a cap-and-trade system that would put a ceiling on carbon dioxide emissions. What’s behind his quieter stance this election?

… In this campaign, the public perception has shifted so much. The Republican Party has shifted so far to the right that it has denied the science at all.
Another reason is the biggest issue in this campaign: the economy and jobs. Republicans have sold climate regulation as something that will hurt jobs, that it will probably increase the price of fossil fuels. So within the Obama campaign there’s a sense that [this is a losing battle].
[Obama] campaigned on this aggressive, detailed [cap-and-trade] plan, and they torpedoed it. It passed the House, just barely, and died in the Senate. And in the midterm elections, Republicans campaigned on cap-and-trade to the point where it became politically toxic. …
Part of Obama’s campaign promise was to pass cap-and-trade and use that money for the government to invest heavily in clean energy research; $150 billion was his campaign pledge.
What ended up happening was that in 2009, soon after Obama was elected, Congress passed the stimulus, with $50 billion … to invest in clean energy. The first big solar company to get funds was Solyndra, which later went bankrupt. And so this campaign promise of clean energy spending became politically toxic, it became something [used] to attack the idea of clean energy spending.
Democrats who had supported cap-and-trade retreated. It became fodder for campaign ads. It was portrayed as an energy tax that would hurt the economy. And then a lot of Democrats who supported cap-and-trade ending up losing their jobs [in the midterm elections].

So if cap-and-trade is no longer an option, what options does Obama have to address climate change if he’s re-elected?

He doesn’t have a lot of options. He cannot go back to cap-and-trade; that has no chance of passing.
One thing he could and probably will do is use the EPA [Environmental Protection Agency] to roll out new rules limiting coal-fired power plants that would require coal plants to rein in their pollution of C02 emissions.
It’s very unpopular. He’d probably not want to talk about this on the campaign trail because it could lead to the closure of coal plants in Ohio, Virginia, Colorado and Pennsylvania — all swing states. …

What are the chances Congress would take up the issue, and in what way?

Cap-and-trade is dead, but there is one policy that does have some bipartisan support. It’s kind of a long shot, but it’s a carbon tax. Economists say the most effective way to address the issue is to put a tax on greenhouse emissions. Republicans like the idea in exchange for an end to other taxes they don’t like.
In the next year, Congress is expected to take up a sweeping tax code reform to clean up the tax code and help the federal deficit. So a lot of old tax policies will be on the table.
So if they frame this as not an environmental issue, but as a good tax policy, as part of the mix, as good fiscal policy, that could be one opening in the next year or so that would be tremendous environmental policy that economists say would be the most effective.

What’s Mitt Romney’s campaign stance on climate change?

… Mitt Romney has had several positions on this issue. As a governor, he pushed climate change policies, pushed his government on the issue, promised to close coal plants. In his book, he said he supports this idea of this carbon tax, like McCain.
But when he started running in the Republican primary this year, where he was attacked by those on the right, like Perry, who denied climate change, [Romney] also went to the right and walked back his former views. He’s indicated he’s not sure what causes climate change. In this speech at Republican National Convention, he mocked the issue, telling the crowd: ”President Obama promised to begin to slow the rise of the oceans. And to heal the planet. My promise is to help you and your family.” That was a laugh line.

In Congress, who’s leading on climate change issues? Who isn’t doing anything?

In the Republican-majority House, the chairman of the Energy and Commerce Committee, Fred Upton, is now supposed to undercut climate change, undercut EPA regulations, which is an awkward position for him because for most of his career, he was a real moderate on this issue. He used to say it was a problem. He sponsored legislation to mandate energy-efficient light bulbs with lower emissions.
Within the House, the other big leaders are Darrell Issa, chairman of the House Oversight and Government Reform Committee, charged with leading investigations into the executive branch. He’s made this a big issue. [Congressman] Joe Barton, a Republican from Texas, is known as one of the biggest skeptics. And in the Senate, Jim Inhofe (R-Okla.). They used to be out in the cold. …
As for leaders on the left pushing for change, there’s Henry Waxman (D-Calif.), the ranking Democrat on the House Energy and Commerce Committee, and he was the leading sponsor of House cap-and-trade bill that passed, and which led to a lot of his Democratic colleagues losing their jobs [in the 2010 midterm elections]. He’s the stalwart environmentalist not backing down.

Among Republicans, is there anyone pushing to address climate change?

Outside of Congress, there are a lot of Republicans who are very concerned in the way their party talks about climate change. They’re afraid the Republicans will end up on the wrong side of history, and this view will come back and hurt them badly. So they’re outside the political process having conversations on how to push the issue.
The Energy and Enterprise Initiative is made up of Bob Inglis of South Carolina, who lost his job in part for support of climate change and is working with conservative economist Art Laffer, with the support of Romney adviser Greg Mankiw to push for this idea of the carbon tax.
There is also the Young Conservatives for Energy Reform, a Christian Coalition linked up with [Young Republicans], that fears that the party is morally on the wrong side of the issue.
So there’s a growing conversation of Republicans who aren’t in public office, who are worried, who want to tell Republicans that if they go back to a moderate place on this issue, we will still support them.
But a much more powerful voice is fossil fuel groups and SuperPACs. They haven’t had nearly as much of a voice as the SuperPACs, like Americans for Prosperity, or the coal groups, like the American Coalition for Clean Coal and Electricity, which are spending very heavily to influence the campaign and make sure Republican candidates don’t move on the issue.

Are there economic costs to not addressing the issue? What are the costs for American taxpayers?

The economic costs are adding up. One thing scientists say is that we’re already starting to see increased floods, and so there are increased insurance rates in areas where there are more floods, stronger hurricanes or increased drought.
We had record drought this year, which sent up food prices. So climate change is already starting to have an impact on bottom lines. Former Republican Senator Richard Lugar of Indiana, who lost his Republican primary, said that even if Republicans aren’t going to come to the table [on the issue of climate change], they better be prepared to pay for the results of it, the taxpayer damage. This is going to keep coming and driving up costs. …

How much do voters care about the issue?

It’s interesting because a couple of years ago we saw polls showing that fewer and fewer people were convinced by climate science or believed in climate change.
Now we have extreme droughts, record weather damage, on the taxpayer’s dime, and we’re starting see voters change. [A Pew study released last week] showed that in the last year, an increasing number of Americans say the earth has been getting warmer over the last few decades and that the rise in the earth’s temperature is mostly because of human activity.
This is an issue for independent voters who say that where a candidate stands on climate change change can influence their vote, and they want to see a candidate who will do something on climate change. So that’s a new dynamic that we’re starting in the hump stretch of this election season. Part of it has to do with the extreme weather of this summer, when we saw food prices go up. Extreme drought is something that can be directly tied to climate change. Voters tend to respond to dynamics that are most directly affecting them. It’s fresh in voters’ minds.


e ainda:

Outros documentários:




Obama's Climate-Change Silence
by Coral Davenport

The president is finally talking about global warming again, but his best chance of actually doing something about it may come if he keeps quiet.

Climate change is slowly returning to the campaign conversation. After essentially ignoring the issue all year, President Obama has finally begun to explicitly address the dangers of fossil-fuel emissions warming the atmosphere, a phenomenon that an overwhelming majority of scientists agree will have grave consequences—some of which are already evident in the form of extreme droughts, increased flooding, and more-devastating storms. At an Oct. 11 rally in Miami, Obama said, “And, by the way, my plan will reduce the climate pollution that’s heating our planet. Because climate change is not a hoax … it’s a threat to our children’s future.”

Entrevista a Pedro Matos: um outro olhar sobre as gentes de Darfur

Para Pedro Matos, o autor destas fantásticas fotos, claro que é. Sabe que à partida é no mínimo desconcertante associar uma região do Mundo assolada pela guerra, pela fome e pela miséria ao estilo de roupas aí usadas, mas sabe também que isso pode levar a novas e sábias reflexões. Durante os três anos em que lá viveu a trabalhar na ajuda humanitária, decidiu que cartografar o “look” do Darfur era outra maneira de contribuir no terreno.

Que fazias no Darfur? Como foste lá parar?
Bem, na verdade a minha formação não tem muito a ver com o que faço agora. sou engenheiro do território pelo Técnico, mas trabalho com o Programa Alimentar Mundial nas operações de distribuição de comida. Neste momento estou a desenvolver um sistema de identificação nos dois grandes campos de refugiados do Quénia – Kakuma e Dadaab, com quase 600 mil pessoas – usando impressões digitais para garantir que só as pessoas que precisam mesmo de comida é que conseguem vir recebê-la. Operações humanitárias de grande escala são sempre um jogo do gato e do rato entre a ONU a tentar chegar a quem precisa e alguma gente pelo caminho que se tenta aproveitar do sistema.
Fui parar ao Darfur chateando muito as pessoas que lá trabalhavam. Mandei “mails”e telefonei durante mais de dois anos, até que finalmente me ofereceram trabalho, para fazer uma coisa muito específica – mapas. Depois de lá estar, foi mais fácil aprender outras partes da operação humanitária e começar a trabalhar onde queria, nos campos e na distribuição de comida.
Sendo o  termo sartorialist conotado com aquele que se interessa pelo corte ou apresentação das roupas, como te surgiu a ligação de um termo aparentemente tão mundano com o Darfur?
De facto, as palavras Darfur e Sartorialist não parecem ter muito a ver, e não é suposto assentarem muito bem uma ao lado da outra. A ideia foi de facto essa, a de que, após o choque inicial, as fotos nos levem a pensar se a imagem que temos do Darfur, da guerra, dos muçulmanos, de mulheres sem liberdade, é correcta. A realidade dos países distantes encerra sempre uma complexidade que se perde quando assimilamos povos inteiros a uma ideia. Dos espanhóis sabemos que são um povo diverso composto por castelhanos, bascos, catalães, uma realidade complexa. Mas quanto mais distante é o país, mais simples é a narrativa e a nossa percepção desses povos. Afeganistão, Somália, Sudão, todos estes países parecem ser descritos de forma muito simples quando vistos de longe, quando na verdade encerram imensos paradoxos. No caso do Darfur, espero que estas fotos mostrem um lado que não estamos habituados a ver, mulheres muçulmanas vestidas de forma arrojada e com olhares marotos e homens islâmicos com expressões carinhosas.
Que te inspirava mais no visual das pessoas do Darfur? Como é que se decide que esta é uma bela foto?
A coisa que mais me impressionou foi a imaginação com que as mulheres combinam as cores. Entre o xaile o vestido ou teub (vários metros de pano enrolados à volta do corpo) e a roupa que vestem por baixo para cobrir o corpo, as possibilidades de coordenação são inúmeras e é quase impossível encontrar duas mulheres vestidas de igual. E muitas das restrições que nos auto-impomos no Ocidente não existem. Existem outras restrições, claro, mas é por exemplo normal vermos mulheres de 80 anos vestidas de cor de laranja ou verde-alface. E enquanto em muitas partes de África isso é usual, nos países islâmicos é bastante menos comum as mulheres poderem exprimir-se de forma tão exuberante.
Sobre como decidir o que é uma bela foto…. as que chegaram ao Facebook e à exposição são o sumo de muitas centenas de fotos, e como fotografar não é o meu trabalho, perdi muitas fotos incríveis por não ter a máquina à mão. Mas o objectivo era mostrar uma África islâmica que não estamos habituados a ver, e espero que as fotos reflictam essa realidade
Já tinhas esse gosto pelo sartorialism ou desenvolveste-o no terreno? E a técnica fotográfica, já vinha de trás ou é algo de novo?
É uma coisa curiosa, eu não sou mesmo nada “fashionista” e visto-me até de forma bastante deplorável… Mas a surpresa que tive com as roupas dos darfuris levou-me a querer partilhá-la com mais gente. A técnica não é nada de especial. Como a grande maioria das fotos foi tirada enquanto fazia o meu trabalho nos campos de deslocados, quase nunca tinha tempo para as enquadrar convenientemente ou conseguir a melhor luz. Mas acho que as fotos valem essencialmente pelas pessoas e expressões que mostram, e decidi que devia partilhá-las.
Como reagiam as pessoas à ideia? 
Eu conheço a maior parte das pessoas das fotos. Trabalhava com elas ou via-as todos os dias nos campos. Daí que muitas das expressões tenham uma intimidade que muitas vezes os fotojornalistas que viajam em trabalho não conseguem apanhar. Algumas das mulheres dos campos de deslocados, vindas das zonas rurais do Darfur e por isso mais recatadas, por vezes tinham pudor em que as fotografasse. Nesses casos não tirava fotos. Curiosamente, se começasse por fotografar as crianças, eram elas, as mães, a pedirem-me que as fotografasse!
Por onde é que já viajou o projecto? Como é que é recebido?
Há uma página no Facebook onde aparece uma imagem nova a cada dia. O Darfur Sartorialist também já andou como exposição pelo Bar 49 da ZDB, no Bairro Alto, pela Livraria Ler Devagar, da LX Factory, e pelo Festival Músicas do Mundo de Sines. As fotos têm sido recebidas com alguma surpresa, porque estas pessoas não correspondem nem à imagem do Darfur que temos, nem à da mulher muçulmana. A associação entre Darfur e moda também deixa algumas pessoas desconfortáveis, mas espero que, após a surpresa inicial, esse desconforto dê lugar a uma reflexão sobre se as ideias que temos sobre certas zonas do Mundo é a mais correcta e se os media fazem o papel que deveriam fazer, o de nos mostrarem o Mundo em todas as suas dimensões.
publicado na Rua de Baixo (edição Nº85, Outubro, 2012)

"Sandy forces climate change on US election despite fossil fuel lobby"

por Bill McKibben


Such is Big Energy's hold on DC, neither Obama nor Romney talk about climate change. But Americans are joining the dots
Here's a sentence I wish I hadn't written – it rolled out of my Macbook in May, part of an article for Rolling Stone that quickly went viral:
"Say something so big finally happens (a giant hurricane swamps Manhattan, a megadrought wipes out Midwest agriculture) that even the political power of the industry is inadequate to restrain legislators, who manage to regulate carbon."

I wish I hadn't written it because the first half gives me entirely undeserved credit for prescience: I had no idea both would, in fact, happen in the next six months. And I wish I hadn't written it because now that my bluff's been called, I'm doubting that even Sandy, the largest storm ever, will be enough to make our political class serious aboutclimate change.
Maybe I'm wrong, though. Maybe – just maybe – the arrival of a giant wall of water in the exact middle of the financial and media capital of our home planet will be enough to get this conversation unstuck. Maybe that obscene slick of ocean spreading unnaturally into the tubes and tunnels of the greatest city on earth will shock enough people to change the debate. New York Governor Andrew Cuomo, at a press conference Tuesday afternoon, allowed as how:
"There has been a series of extreme weather incidents. That is not a political statement, that is a factual statement … Anyone who says there's not a dramatic change in weather patterns, I think, is denying reality."

New York Mayor Michael Bloomberg added:
"What is clear is that the storms we've experienced in the last year or so around this country and around the world are much more severe than before."

Truthfully, I think I'd just as soon see statements like that as carefully thought-out endorsements of climate science. It's experience that changes people: the summer's drought left more than half of American counties as federal disaster areas, and meteorologist Jeff Masters estimates Sandy hit 100 million Americans with "extreme weather". Add in the largest forest fires in Colorado and New Mexico, the hottest month in US history, and the completely absurd summer-in-March heatwave that kicked off our year of living sweatily, and you can begin to understand why the percentage of Americans worrying about global warming has spiked sharply this year. Spiked high enough that even a few politicians are willing to speak out.
Not many. The presidential candidates avoided the topic at all their big public forums – except for Romney's Republican national convention joke about how silly it was to try and slow the rise of the oceans (which probably didn't win him many votes on the Jersey Shore this week). Obama did talk climate with MTV last week, but that venue almost defines the issue's fringe status; his other real discussion of it was with Rolling Stone – global warming is, apparently, only for people with earbuds.
They barnstormed through the hottest summer on record, and they didn't seem to notice. One appreciates cool in a president, but there's a limit.
If Sandy, however, begins to give a little opening for discussion, we're unfortunately at the point where we have to force the discussion. After 20 years of inaction, we're so far behind the curve that we've got to raise the bar higher than mere acknowledgement that we've got a problem. We've got to get some action from these guys.
And that, I think, requires a truly crucial set of changes. We need to neutralize the force that's kept them quiet. It's not that our politicians didn't know about climate change: I've watched, for two decades, as the world's best scientists make the annual trek to Capitol Hill to lay out the latest data. It's that, as scary as those charts and graphs were, the fossil fuel industry was scarier still.
As the richest industry on earth, and the biggest political player, the boys from coal and oil and gas have bought one party and terrified the other. Last week – in the very final days of the US election – Chevron smacked down the single largest corporate donation in the Citizens United era,$2.5m to a GOP Super Pac. There's not a congressman who didn't notice, and who didn't think: what if they came after me with ten days to go?
If we're going to change the political equation, we're going to do it by going after the fossil fuel industry. They deserve it. As that Rolling Stone article of mine laid out, they're planning to burn literally five times more carbon than the most conservative government on earth thinks is safe. They've turned into a rogue force.
Which is why 350.org sent out an email blast today, raising money for the Red Cross and raising signatures for a petition to oil execs asking that they stop their campaign donations and spend the money repairing New York instead. And it's why we launch a road show next week. We'll go to 20 cities in 20 nights, trying to spark a movement for divestment from fossil fuel stocks, and a new willingness to stand up to the industry. It starts next Wednesday in Seattle, and we'll do it no matter who wins the White House next Tuesday night.
Because as important as elections are, they're not the biggest battle.

O super-furacão Sandy e a questão da Alteração Climática

por Mark Fischetti


If you’ve followed the U.S. news and weather in the past 24 hours you have no doubt run across a journalist or blogger explaining why it’s difficult to say that climate change could be causing big storms like Sandy. Well, no doubt here: it is.

The hedge expressed by journalists is that many variables go into creating a big storm, so the size of Hurricane Sandy, or any specific storm, cannot be attributed to climate change. That’s true, and it’s based on good science. However, that statement does not mean that we cannot say that climate change is making storms bigger. It is doing just that—a statement also based on good science, and one that the insurance industry is embracing, by the way. (Huh? More on that in a moment.)

Scientists have long taken a similarly cautious stance, but more are starting to drop the caveat and link climate change directly to intense storms and other extreme weather events, such as the warm 2012 winter in the eastern U.S. and the frigid one in Europe at the same time. They are emboldened because researchers have gotten very good in the past decade at determining what affects the variables that create big storms. Hurricane Sandy got large because it wandered north along the U.S. coast, where ocean water is still warm this time of year, pumping energy into the swirling system. But it got even larger when a cold Jet Stream made a sharp dip southward from Canada down into the eastern U.S. The cold air, positioned against warm Atlantic air, added energy to the atmosphere and therefore to Sandy, just as it moved into that region, expanding the storm even further.

Here’s where climate change comes in. The atmospheric pattern that sent the Jet Stream south is colloquially known as a “blocking high”—a big pressure center stuck over the very northern Atlantic Ocean and southern Arctic Ocean. And what led to that? A climate phenomenon called the North Atlantic Oscillation (NAO)—essentially, the state of atmospheric pressure in that region. This state can be positive or negative, and it had changed from positive to negative two weeks before Sandy arrived. The climate kicker? Recent research by Charles Greene at Cornell University and other climate scientists has shown that as more Arctic sea ice melts in the summer—because of global warming—the NAO is more likely to be negative during the autumn and winter. A negative NAO makes the Jet Stream more likely to move in a big, wavy pattern across the U.S., Canada and the Atlantic, causing the kind of big southward dip that occurred during Sandy.

Climate change amps up other basic factors that contribute to big storms. For example, the oceans have warmed, providing more energy for storms. And the Earth’s atmosphere has warmed, so it retains more moisture, which is drawn into storms and is then dumped on us.

These changes contribute to all sorts of extreme weather. In a recent op-ed in theWashington Post, James Hansen at NASA’s Goddard Institute for Space Studies in New York blamed climate change for excessive drought, based on six decades of measurements, not computer models: “Our analysis shows that it is no longer enough to say that global warming will increase the likelihood of extreme weather and to repeat the caveat that no individual weather event can be directly linked to climate change. To the contrary, our analysis shows that, for the extreme hot weather of the recent past, there is virtually no explanation other than climate change.”

He went on to write that the Russian heat wave of 2010 and catastrophic droughts in Texas and Oklahoma in 2011 could each be attributed to climate change, concluding that “The odds that natural variability created these extremes are minuscule, vanishingly small. To count on those odds would be like quitting your job and playing the lottery every morning to pay the bills.”

Hansen also argued a year ago that Earth is entering a period of rapid climate change, so radical weather will be upon us sooner than we’d like. Scientific American just published a big feature article detailing the same point.

Indeed, if you’re a regular Scientific American reader, you might recall that another well-regarded scientist predicted behemoths such as Sandy in 2007. The article, by Kevin Trenberth, a senior scientist at the National Center for Atmospheric Research, was presciently titled, “Warmer Oceans, Stronger Hurricanes.” Trenberth’s extensive analysis concluded that although the number of Atlantic hurricanes each year might not rise, the strength of them would.

Hurricane Sandy has emboldened more scientists to directly link climate change and storms, without the hedge. On Monday, as Sandy came ashore in New Jersey, Jonathan Foley, director of the Institute on the Environment at the University of Minnesota, tweeted: “Would this kind of storm happen without climate change? Yes. Fueled by many factors. Is [the] storm stronger because of climate change? Yes.”

Raymond Bradley, director of the Climate Systems Research Center at the University of Massachusetts, was quoted in the Vancouver Sun saying: “When storms develop, when they do hit the coast, they are going to be bigger and I think that’s a fair statement that most people could sign onto.”

A recent, peer-reviewed study published by several authors in the Proceedings of the National Academy of Science concludes: “The largest cyclones are most affected by warmer conditions and we detect a statistically significant trend in the frequency of large surge events (roughly corresponding to tropical storm size) since 1923.”

Greg Laden, an anthropologist who blogs about culture and science, wrote this week in an online piece: “There is always going to be variation in temperature or some other weather related factor, but global warming raises the baseline. That’s true. But the corollary to that is NOT that you can’t link climate change to a given storm. All storms are weather, all weather is the immediate manifestation of climate, climate change is about climate.”

Now, as promised: If you still don’t believe scientists, then believe insurance giant Munich Re. In her October 29 post at the The New Yorker, writer Elizabeth Kolbert notes:
Munich Re, one of the world’s largest reinsurance firms, issued a study titled “Severe Weather in North America.” According to the press release that accompanied the report, “Nowhere in the world is the rising number of natural catastrophes more evident than in North America.” … While many factors have contributed to this trend, including an increase in the number of people living in flood-prone areas, the report identified global warming as one of the major culprits: “Climate change particularly affects formation of heat-waves, droughts, intense precipitation events, and in the long run most probably also tropical cyclone intensity.”

Insurers, scientists and journalist are beginning to drop the caveats and simply say that climate change is causing big storms. As scientists collect more and more data over time, more of them will be willing to make the same data-based statements.

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