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"Amazônia, pátria das águas"

Posted: 2 de mai. de 2013 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , , , , 0 comentários


Quando o livro Amazônia (editora Práxis), com fotos de Claudia
Andujar e George Love, foi lançado em 1978, ficou sem uma parte
fundamental: o texto de Thiago de Mello feito especialmente para a
publicação, batizado de Amazônia - Pátria das águas. Ele foi
censurado pela ditadura militar, que já caminhava para o ocaso, mas
continuava restringindo os trabalhos de artistas, em especial os que
desafiavam frontalmente o regime, caso do poeta de Faz escuro mas eu canto.

Thiago diz que chegou a ver a edição com seu texto incluído, mas, se ela
circulou, foi pouco. Suas palavras em defesa da Amazônia saíram mais
tarde numa edição da Civilização Brasileira e, mais recentemente, pela Global-Gaia, ilustradas com desenhos e pinturas dos índios ticunas e fotografias de Claudio Marigo.

O texto que ganhou uma aura mítica por causa da censura é reproduzido aqui no Conexão em função da exposição Fotolivros latino-americanos, em cartaz no Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro. Uma das salas da mostra é dedicada apenas a Amazônia, um marco na história dos fotolivros e decisivo nas carreiras de Claudia Andujar e George Love.

De 7 a 10 de Maio o IMS-RJ promoverá também o seminário Fotolivros latino-americanos,
paralelo à exposição, com o objetivo de promover o debate sobre a
história dos livros de fotografia e o novo lugar dos livros de arte no
cenário da produção editorial contemporânea. As inscrições estão
abertas.

Eis o vídeo, que consta da exposição, com as páginas de Amazônia:


... e o texto censurado de Thiago de Mello, na íntegra.


"Amazônia, pátria das águas"

Da altura extrema da cordilheira, onde as neves são eternas, a água se
desprende, e traça trêmula um risco na pele antiga da pedra: o Amazonas
acaba de nascer. A cada instante ele nasce. Descende devagar, para
crescer no chão. Varando verdes, faz o seu caminho e se acrescenta.
Aguas subterrâneas afloram para abraçar-se com a água que desceu dos
Andes. De mais alto ainda, desce a água celeste. Reunidas elas avançam,
multiplicadas em infinitos caminhos, banhando a imensa planície cortada
pela linha do Equador.

Planície que ocupa a vigésima parte da superfície terrestre. O verde
universo equatorial que abrange nove países da América Latina e ocupa
quase a metade do território brasileiro. Aqui está a maior reserva
mundial de água doce, ramificada em milhares de caminhos de água, que
atravessam milhões de quilômetros quadrados de chão verde. É a Amazônia,
a pátria da água.

É a Grande Amazônia, toda ela no trópico úmido, com a sua floresta
compacta e atordoante, onde ainda palpita, intocada pelo homem, a vida
que se foi urdindo em verdes desde o amanhecer do Ter­ciário. Intocada e
desconhecida em muito de sua extensão e de sua verdade, a Amazônia
ainda está sendo descoberta. Iniciado há quatro séculos, o seu
descobrimento ainda não terminou. E, no entanto, pelo que já se conhece
da vida na Amazônia, desde que o homem a habita, ergue-se das funduras
das suas águas e dos altos centros de sua selva um terrível temor: a de
que essa vida esteja, devagarinho, tomando o rumo do fim.

A este universo de água e de terra, de rio e de selva, chegou o homem. É
recente a sua chegada. Só há dez mil anos, já sabem os cientistas,
chegaram os índios à Amazônia e dela fizeram a sua morada. É portanto o
tempo de sua fundação, do seu verdadeiro começo: o homem chegando para
permanecer e para amar.

Da história desse homem primitivo, quer dizer, o que chegou primeiro,
mais adiante um pouco eu vou contar. Muito pouco, porque é quase nada o
que dele ainda resta, escondido nos longes espessos da selva, agarrado
ao sol de sua inocência.

Depois os outros chegaram. Os chamados brancos, com a cruz e o arcabuz; e
o sangue que ia ajudar a compor uma nova etnia, ao longo de quatro
séculos de aventura humana. Aventura que se prolonga, ainda hoje,
marcada pelo signo do desamor. Extração, saque, destruição, extermínio.

É tempo de dizer que é dolorido, para mim, caboclo do Amazonas,
dizer da verdade da vida que reúne, e desune mais que une, as águas, as
florestas, os animais e os homens do Amazonas. Acabo de subir o rio
Solimões, desde o seu encontro com o Negro, onde as águas barrentas de
um não se misturam com as negríssimas do outro, até o triângulo
amazônico que forma o Brasil com o Peru e a Colômbia. Dias e dias de
viagem, contra a correnteza, numa pequena embarcação a motor. Tempo de
enchente, o rio crescido alagando a várzea, derrubando casebres e
árvores. Horas e horas de viagem, sem encontrar uma criatura humana. Só,
de repente, um bando de garças, crivando, alvíssimas, a transparência
da tarde.
E subitamente, numa curva do rio, uma
pequenina canoa beirava o barranco, o homem na proa acenando com o remo,
oferecendo peixe fresco. O olhar bom, o gesto generoso. Mas sofrido: um
filho menino lhe vinha de morrer, sem nenhuma assistência, devorado de
febres. Aprendi com aquele irmão de águas que em tempos doloridos é
preciso trabalhar com esperança na construção da alegria.


Como no Gênesis flutuava a cara de Deus, hoje é a esperança que paira
sobre a face das águas do meu rio. Que ainda paira. Apesar de tudo.
Apesar da destruição, do saque de suas riquezas, do desflores­tamento
impiedoso, da fauna ameaçada, do desamparo do homem ribeirinho - a
esperança amzônica resiste. O coração do homem não se cansa. Se, de tão
malferida, a floresta se cansa, este o nosso grande temor.

Este é o rio que Vicente Pinzón olhou em 1500, sem saber que já havia
abandonado o Atlântico e ingressava na foz de um oceano de águas doces.
Santa Maria de la Mar Dulce. Era o Amazonas varado pela quilha das
caravelas primeiras. O Paraná-açu dos índios que habitavam as suas
mar­gens. Foram muitos os seus nomes: Rio Amazonas, que percorre mais de seis mil quilômetros, desde o fio de
água que desce do lago Lauri, Lauricocha, na cabeça dos Andes, desce
também de Vilcanota, e logo se engrossa no Urubam­ba, transforma-se no
Ucayali, depois já é o caudal do Solimões na selva peruana, encontra a
sua calha principal entrando no Brasil levando o mesmo nome até
encontrar-se com o Negro e então fazer-se Amazonas propriamente dito,
impetuoso, varando profundo o Estreito de Breves, e encontrar-se com o
Atlântico e empurrar para trás as águas do mar até enormes distâncias.

É verdade que o mar se vinga. Reúne as suas forças salgadas e retorna
com fúria, em ondas de muitos metros de altura, que rolam grossas e com
grande estrondo sobre as águas do rio, derrubando margens, afundando
batelões e até navios.

A lei do rio não cessa nunca de impor-se sobre a vida dos homens. É o
império da água. Água que corre, água que leva e lava, água que se
despenca em cachoeira, água que roda no rebojo, água que vai e volta em
repiquete, água parada no silêncio do igapó. Água funda, água rasa onde
os barcos encalham. Água negra do Andirá e do Negro. Água barrenta do
Solimões, do Madeira, do Purus. As águas claras e verdes do Tapajós, do
Xingu

É o Amazonas e o seu ciclo das águas. Tempo das "primeiras águas",
quando o rio dá sinal de que tem vontade de crescer. Tempo de enchente,
de vazante, tempo de seca. E o regime das águas condicio­nando e
transformando a vida do homem amazônico ao longo das etapas do ano. Em
qualquer lugar do Amazonas. Não só no interior das florestas, na beira
dos rios. Também nas cidades e nos princi­pais centros urbanos da região
- o homem sofre os efeitos da subida ou da descida das águas. Na sua
casa, na sua comida, no seu trabalho de cada dia. O regime das águas é
um elemento constante no cál­culo da vida do homem. Porque são também
ciclos econômicos. Grandes vazantes significam grandes colheitas: a
terra da várzea inundada é fertilizada pelo rio, que lhe deposita sais
minerais e matérias orgânicas. É tempo de grandes pescarias, tempo de
bom plantar. Grandes cheias correspondem a duras calamidades e amargas
misérias: o peixe se esconde nos lagos de remanso, as plantações são
destruídas, o gado tem de ser levado para as alturas da terra firme ou
então é reunido na "maromba", exíguo curral erguido sobre esteios acima
das águas. O soalho das casas fica submerso, as sucurijus se aproximam
no faro dos animais domésticos. O homem fica à mercê do rio. Mas não
desanima: espera pela vazante, e alteia o soalho, e aproveita a terra
enriquecida pela enchente. O rio diz para o homem o que ele deve fazer. E
o homem segue a ordem do rio. Se não, sucumbe.

O rio diz para o homem. Sucede que a floresta não pode dizer. A floresta
não anda. A selva fica onde está. Fica à mercê do homem. Por isso é que
há quatro séculos o homem vem fazendo da floresta o que bem quer. Com
ela, e com tudo que vive nela, dentro dela. A floresta entrega o que
tem. São séculos de doação que a floresta amazônica tem de bom para a
vida do homem da região e das mais afastadas partes da terra. Sobretudo
para os homens da Europa e da outra América, que são, ao longo da
história da exploração dos recursos naturais da Amazônia, os que melhor
fruíram e mais se enriqueceram com as riquezas da nossa floresta.

A floresta dá tanta coisa para o homem há tanto tempo. Desde o começo,
quando os europeus chegaram, na busca das especiarias. Era o cravo, era a
pimenta, a canela, a baunilha, a salsa, a alfavaca.

O saque começou pelas drogas do sertão. E continua, até os dias de hoje,
cada vez mais impiedoso. De suas essências, a principal delas a do
pau-rosa, o privilegiado fixador de perfumes. Os seus produtos
medicinais, extraídos de folhas, raíles e cascas de árvores. A andiroba,
a copaíba, o sumo da casca de mungubeira, o curare milagroso e maligno,
e a extraordinária quina, nativa do nosso chão. Os alucinógenos: ipadu,
iagé, paricá, o caapi dos sonhos telepáticos. O guaraná estimulante que
os índios descobriram e até hoje cultivam. O alimento generoso de suas
frutas inumeráveis. O mundo inteiro consome a chamada
"castanha-do-Pará", tão rica de proteína e gordura e sais minerais. O
cacau é originário da Amazônia. Não cabe aqui a louvação nem resumida
das virtudes da nossa floresta. Mas como não gravar aqui, mesmo de
relance, a marca funda, conquanto suja, que deixou na vida da Amazônia
as qualidades das seivas e gomas elásticas da selva. A borracha - a
famosa Hevea brasiliensis - é o fundamento de
todo um período histórico da vida social e econômica da região, durante
o qual a Amazônia conheceu extremos de opulência e de miséria. Milhares
de homens se adentram pela mata para extrair o leite das seringueiras. A
Amazônia entre 1895 e 1909 exporta mais de 400 mil toneladas de
borracha, pagas pelos europeus a preço de ouro. Em Manaus, Belém e
Iquitos vivia-se a grande vida, erguiam-se palácios. Sucede que em 1881,
as sementes da Hevea brasiliensis, levadas pelos ingleses em sacas escondidas, e plantadas na Malásia, frutificaram em Singapura.
Depois em Java, e na Sumatra. Em 1911 o Amazonas produz 45 mil
toneladas, enquanto as seringueiras da Malásia apenas 8 mil. Mas em
1920, a asiática alcançava 360 mil toneladas e a do Amazonas descia a 8
mil, vendidas a preços aviltados. Era o fim do ciclo da borracha. E um
saldo de milhões de seringueiras murchas.

A extração de madeiras da floresta, iniciada desde o instante em que o
primeiro índio derrubou a pri­meira árvore para fazer a sua canoa e
construir a sua maloca, nunca mais cessou. E cada dia cresce mais o
deflorestamento. A floresta amazônica, fragmentada em toros de madeira
de lei, espremida na superfície dos compensados, hoje é levada para
quase todos os lugares do mundo.

Vamos, vem ver o reino vegetal. Entra comigo na espessura úmida. A
floresta já sabe que chegaste, todos os verdes se movem, querendo saber
quem és. O silêncio se anuncia, gota a gota, despencado das asas de
mariposas e pássaros. A selva te recobre, com a sua abóbada de palmas e
te encerra na umidade da escuridão diurna. As frondes colossais acumulam
o tempo, nas nervuras geométricas das folhas. Os caminhos se fecham nos
emaranhados verdes. O silêncio é penetrado pelo punhal agudíssimo do
zum­bido dos insetos, que proclamam, em ondas de sombra, a chegada do
anoitecer na selva. Ouve o lamento ancestral dos guaribas, o silvo
mágico das serpentes, o esturro das feras felinas que percorre vibrando
as distâncias da planície ferida. Subitamente, a selva inteira estremece
e vibram as raízes mais antigas das sumaumeiras altíssimas. É a
floresta amazônica submetida pelo relâmpago, devas­sada na sua tenra
intimidade pelo fulgor vertiginoso do raio.

A chuva é um elemento constante na selva amazônica. Chove todos os dias,
mesmo no verão, que é o tempo da seca. As grandes nuvens bojudas e
brancas do céu equatorial, de repente se movem pesadas, escurecem e se
dissolvem: desce a pancada d'água, o temporal do Amazonas, a ventania
cantando. É de manhãzinha, é no meio do dia, é quando tu vais de noite
atravessando o rio, a escuridão rasgada de relâmpagos, de uma margem à
outra, iluminando a face enfurecida das águas.

Vale registrar o índice de pluviosidade na Amazônia: 3000 mm por ano. É
um dos lugares onde mais chove neste mundo dos homens. E a chuva lava e
vai levando tudo da terra para o rio. O solo desmatado fica sem o pouco
húmus que lhe sobrou, levado pela chuva. E os homens respeitam,
temerosos, as forças do temporal, que verga e derruba árvores imensas,
muitas levadas pela correnteza, troncos que se chocam contra os barcos,
estraçalhando quilhas e calados. Morreu afogado no temporal - é frase
frequente nos barrancos da minha terra.

De um temporal desses, uma vez no Solimões peruano, nós escapamos vivos: o índio Morón e seu filhinho de cinco anos, eu e o caboclo Rios. Eu passara o dia numa pequena aldeia dos índios yaguas, aprendendo a vida com o jovem tuxaua, que muitos sabia do floripendio e de ervas mágicas. Ao entardecer, saímos de canoa, com motor de popa, rumo a Choriaco, pequena povoação ribeirinha. Coisa de duas horas de viagem. Tempo de cheia. Subíamos o rio, rente
à margem da floresta, já na metade do percurso, quando de repente, o
temporal desabou. "Este vai ser dos medo­nhos", disse tranquilo, lá da
popa, onde controlava o motor, o meu amigo índio. Junto a ele, no chão
da canoa, o seu
filho pequenino, todo encolhido de frio. Lembro-me de que, antes de escurecer totalmente, do banco da frente onde eu ia, virei-me e vi o brilho intenso de seus dois olhos enormes. Era o pavor. No banco da proa, sem camisa, o caboclo Luis. Enfrentamos o temporal em silêncio: juntos, caladamente solidários. A correnteza crescia, a canoa balançava na crista das ondas, a chuva vergastava por todos os lados. Houve um momento em que não vimos absolutamente mais nada. Escuridão total. Repetidas veres a proa topava num tronco. O baque surdo, a canoa parecia que ia virar. Ramón inclinava o motor para a frente, para que as hélices ficassem fora
da água, evitando o choque. Só os relâmpa­gos nos ajudavam, cortando o
céu de um lado a outro: a luz fugaz iluminava um tronco enorme, uma
árvore
inteira derrubada, que já vinha quase em cima de nós. Morón, ágil e calado, desviava a canoa num golpe de leme. A escuridão era tanta que eu sequer enxergava a minha mão aberta a centímetros de meu rosto. Mesmo assim, em vários momentos tive a certeza de que o índio Morón conseguia enxergar alguma coisa das águas e da margem. Os seus olhos conseguiam ver. Ou os seus ouvidos, os seus sentidos todos, agudíssimos sabiam o que da canoa se aproximava. Porque de repente ele dava uma guinada para a esquerda, logo aprumava o rumo, ou diminuía a marcha do motor. E emitia um som rouco e grosso e breve com a boca entrecerrada, que incrivelmente se ouvia no meio de todos os fragores do temporal. Era como se ele fosse um parente das águas. A tempestade cessou antes que chegássemos a Choriaco. Pouco antes. E duas coisas que aconteceram agora eu sinto precisão de contar. A primeira é que mal dobramos a boca do Paraná de Choriaco, demos com várias canoas que vinham em nossa direção. Eram homens e mulheres daquele pedaço do mundo que nunca esquecerei: certos de que deveríamos chegar no começo da noite, nos sabiam surpreendidos pelo temporal, e iam ao nosso encontro, para nos salvar. Quando nos viram, foi um imenso e prolongado grito de alegria. A segunda coisa
é que depois do temporal o céu acendeu as suas estrelas, perdão, todas
as suas estrelas, que pairavam enormes, sol­tas no campo da noite.


Agredida, violentada, a floresta se defende. Defende-se antes de tudo
com os seus elementos mais variados. Com o seu calor úmido, abafado. Com
os cipós emaranhados, as touceiras de espinhos, as folhas que provocam
queimaduras de brasa, as hastes que cortam como lâminas. Defende-se com
poderes de encantamento. E como se de repente as árvores e arbustos
mudassem de lugar, fechando o caminho por onde o homem avançou. São as
palmas dos buritizeiros que silenciosa e bruscamente se entrelaçam
inaugurando a noite em pleno dia da mata.

Mas a floresta sobretudo se defende com a sua fauna, que dela faz morada
e cidadela. A fauna defende a flora e se defende. São as nuvens de
mosquitos, os que atacam de dia e os que chegam com a noite. Os
carapanãs, as mutucas sugadoras, os terríveis piuns diurnos. As aranhas
venenosas, caranguejeiras cabeludas, o ferrão venenoso. Defende-se a
floresta invadida com os insetos transmissores de malárias, de febres
negras fatais. Com as formigas de fogo, as tocandiras, que sobem do chão
e descem das árvores de cujas horas o homem corre em desespero. De
repente, ao parar debaixo de um tachizeiro, o homem em poucos segundos
se vê coberto de formigas dos pés à cabeça, sem nada poder fazer contra
as ferroadas insuportáveis.

Defende-se com as suas feras: a onça suçuarana, a onça pintada, a
maracajá. E principalmente com as suas serpentes, a mais temível de
todas a surucucu, porque terrivelmente venenosa. Mas na beira dos rios,
nas águas caladas da selva, nos centros da mata, lá está a fabulária
sucuriju, a constritora.

Sucede que o homem, para vencer a floresta, derrota também a fauna. E
tem na fauna mesma um grande objeto de sua cobiça. O animal tem carne
para ser comida, e couro para ser vendido. Há milênios que os bichos do
Amazonas vêm sendo abatidos, os da terra e os da água. Algumas espécies
estão perto da extinção. O peixe-boi está beirando o seu fim. Nos
últimos anos foi proibida a captura de tar­tarugas e a caça ao jacaré.
Como cumprir a lei na vastidão da selva? Mais de 20 mil onças mortas
anualmente. Os números são assustadores. Na década de 1960 saíram da
Amazônia mais de um milhão de couros de jacarés. Venho de passar mais de
um mês varando rios, paranás e furos do Baixo Amazonas. Ao contrário do
que sucedia há pouco mais de dez anos, não vi nenhum jacaré.
Trans­formados em bolsas, sapatos, cintos, eles caminham hoje pelas
avenidas das principais cidades do mun­do. Na luta contra a natureza, na
última e porventura definitiva luta do homem contra a natureza, que se
trava na Amazônia, o homem parece ganhar. Sem se dar conta de que, ao
fim da cega peleja, ele poderá ser o grande derrotado.

Olha bem, leitor companheiro, olha devagarinho estas fotos, que captam,
para perdurar no tempo, um momento da vida de uma tribo de índios da
Amazônia. Não te chamo a atenção para a beleza, de fina qualidade
poética. Não. Olha bem detidamente, porque estás, seguramente, diante de
um dos últimos testemunhos do que ainda resta, na Amazônia, quase
intacta em sua pureza, da vida dos seres humanos que primeiro habitaram
esta selva e cuja raça está caminhando já muito perto do fim. A verdade é
que no céu dos índios, apodrecido pelo furor branco, já se apagam as
últimas estrelas.

Eles eram mais de um milhão quando chegou o colonizador europeu. De
extermínio em extermínio, depois de quatrocentos anos, hoje eles não
chegam a cinquenta mil. E desses, quase todos já perderam, feridos
fundamente na essência dos valores de sua etnia, a sua própria condição
de índios. Uns poucos ainda resistem, escondidos nos grandes centros da
selva, fugindo ou evitando o máximo que podem o contato com os chamados
agentes da civilização. O que desejam esses pequenos resíduos tribais
ainda espalhados pelo chão da Amazônia, como de outros raros lugares do
Brasil, é simplesmente poder ser e seguir sendo simplesmente índios.
Querem o direito de ser o que são.

É esse direito que lhes foi impiedosamente usurpado pelo branco invasor,
que apodrece os seus corpos com as suas doenças, e mata neles o que
para o índio é o seu próprio centro de gravidade: o gosto e a alegria de
viver. Degradação, palavra que, como estigma, queima a alma da raça que
fundamentalmente nos formou.

Índio aculturado é índio degradado, disse o santo Noel Nutels, pouco
antes de morrer, depois de toda uma vida dedicada à redenção do índio da
Amazônia. A maioria abrumadora dos nossos índios enfrenta hoje essa
degradação imposta pelo branco e que começa já no simples contato com o
civilizado e que se prolonga sem nunca terminar, porque só acaba com a
morte, durante o que a terminologia da proteção oficial chama de período
de transição. É durante esse período que a tribo se vai perdendo de si
mesma, que o índio vai deixando de ser índio, afastando-se dos seus
ritos, dos seus mitos, dos seus valores tribais - enfim, de toda uma
cultura construída durante séculos e que de repente é esvaziada de
significado pela imposição inevitável dos padrões culturais do homem
branco.

A perda de sua cultura conduz o índio à dependência e à submissão aos
trunfos de uma cultura que nunca será a sua, mas da qual ele precisa
para sobreviver. Aqui está o cerne do drama indígena: sub­missão que tem
gosto de traição do próprio ser. De qualquer maneira e seja qual for o
desenvolvimento do contato, o índio sai sempre perdendo. Não perde só a
terra, que lhe é usurpada pelas frentes invaso­ras da sociedade
nacional. Não perde só o vigor físico e a sua própria integridade. Perde
o que era bom, o que era límpido, e é obrigado a incorporar o que é
sujo, o que é ruim. Para poder sobrexistir, ele é obrigado a não confiar
mais. A utilizar-se da mentira e do roubo, finas virtudes brancas. Dos
brancos que da não aprenderam a conjugar o verbo amar. Sabe que está
mentindo, que está degradado. Transforma a dignidade perdida em duro e
silencioso rancor. Que vai degenerando, dor que punge calada até
transformasse no que Darcy Ribeiro, valente irmão dos índios, chama de
desengano. Desengano da vida, desgosto de ser gente.

O problema do índio é portanto um problema do branco. Na medida em que
só começa a existir a partir do instante em que se dá o encontro com o
civilizado. Antes ele era um ser livre, feliz, e glorioso. Dono de seu
poder e de sua forca de viver e de conviver. Na sua tribo, ele é um
integrante dela, como todos os outros, de qualquer sexo ou idade. Com os
mesmos direitos à utilização coletiva dos rios, das matas, das fontes
de subsistência. Com a simples mas poderosa alegria do trabalho coletivo
que faz de um homem irmão de outro homem. Por isso precisamente é que o
índio se degrada e caminha para o extermínio, ao participar de uma
sociedade que se fundamenta na exploração do homem.

Que os yanomami, isolados dos brancos no alto da Amazônia, observem ainda por largos anos a sua límpida glória de viver.

Índios isolados, índios degradados e desculturados, integram o
agrupamento humano da Amazônia, juntamente com o homem típico da região,
o caboclo ribeirinho, o caboclo das cidades, o brasileiro de outros
estados que aqui vivem e os homens de tantos países do mundo que, cada
dia mais numerosos, habitam a Amazônia. Fazem parte do grande complexo
humano, físico e geográfico da planície, que abrange os rios, árvores,
animais terrestres e aquáticos, o solo, as várzeas, as plantas aquáticas
e, por fim mas não por último, o subsolo amazônico, com todas as suas
riquezas.

É o ecossistema da grande Amazônia.

Já não se esconde mais a tensa inquietação a propósito do futuro da
Amazônia, cujo equilíbrio ecológico está fundamente ferido. Por isso
quero contribuir, com este trabalho (elaborado no interior do Amazonas,
nas margens do Paraná do Ramos que banha a pequena Barreirinha, onde
nasci, ao lado do rio Andirá, morada dos últimos resíduos dos índios
maués), para a causa da Amazônia. Quero que ele sirva de testemunho e
sobretudo de advertência.

A Amazônia, que só tem feito servir ao homem, vem sendo explorada e
ocupada de maneira insensata, desordenada e assustadoramente predatória.
A denúncia é feita por cientistas que sabem o que dizem. É claro que a
Amazônia precisa ser ocupada e desenvolvida. Mas sempre levando em conta
os fatores ecológicos e a sua necessária harmonia. A floresta tem que
ser utilizada, mas humanamente. Utilizada, e não degradada.

É momento de lembrar que cinquenta por cento do oxigênio que a
humanidade respira é produzido pela floresta amazônica. Ela não para de
trabalhar, dia e noite, para servir à necessidade fundamen­tal do homem:
o ar que ele respira. Mas é esse mesmo homem que não se cansa de
destruir a floresta generosa. Guardemos este número: mais de 10 milhões
de metros cúbicos de madeira estão sendo extraídos anualmente da nossa
floresta. Isto quer dizer mais de 3 milhões de árvores. Sem contar os
outros tantos milhões que foram necessariamente abatidos para a
construção das grandes estradas tran­samazônicas nos anos recentes. É
assustador o desmatamento da floresta amazônica, que constitui, faço
questão de repetir, a última grande reserva vegetal do planeta. O
desflorestamento é cada vez mais intensivo e indiscriminado. Já houve,
inclusive, a (tentativa de) utilização do herbicida Dioxim, usado na
guerra do Vietnã, que mata a clorofila. Empresas multinacionais,
empenhadas na criação de gado bovino na Amazônia, estão destruindo pelo
fogo grandes extensões de floresta para transformá-los em campos de
pastagem. Alguns incêndios - os jornais divulgaram - foram tão vastos
que chegaram a ser detectados pelos satélites artificiais. Sabe-se
estranhamente pouco sobre o que se passa nos limites do maior latifúndio
do mundo, abrangendo dois milhões e duzentos mil hectares, ao longo das
margens do rio Jari. Onde o desflorestamento tem sido também intenso.
Houve inclusive substitui­ção da floresta.

A Amazônia já não é mais a região misteriosa de antigamente. Muito dela
ainda está por ser conhe­cido. Mas de muito já se sabe. Não é a Manoa
del Dorado, o rio do Ouro, o País das Amazonas. Também já não se trata
apenas do paraíso nem do inferno verde. É a selva com a sua exuberância
de riquezas naturais e os seus recursos minerais que despontam cada dia
maiores, em descobertas que se sucedem. O ferro da Serra dos Carajás, a
bauxita do Trombetas. São reservas calculadas em bilhões de toneladas. O
subsolo se mostra cada dia mais rico. Mas o solo se confirma pobre. E
mais empobrecido se torna com a floresta derrubada. É preciso trabalhar
ainda muito para se chegar ao conhecimento e domínio de técnicas que
favoreçam o uso correto do solo. E preciso ocupar a Amazônia para
ajudá-la a viver, a fim de que ela possa ajudar melhor o homem, quero
dizer, a humanidade.

Fim de tarde de junho deste ano.

Acabo de entrar no barco atracado no lugar chamado Simão, na margem
do belíssimo rio Andirá, onde se abriga uma pequena aldeia dos índios
caterê, denominação recente da primitiva nação maué. Guardo ainda o
gosto forte do guaraná que, em cuia coletiva, foi servida à despedida
por uma índia que o preparou, ralado em língua de pirarucu.

O barco se afasta devagar. Do alto da proa, descubro de repente, o olhar forte
da índia menina sentada no barranco. Aceno-lhe com a mão, ela demora a
responder. Nos seus olhos apertados, cresce um brilho que me perturba,
onde pal­pitam misturados a força e o desamparo. De repente, me lembro
do olhar gravado na última foto deste livro, foto que demoradamente
contemplei tantas vezes. É o mesmo olhar da indiazinha do barranco.
Poder e desamparo, uma espé­cie de esperança amedrontada. É o olhar,
como o da própria Amazônia, de alguém que sente precisão de amor.


Thiago de Mello
Barreirinha, 1978

* originalmente publicado para Instituto Moreira Salles

"Carta aberta a Passos Coelho" de 78 personalidades portuguesas

Posted: 29 de nov. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , , 0 comentários


78 personalidades dos mais diversos quadrantes da sociedade entregaram hoje ao primeiro-ministro e ao Presidente da República uma carta em que exigem a alteração das políticas do Governo ou a demissão do primeiro-ministro.
O documento surge depois da aprovação do Orçamento do Estado para 2013, que os subscritores dizem “iníquo, injusto e socialmente condenável”, considerando que a sua aprovação faz parte de uma política que “está a fazer caminhar o país para o abismo” e a acabar com “toda e qualquer esperança”.
Os signatários afirmam ainda que “os eleitores foram intencionalmente defraudados” nas últimas eleições, num acto que descrevem como um “embuste”.

Repassando na íntegra:
Exmo. Senhor Primeiro-Ministro,

Os signatários estão muito preocupados com as consequências da política seguida pelo Governo.
À data das últimas eleições legislativas já estava em vigor o Memorando de Entendimento com a Troika, de que foram também outorgantes os líderes dos dois Partidos que hoje fazem parte da Coligação governamental.
O País foi então inventariado à exaustão. Nenhum candidato à liderança do Governo podia invocar desconhecimento sobre a situação existente. O Programa eleitoral sufragado pelos Portugueses e o Programa de Governo aprovado na Assembleia da República, foram em muito excedidos com a política que se passou a aplicar. As consequências das medidas não anunciadas têm um impacto gravíssimo sobre os Portugueses e há uma contradição, nunca antes vista, entre o que foi prometido e o que está a ser levado à prática.
Os eleitores foram intencionalmente defraudados. Nenhuma circunstância conjuntural pode justificar o embuste.
Daí também a rejeição que de norte a sul do País existe contra o Governo. O caso não é para menos. Este clamor é fundamentado no interesse nacional e na necessidade imperiosa de se recriar a esperança no futuro. O Governo não hesita porém em afirmar, contra ventos e marés, que prosseguirá esta política - custe o que custar - e até recusa qualquer ideia da renegociação do Memorando.
Ao embuste, sustentado no cumprimento cego da austeridade que empobrece o País e é levado a efeito a qualquer preço, soma-se o desmantelamento de funções essenciais do Estado e a alienação imponderada de empresas estratégicas, os cortes impiedosos nas pensões e nas reformas dos que descontaram para a Segurança Social uma vida inteira, confiando no Estado, as reduções dos salários que não poupam sequer os mais baixos, o incentivo à emigração, o crescimento do desemprego com níveis incomportáveis e a postura de seguidismo e capitulação à lógica neoliberal dos mercados.
Perdeu-se toda e qualquer esperança.
No meio deste vendaval, as previsões que o Governo tem apresentado quanto ao PIB, ao emprego, ao consumo, ao investimento, ao défice, à dívida pública e ao mais que se sabe, têm sido, porque erróneas, reiteradamente revistas em baixa.
O Governo, num fanatismo cego que recusa a evidência, está a fazer caminhar o País para o abismo.
A recente aprovação de um Orçamento de Estado iníquo, injusto, socialmente condenável, que não será cumprido e que aprofundará em 2013 a recessão, é de uma enorme gravidade, para além de conter disposições de duvidosa constitucionalidade. O agravamento incomportável da situação social, económica, financeira e política, será uma realidade se não se puser termo à política seguida.
Perante estes factos, os signatários interpretam - e justamente - o crescente clamor que contra o Governo se ergue, como uma exigência, para que o Senhor Primeiro-Ministro altere, urgentemente, as opções políticas que vem seguindo, sob pena de, pelo interesse nacional, ser seu dever retirar as consequências políticas que se impõem, apresentando a demissão ao Senhor Presidente da República, poupando assim o País e os Portugueses ainda a mais graves e imprevisíveis consequências.
É indispensável mudar de política para que os Portugueses retomem confiança e esperança no futuro.
PS: da presente os signatários darão conhecimento ao Senhor Presidente da República.

Lisboa, 29 de Novembro de 2012

Os signatários:

MÁRIO SOARES ADELINO MALTEZ (Professor Universitário-Lisboa) ALFREDO BRUTO DA COSTA (Sociólogo) ALICE VIEIRA (Escritora) ÁLVARO SIZA VIEIRA (Arquiteto) AMÉRICO FIGUEIREDO (Médico) ANA PAULA ARNAUT (Professora Universitária-Coimbra) ANA SOUSA DIAS (Jornalista) ANDRÉ LETRIA (Ilustrador) ANTERO RIBEIRO DA SILVA (Militar Reformado) ANTÓNIO ARNAUT (Advogado) ANTÓNIO BAPTISTA BASTOS (Jornalista e Escritor) ANTÓNIO DIAS DA CUNHA (Empresário) ANTÓNIO PIRES VELOSO (Militar Reformado) ANTÓNIO REIS (Professor Universitário-Lisboa) ARTUR PITA ALVES (Militar reformado) BOAVENTURA SOUSA SANTOS (Professor Universitário-Coimbra) CARLOS ANDRÉ (Professor Universitário-Coimbra) CARLOS SÁ FURTADO (Professor Universitário-Coimbra) CARLOS TRINDADE (Sindicalista) CESÁRIO BORGA (Jornalista) CIPRIANO JUSTO (Médico) CLARA FERREIRA ALVES (Jornalista e Escritora) CONSTANTINO ALVES (Sacerdote) CORÁLIA VICENTE (Professora Universitária-Porto) DANIEL OLIVEIRA (Jornalista) DUARTE CORDEIRO (Deputado) EDUARDO FERRO RODRIGUES (Deputado) EDUARDO LOURENÇO (Professor Universitário) EUGÉNIO FERREIRA ALVES (Jornalista) FERNANDO GOMES (Sindicalista) FERNANDO ROSAS (Professor Universitário-Lisboa) FERNANDO TORDO (Músico) FRANCISCO SIMÕES (Escultor) FREI BENTO DOMINGUES (Teólogo) HELENA PINTO (Deputada) HENRIQUE BOTELHO (Médico) INES DE MEDEIROS (Deputada) INÊS PEDROSA (Escritora) JAIME RAMOS (Médico) JOANA AMARAL DIAS (Professora Universitária-Lisboa) JOÃO CUTILEIRO (Escultor) JOÃO FERREIRA DO AMARAL (Professor Universitário-Lisboa) JOÃO GALAMBA (Deputado) JOÃO TORRES (Secretário-Geral da Juventude Socialista) JOSÉ BARATA-MOURA (Professor Universitário-Lisboa) JOSÉ DE FARIA COSTA (Professor Universitário-Coimbra) JOSÉ JORGE LETRIA (Escritor) JOSÉ LEMOS FERREIRA (Militar Reformado) JOSÉ MEDEIROS FERREIRA (Professor Universitário-Lisboa) JÚLIO POMAR (Pintor) LÍDIA JORGE (Escritora) LUÍS REIS TORGAL (Professor Universitário-Coimbra) MANUEL CARVALHO DA SILVA (Professor Universitário-Lisboa) MANUEL DA SILVA (Sindicalista) MANUEL MARIA CARRILHO (Professor Universitário) MANUEL MONGE (Militar Reformado) MANUELA MORGADO (Economista) MARGARIDA LAGARTO (Pintora) MARIA BELO (Psicanalista) MARIA DE MEDEIROS (Realizadora de Cinema e Atriz) MARIA TERESA HORTA (Escritora) MÁRIO JORGE NEVES (Médico) MIGUEL OLIVEIRA DA SILVA (Professor Universitário-Lisboa) NUNO ARTUR SILVA (Autor e Produtor) ÓSCAR ANTUNES (Sindicalista) PAULO MORAIS (Professor Universitário-Porto) PEDRO ABRUNHOSA (Músico) PEDRO BACELAR VASCONCELOS (Professor Universitário-Braga) PEDRO DELGADO ALVES (Deputado) PEDRO NUNO SANTOS (Deputado) PILAR DEL RIO SARAMAGO (Jornalista) SÉRGIO MONTE (Sindicalista) TERESA PIZARRO BELEZA (Professora Universitária-Lisboa) TERESA VILLAVERDE (Realizadora de Cinema) VALTER HUGO MÃE (Escritor) VITOR HUGO SEQUEIRA (Sindicalista) VITOR RAMALHO (Jurista) - que assina por si e em representação de todos os signatários)

Manifesto defende reaglutinação de forças no Brasil para enfrentar crise mundial

Um grupo brasileiro de forças progressistas e de esquerda está a articular um manifesto de reflexão sobre a crise económica e política mundial, em que exige a reaglutinação de forças no Brasil. A reunião de lançamento desse manifesto deve ocorrer no início de Dezembro, no Rio de Janeiro. Entre os apoiantes da iniciativa estão nomes como Luiz Pinguelli Rosa, Marcio Pochmann, João Pedro Stedile, Samuel Pinheiro Guimarães, Carlos Lessa, Moniz Bandeira e Luiz Carlos Bresser Pereira.
Manifesto na íntegra e artigo do Marco Aurélio Weissheimer, na Carta Maior, para ler clicando no link  em baixo.

Cidadãos portugueses endossam "Carta Aberta a Angela Merkel"


Segue o texto, aberto à subscrição de todos: AQUI.
Cara chanceler Merkel,
Antes de mais, gostaríamos de referir que nos dirigimos a si apenas como chanceler da Alemanha. Não votámos em si e não reconhecemos que haja uma chanceler da Europa. Nesse sentido, nós, subscritores e subscritoras desta carta aberta, vimos por este meio escrever-lhe na qualidade de cidadãos e cidadãs. Cidadãos e cidadãs de um país que pretende visitar no próximo dia 12 de Novembro, assim como cidadãos e cidadãs solidários com a situação de todos os países atacados pela austeridade. Pelo carácter da visita anunciada e perante a grave situação económica e social vivida em Portugal, afirmamos que não é bem-vinda. A senhora chanceler deve ser considerada persona non grata em território português porque vem, claramente, interferir nas decisões do Estado Português sem ter sido democraticamente mandatada por quem aqui vive.
Mesmo assim, como o nosso governo há algum tempo deixou de obedecer às leis deste país e à Constituição da República, dirigimos esta carta directamente a si. A presença de vários grandes empresários na sua comitiva é um ultraje. Sob o disfarce de "investimento estrangeiro", a senhora chanceler trará consigo uma série de pessoas que vêm observar as ruínas em que a sua política deixou a economia portuguesa, além da grega, da irlandesa, da italiana e da espanhola. A sua comitiva junta não só quem coagiu o Estado Português, com a conivência do governo, a privatizar o seu património e bens mais preciosos, como potenciais beneficiários desse património e de bens públicos, comprando-os hoje a preço de saldo.
Esta interpelação não pode nem deve ser vista como uma qualquer reivindicação nacionalista ou chauvinista – é uma interpelação que se dirige especificamente a si, enquanto promotora máxima da doutrina neoliberal que está a arruinar a Europa. Tão pouco interpelamos o povo alemão, que tem toda a legitimidade democrática para eleger quem quiser para os seus cargos representativos. No entanto, neste país onde vivemos, o seu nome nunca esteve em nenhuma urna. Não a elegemos. Como tal, não lhe reconhecemos o direito de nos representar e menos ainda de tomar decisões políticas em nosso nome.
E não estamos sozinhos. No próximo dia 14 de Novembro, dois dias depois da sua anunciada visita, erguer-nos-emos com outros povos irmãos numa greve geral que inclui muitos países europeus. Será uma greve contra governos que traíram e traem a confiança depositada neles pelas cidadãs e cidadãos, uma greve contra a austeridade conduzida por eles. Mas não se iluda, senhora chanceler. Também será uma greve contra a austeridade imposta pela troika e por todos aqueles que a pretendem transformar em regime autoritário. Será, portanto, uma greve também contra si. E se saudamos os nossos povos irmãos da Grécia, de Espanha, de Itália, do Chipre e de Malta, saudamos também o povo alemão que sofre connosco. Sabemos bem que o Wirtschaftswunder, o “milagre económico” alemão, foi construído com base em perdões sucessivos da dívida alemã por parte dos seus principais credores. Sabemos que a suposta pujança económica alemã actual é construída à custa de uma brutal repressão salarial que dura há mais de dez anos e da criação massiva de trabalho precário, temporário e mal-remunerado, que aflige boa parte do povo alemão. Isto mostra também qual é a perspectiva que a senhora Merkel tem para a Alemanha.
É plausível que não nos responda. E é provável que o governo português, subserviente, fraco e débil, a receba entre flores e aplausos. Mas a verdade, senhora chanceler, é que a maioria da população portuguesa desaprova cabalmente a forma como este governo, sustentado pela troika e por si, está a destruir o país. Mesmo que escolha um percurso secreto e um aeroporto privado, para não enfrentar manifestações e protestos contra a sua visita, saiba que essas manifestações e protestos ocorrerão em todo o país. E serão protestos contra si e aquilo que representa. A sua comitiva poderá tentar ignorar-nos. A Comissão Europeia, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Central Europeu podem tentar ignorar-nos. Mas somos cada vez mais, senhora Merkel. Aqui e em todos os países. As nossas manifestações e protestos terão cada vez mais força. Cada vez conhecemos melhor a realidade. As histórias que nos contavam nunca bateram certo e agora sabemos serem mentiras descaradas.

Acordámos, senhora Merkel. Seja mal-vinda a Portugal.

Os Subscritores/as

O super-furacão Sandy e a questão da Alteração Climática

Posted: 31 de out. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , , 0 comentários

por Mark Fischetti


If you’ve followed the U.S. news and weather in the past 24 hours you have no doubt run across a journalist or blogger explaining why it’s difficult to say that climate change could be causing big storms like Sandy. Well, no doubt here: it is.

The hedge expressed by journalists is that many variables go into creating a big storm, so the size of Hurricane Sandy, or any specific storm, cannot be attributed to climate change. That’s true, and it’s based on good science. However, that statement does not mean that we cannot say that climate change is making storms bigger. It is doing just that—a statement also based on good science, and one that the insurance industry is embracing, by the way. (Huh? More on that in a moment.)

Scientists have long taken a similarly cautious stance, but more are starting to drop the caveat and link climate change directly to intense storms and other extreme weather events, such as the warm 2012 winter in the eastern U.S. and the frigid one in Europe at the same time. They are emboldened because researchers have gotten very good in the past decade at determining what affects the variables that create big storms. Hurricane Sandy got large because it wandered north along the U.S. coast, where ocean water is still warm this time of year, pumping energy into the swirling system. But it got even larger when a cold Jet Stream made a sharp dip southward from Canada down into the eastern U.S. The cold air, positioned against warm Atlantic air, added energy to the atmosphere and therefore to Sandy, just as it moved into that region, expanding the storm even further.

Here’s where climate change comes in. The atmospheric pattern that sent the Jet Stream south is colloquially known as a “blocking high”—a big pressure center stuck over the very northern Atlantic Ocean and southern Arctic Ocean. And what led to that? A climate phenomenon called the North Atlantic Oscillation (NAO)—essentially, the state of atmospheric pressure in that region. This state can be positive or negative, and it had changed from positive to negative two weeks before Sandy arrived. The climate kicker? Recent research by Charles Greene at Cornell University and other climate scientists has shown that as more Arctic sea ice melts in the summer—because of global warming—the NAO is more likely to be negative during the autumn and winter. A negative NAO makes the Jet Stream more likely to move in a big, wavy pattern across the U.S., Canada and the Atlantic, causing the kind of big southward dip that occurred during Sandy.

Climate change amps up other basic factors that contribute to big storms. For example, the oceans have warmed, providing more energy for storms. And the Earth’s atmosphere has warmed, so it retains more moisture, which is drawn into storms and is then dumped on us.

These changes contribute to all sorts of extreme weather. In a recent op-ed in theWashington Post, James Hansen at NASA’s Goddard Institute for Space Studies in New York blamed climate change for excessive drought, based on six decades of measurements, not computer models: “Our analysis shows that it is no longer enough to say that global warming will increase the likelihood of extreme weather and to repeat the caveat that no individual weather event can be directly linked to climate change. To the contrary, our analysis shows that, for the extreme hot weather of the recent past, there is virtually no explanation other than climate change.”

He went on to write that the Russian heat wave of 2010 and catastrophic droughts in Texas and Oklahoma in 2011 could each be attributed to climate change, concluding that “The odds that natural variability created these extremes are minuscule, vanishingly small. To count on those odds would be like quitting your job and playing the lottery every morning to pay the bills.”

Hansen also argued a year ago that Earth is entering a period of rapid climate change, so radical weather will be upon us sooner than we’d like. Scientific American just published a big feature article detailing the same point.

Indeed, if you’re a regular Scientific American reader, you might recall that another well-regarded scientist predicted behemoths such as Sandy in 2007. The article, by Kevin Trenberth, a senior scientist at the National Center for Atmospheric Research, was presciently titled, “Warmer Oceans, Stronger Hurricanes.” Trenberth’s extensive analysis concluded that although the number of Atlantic hurricanes each year might not rise, the strength of them would.

Hurricane Sandy has emboldened more scientists to directly link climate change and storms, without the hedge. On Monday, as Sandy came ashore in New Jersey, Jonathan Foley, director of the Institute on the Environment at the University of Minnesota, tweeted: “Would this kind of storm happen without climate change? Yes. Fueled by many factors. Is [the] storm stronger because of climate change? Yes.”

Raymond Bradley, director of the Climate Systems Research Center at the University of Massachusetts, was quoted in the Vancouver Sun saying: “When storms develop, when they do hit the coast, they are going to be bigger and I think that’s a fair statement that most people could sign onto.”

A recent, peer-reviewed study published by several authors in the Proceedings of the National Academy of Science concludes: “The largest cyclones are most affected by warmer conditions and we detect a statistically significant trend in the frequency of large surge events (roughly corresponding to tropical storm size) since 1923.”

Greg Laden, an anthropologist who blogs about culture and science, wrote this week in an online piece: “There is always going to be variation in temperature or some other weather related factor, but global warming raises the baseline. That’s true. But the corollary to that is NOT that you can’t link climate change to a given storm. All storms are weather, all weather is the immediate manifestation of climate, climate change is about climate.”

Now, as promised: If you still don’t believe scientists, then believe insurance giant Munich Re. In her October 29 post at the The New Yorker, writer Elizabeth Kolbert notes:
Munich Re, one of the world’s largest reinsurance firms, issued a study titled “Severe Weather in North America.” According to the press release that accompanied the report, “Nowhere in the world is the rising number of natural catastrophes more evident than in North America.” … While many factors have contributed to this trend, including an increase in the number of people living in flood-prone areas, the report identified global warming as one of the major culprits: “Climate change particularly affects formation of heat-waves, droughts, intense precipitation events, and in the long run most probably also tropical cyclone intensity.”

Insurers, scientists and journalist are beginning to drop the caveats and simply say that climate change is causing big storms. As scientists collect more and more data over time, more of them will be willing to make the same data-based statements.

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O Conexão sugere alguns artigos que vale ler:


Fome no Mundo: progressos no Brasil, Angola e Moçambique vs. retrocessos na Europa


Segundo o relatório "O estado da insegurança alimentar no mundo", elaborado por três agências das Nações Unidas e divulgado esta terça-feira, Brasil, Angola e Moçambique diminuíram as taxas de fome e subnutrição entre 1990 e 2012. Os três países lusófonos (e os únicos referidos com algum detalhe) integram o grupo dos países em desenvolvimento mais afetados pela fome e pela subnutrição crónicas - 852 milhões, de um total de 868 milhões. De acordo com o documento, Angola e Brasil reduziram o número de casos para mais de metade e Moçambique conseguiu uma melhoria de cerca de 30%.
As Nações Unidas alertam para que uma em cada oito pessoas do mundo sofre de subnutrição crónica, mas continua a defender que ainda é possível erradicar a fome para metade até 2015, em consonância com os Objectivos definidos para o Miénio, se forem adotadas as “medidas adequadas”.

Estas notícias animadoras contrastam com a degradação acelerada das condições de vida na Europa, em particular nos países do Sul onde a fome passou a ser um flagelo social generalizado e cada vez mais alarmante.
Na Grécia, há muito que a situação atingiu proporções de calamidade, com a taxa de suicídio a aumentar e as famílias a abandorem as suas crianças ou a entregarem-nas para adopção, por total incapacidade de as alimentarem.
Em Portugal, instituições como o Banco Alimentar Contra a Fome e a Caritas, por exemplo, não têm mãos a medir. Dizem que nunca receberam tantos pedidos de ajuda e encontram-se à beira da ruptura, incapazes de dar resposta ao brutal aumento das situações de carência. Em Espanha o cenário repete-se.
Hoje, por exemplo, uma campanha inédita lançada pela Cruz Vermelha espanhola está a merecer grande destaque nos media nacionais e internacionais. A campanha não pede ajuda para países africanos, nem para socorrer vítimas de catástrofes naturais, como o terramoto do Haiti. Pede ajuda para evitar que os espanhóis morram de fome.
A iniciativa, intitulada 'Ahora + que nunca' ("Agora mais do que nunca"), quer ajudar as mais de 300 mil pessoas que se encontram em graves dificuldades financeiras por causa da crise e da austeridade.

Especiais sobre a relação de Portugal e dos portugueses com o Mar


O jornal PÚBLICO está a publicar, desde dia 26 de Setembro (Cf. html ou pdf), uma série especial sobre aquilo que liga Portugal e os portugueses ao mar.

CGTP propõe alternativas para o Estado arrecadar 6 mil milhões sem cortes

Posted: 22 de set. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , 0 comentários

Leio no Público:

A CGTP apresentou este sábado um pacote de medidas para o Estado arrecadar 5966 milhões de euros em receitas fiscais adicionais, em alternativa a cortes salariais ou medidas equivalentes, como a que o Governo chegou a propor para a Taxa Social Única (TSU).

Eis algumas soluções que constam do documento:

  • Um novo imposto sobre as transações financeiras
  • Introdução de mais um escalão de IRC para as empresas com grande volume de negócios
  • Sobretaxa de 10% sobre os divindendos distribuídos aos grandes accionistas de empresas
  • Medidas de combate à fraude e à evasão fiscais

Memórias do 1º de Maio de 1974, em Portugal

Posted: 1 de mai. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , , 0 comentários


O 1º de Maio de 1974, o primeiro que Portugal celebrou em liberdade, foi a maior manifestação alguma vez organizada no país. Só na cidade de Lisboa juntaram-se mais de meio milhão de pessoas.


Imagens do 1.º Maio de 1974 em Lisboa (Arquivo RTP)

Vídeo amador: o povo, os cânticos e as palavras de ordem que saíram à rua no 1º de Maio de 1974

Excertos do célebre comício: discursos de Mário Soares (PS) e Álvaro Cunhal (PCP) no 1º de Maio de 1974

Ex-secretário de Estado da Energia questiona “fuga de informação” do Governo para a EDP

Posted: 27 de abr. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , , , 0 comentários

Henrique Gomes
Leio no Público:
Henrique Gomes, ex-secretário de Estado da Energia, referiu hoje no Parlamento que não sabe como é que o presidente da EDP, António Mexia, “teve conhecimento de um estudo” sobre rendas excessivas, poucas horas depois da sua entrega ao Governo pelo ministro da Economia [VER VÍDEO: aqui e aqui].

Três adendas à notícia, que vale equacionar:

1. Ontem a TVI24 já tinha avançado que o Governo mexeu no relatório que enviou à troika sobre as rendas das eléctricas. O documento original ainda tinha sido elaborado por Henrique Gomes, mas foi chumbado e refeito após a sua demissão. Da versão final (enviada à troika) foram retirados os valores em dinheiro das rendas a pagar ao sector eléctrico e omitidos os que Henrique Gomes tinha apurado quanto à taxa de esforço implicada aos consumidores. [VER VÍDEO]

2. Pela manhã, antes de rumar ao Parlamento para o debate quinzenal, o primeiro-ministro prometia: «Estou confiante de que, em breve, teremos novidades muito positivas, nomeadamente em relação à renegociação das PPP e aos benefícios do sector energético». Quando lá chegou, encontrou Louçã e o BE dispostos a interpelá-lo sobre o caso [VER VÍDEO].

3. Nem de propósito, também esta manhã, ficava-se a saber que:
O resultado líquido da Galp foi de 50 milhões de euros entre Janeiro e Março, mais 16,5% que no primeiro trimestre de 2011, ajudado pelas áreas de exploração e produção de petróleo e de gas & power (gás natural e produção de electricidade) link. [Ler mais]

4. No mês passado, em comunicado enviado à CMVM, soube-se que:
António Mexia, presidente executivo da EDP, recebeu uma remuneração 1,04 milhões de euros no ano passado, um valor em tudo semelhante ao auferido em 2010, com uma pequena descida devido a uma ligeira queda do salário variável link.

5. Alguns antecedentes, para situar a questão:

Mais informação e os dois relatórios, para ler na íntegra clicando no link em baixo.

Um minuto de silêncio pelo Miguel


Todos os deputados de pé. Um minuto de silêncio. Acaba de ser aprovado por unanimidade o Voto de Pesar pela morte de Miguel Portas, apresentado pelo BE na Assembleia da República. O Governo também se associou ao gesto. O texto segue a baixo, na íntegra.

[ACTUALIZAÇÃO] Ver vídeos: SIC Notícias | TVI | TVI24

Detalhes políticos da sessão que aprovou o relatório de Piau sobre novo Código Florestal

Posted: 26 de abr. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , , 0 comentários


O plenário da Câmara dos Deputados aprovou o relatório do deputado Paulo Piau (PMDB-MG), alterando o texto do Código Florestal do Senado. Foram 274 votos a favor do relatório, 184 contrários e duas abstenções. Pelo texto aprovado, foi mantida a obrigatoriedade de recompor com vegetação nativa a margem de rios com até dez metros de largura. Por outro lado, nos rios com mais de dez metros de largura, foi retirada a necessidade de reflorestar a margem.
Com excepção da recomposição da margem de rios menores, o texto foi uma derrota para o governo e para o PT, que não queria alterações em relação ao projecto aprovado pelo Senado no ano passado e que considera o novo relatório um retrocesso. A maioria dos partidos da base e da oposição tiveram um encaminhamento pela aprovação do relatório de Piau. No momento em que foi anunciado o resultado, houve comemoração no plenário. Do outro lado, se opondo ao relator, estiveram PT, PRB, PSOL e PV. Liberaram suas bancadas PSB, PCdoB e PP.
Mas mesmo nos partidos que se posicionaram, houve racha. No PSDB, favorável ao relatório, 48 deputados votaram: 26 com Piau, e 22 pelo texto aprovado pelo Senado.
Na sessão foram ainda votados quatro destaques que suprimiram trechos do texto aprovado pelo Senado. Os quatro destaques atendem aos interesses da bancada ruralista.

Câmara aprova Código Floresta: ... VETA, DILMA!

Posted: | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , , 0 comentários


O Plenário aprovou esta quarta-feira o parecer do deputado Paulo Piau (PMDB-MG) para o novo Código Florestal (PL 1876/99). O relator propôs a retirada de diversos pontos do texto que veio do Senado, e os deputados aceitaram a maior parte dessas exclusões. O novo código será enviado para a sanção da presidente Dilma Rousseff.
Por questões regimentais, permaneceu no texto a necessidade de recomposição de um mínimo de 15 metros de mata nas áreas de preservação permanente (APPs) em torno de rios com até 10 metros. Piau tinha proposto a retirada dessa parte do texto, mas o Regimento Interno não permite isso porque a regra foi aprovada tanto na Câmara quanto no Senado.
O texto do relator, aprovado por 274 votos a 184, mantém as atividades agropecuárias iniciadas até 22 de julho de 2008 em APPs, mas as demais regras de replantio da vegetação foram excluídas.
A lista do que é APP continua praticamente igual à já aprovada antes na Câmara. Para quem não desmatou e para as situações futuras, as faixas de proteção variam de 30 a 500 metros em torno dos rios, lagos e nascentes (conforme seu tamanho) e encostas de morros.
A diferença em relação ao atual código é que as faixas serão medidas a partir do leito regular e não do nível mais alto das águas no período de cheias. Na prática, isso pode diminuir a área preservada.

"Um dos defeitos do português é a falta de audácia, o excesso de disciplina"

por Fernando Pessoa

Das feições de alma que caracterizam o povo português, a mais irritante é, sem dúvida, o seu excesso de disciplina. Somos o povo disciplinado por excelência. Levamos a disciplina social àquele ponto de excesso em que coisa nenhuma, por boa que seja — e eu não creio que a disciplina seja boa — por força que há-de ser prejudicial.
Tão regrada, regular e organizada é a vida social portuguesa que mais parece que somos um exército do que uma nação de gente com existências individuais. Nunca o português tem uma acção sua, quebrando com o meio, virando as costas aos vizinhos. Age sempre em grupo, sente sempre em grupo, pensa sempre em grupo. Está sempre à espera dos outros para tudo. E quando, por um milagre de desnacionalização temporária, pratica a traição à Pátria de ter um gesto, um pensamento, ou um sentimento independente, a sua audácia nunca é completa, porque não tira os olhos dos outros, nem a sua atenção da sua crítica.
Parecemo-nos muito com os Alemães. Como eles, agimos sempre em grupo, e cada um do grupo porque os outros agem.
Por isso aqui, como na Alemanha, nunca é possível determinar responsabilidades; elas são sempre da sexta pessoa num caso onde só agiram cinco. Como os Alemães, nós esperamos sempre pela voz de comando. Como eles, sofremos da doença da Autoridade — acatar criaturas que ninguém sabe porque são acatadas, citar nomes que nenhuma valorização objectiva autentica como citáveis, seguir chefes que nenhum gesto de competência nomeou para as responsabilidades da acção. Como os Alemães, nós compensamos a nossa rígida disciplina fundamental por uma indisciplina superficial, de crianças que brincam à vida. Refilamos só de palavras. Dizemos mal só às escondidas. E somos invejosos, grosseiros e bárbaros, de nosso verdadeiro feitio, porque tais são as qualidades de toda a criatura que a disciplina moeu, em quem a individualidade se atrofiou.
Diferimos dos Alemães, é certo, em certos pontos evidentes das realizações da vida. Mas a diferença é apenas aparente. Eles elevaram a disciplina social, temperamento neles como em nós, a um sistema de estado e de governo; ao passo que nós, mais rigidamente disciplinados e coerentes, nunca infligimos a nossa rude disciplina social, especializando-a para um estado ou uma administração. Deixamo-la coerentemente entregue ao próprio vulto íntegro da sociedade. Daí a nossa decadência!
Somos incapazes de revolta e de agitação. Quando fizemos uma “revolução” foi para implantar uma coisa igual ao que já estava. Manchámos essa revolução com a brandura com que tratámos os vencidos. E não nos resultou uma guerra civil, que nos despertasse; não nos resultou uma anarquia, uma perturbação das consciências. Ficámos miserandamente os mesmos disciplinados que éramos. Foi um gesto infantil, de superfície e fingimento. Portugal precisa dum indisciplinador. Todos os indisciplinadores que temos tido, ou que temos querido ter, nos têm falhado. Como não acontecer assim, se é da nossa raça que eles saem? As poucas figuras que de vez em quando têm surgido na nossa vida política com aproveitáveis qualidades de perturbadores fracassam logo, traem logo a sua missão. Qual é a primeira coisa que fazem? Organizam um partido... Caem na disciplina por uma fatalidade ancestral.
 Trabalhemos ao menos — nós, os novos — por perturbar as almas, por desorientar os espíritos. Cultivemos, em nós próprios, a desintegração mental como uma flor de preço. Construamos uma anarquia portuguesa. Escrupulizemos no doentio e no dissolvente. É a nossa missão, a par de ser a mais civilizada e a mais moderna, será também a mais moral e a mais patriótica.

Lisboa, 8 de Abril de 1915

in Sobre Portugal - Introdução ao Problema Nacional - Fernando Pessoa (Recolha de textos de Maria Isabel Rocheta e Maria Paula Morão. Introdução organizada por Joel Serrão.) Lisboa: Ática, 1979. Nota: 1ª publ.:”Crónicas da Vida que Passa” in O Jornal , nº5. Lisboa: 8-4-1915

Pela 1ª vez, os militares de Abril rompem com as celebrações oficiais da data

Posted: 23 de abr. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , , 0 comentários

Pela primeira vez desde 1974, a Associação 25 de Abril não vai participar na sessão oficial das comemorações da Revolução dos Cravos, em protesto contra a linha política que está a ser seguida no país. O manifesto Abril não desarma, – elaborado pela associação e «fundamentalmente pelos militares de Abril», e apresentado hoje pelo tenente-coronel Vasco Lourenço – afirma que o poder político está contra os ideais e os valores do 25 de Abril e já não exerce o regime democrático herdeiro da revolução e configurado na Constituição da República que dela emergiu.

Cf. também:


A notícia segue na íntegra, para ler clicando no link em baixo.

Saíram os últimos dados da Execução Orçamental: situação agravou-se em Março

Posted: 20 de abr. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , , 0 comentários

Leio no Jornal de Negócios:

Execução orçamental pior que a do ano passado: em 2011, nos primeiros três meses do ano, o saldo público foi positivo em 560 milhões de euros. Agora é negativo em 486 milhões. Finanças justificam com diferentes perfis de despesa e receita.

Leio no Público:
Défice do Estado praticamente duplicou no primeiro trimestre. Receita fiscal caiu mais do que o esperado e a despesa está a aumentar.

Leio no Diário Económico:
Registou-se uma quebra de 27,6% nas receitas com IRC, enquanto o encaixe com o IRS registou um ligeiro aumento de 1,2% [vale, todavia, ter isto em conta] (...) e verificou-se uma quebra de 3% com o IVA no primeiro trimestre, destacando-se a descida de 47,5% nas receitas com o imposto sobre veículos, consequência da quebra nas vendas de carros em Portugal. Nota também para a queda de 18,7% no encaixe com o imposto sobre consumo de tabaco.

Revelações calamitosas, portanto, no que se refere à tão fundamental Execução Orçamental, embora o FMI diga que o limite da troika é quase quatro vezes superior ao valor registado e que a recessão em Portugal está dentro das previsões. Na sequência da aplicação das medidas de austeridade, os factos são os factos, dê o Governo as desculpas que der e a maioria a reviravoltas que lhe apetecer: as receitas fiscais caíram 5,8% até Março. Em contrapartida, só a despesa com os subsídios de desemprego cresceu 120 milhões de euros, ou seja, disparou 23% no 1º trimestre deste ano.

# Para consultar: Síntese da Execução Orçamental | dados de Março de 2012 (relatório e estatística)

O desastre, mais detalhado, clicando no link em baixo.

Desmatamento da Amazônia no 1º trimestre de 2012 chega aos 388,13 km2

Posted: 6 de abr. de 2012 | Publicada por por AMC | Etiquetas: , , , 0 comentários

ministra durante a entrevista colectiva, em que analisou os números actualizados do desmatamento. foto de Marcello Casal 
O desmatamento na Amazônia atingiu 388,13 km2 no primeiro trimestre do ano, informou ontem o Instituto de Pesquisas Especiais (Inpe). Isto significa que, não apenas as áreas de alerta de desmatamento aumentaram entre Agosto de 2011 e Março de 2012, como também que o desmate quase triplicou de Janeiro a Março de 2012 , ou seja, só durante o primeiro trimestre deste ano. Paralelamente, conclui-se também que o desmatamento afecta 1.400 km2 da Amazônia Legal.
O Mato Grosso foi o Estado com o maior índice de desmatamento no período, com 329,93 km2, segundo dados no site do Inpe.
Nos números devastadores há ainda que ter em conta a observação do Inpe: a cobertura de nuvens impediu a observação de 85% da Amazônia em Janeiro, de 57% em Fevereiro e de 55% em Março. A esta ressalva acresce uma outra. Segundo o Inpe, a época das chuvas na Amazônia, entre Novembro e Abril, dificulta geralmente a observação da região por satélites, o que compromete a comparação anual e mensal. Ora, se com base no que foi possível observar, as conclusões já são demolidoras, imagine-se a sua real proporção se a análise versasse sobre a totalidade do desmatamento efectuado.
Desmatamento na Amazônia verificado pelo DETER no primeiro trimestre de 2012

Nos meses de janeiro, fevereiro e março, 388,13 km² de áreas de alerta de desmatamento e degradação foram identificados pelo DETER, o sistema baseado em imagens de satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) destinado a orientar a fiscalização na Amazônia Legal.
O número representa a soma dos alertas verificados no primeiro trimestre do ano. A distribuição das áreas nos Estados em cada mês é apresentada na tabela a seguir:

Janeiro Fevereiro Março
Acre - - 0,61 km²
Amazonas - - 4,53 km²
Maranhão 2,54 km² 0,70 km² -
Mato Grosso 8,04 km² 285,46 km² 36,43 km²
Pará 9,89 km² 13,03 km² 8,09 km²
Rondônia 0,56 km² 5,88 km² 5,87 km²
Roraima - 1,55 km² 4,09 km²
Tocantins 0,86 km² - -
TOTAL 21,89 km² 306,62 km² 59,62 km²

Entre novembro e abril, que consiste na época de chuvas na Amazônia e se torna mais difícil a observação por satélites devido à intensidade de nuvens que cobrem a região, o INPE divulga os resultados do DETER agrupados por bimestre, embora o sistema mantenha durante todo o período sua operação regular e o envio dos dados ao Ibama, responsável pela fiscalização. A pedido do Ministério do Meio Ambiente (MMA), desta vez o INPE divulga o dado de março agrupado ao do primeiro bimestre.
Os pontos amarelos indicados nos mapas abaixo mostram a localização dos alertas emitidos pelo DETER. Em rosa, áreas que estiveram cobertas por nuvens no período analisado.
Mapa de alertas de janeiro, mês em que a cobertura de nuvens impediu a observação de 85% da Amazônia

Mapa de alertas de fevereiro, mês em que a cobertura de nuvens impediu a observação de 57% da Amazônia

Mapa de alertas de março, mês em que a cobertura de nuvens impediu a observação de 55% da Amazônia

NOTA: Em função da cobertura de nuvens variável de um mês para outro e, também, da resolução dos satélites, o INPE não recomenda a comparação entre dados de diferentes meses e anos obtidos pelo sistema DETER *. 

via INPE

Cf. os relatórios mensais completos em www.obt.inpe.br/deter


Ministra suspeita que expectativa de amnistia acelerou desmatamento

A expectativa de mudanças na legislação ambiental, com a aprovação do novo Código Florestal, que está tramitando no Congresso, pode ter acelerado o desmatamento na Amazônia, que duplicou no primeiro trimestre este ano, afirmou também hoje a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. A floresta amazônica perdeu 388,13 km² entre janeiro e março, número 2,5 vezes superior aos 152,9 km² do primeiro trimestre de 2011, segundo os dados do Inpe divulgados pelo ministério.
"Algumas colocações foram feitas por pessoas na área, não sabemos se é verdade, mas sinalizam que ainda tem gente que está desmatando acreditando que pode ser anistiado", disse a ministra. O novo Código Florestal concede anistia aos desmatadores, porém só em casos antigos e em propriedades que possuem regularização fundiária. Izabella, no entanto, disse que não é possível afirmar que este fator tenha contribuído de forma determinante para o número total do desmatamento.
"Não temos crise de desmatamento, como foi ano passado, não tem aumento de desmatamento", disse a ministra, que explicou que os índices ainda se mantêm estáveis comparados com períodos mais amplos.
A pior situação foi de Mato Grosso, que registrou 85% do desflorestamento da Amazônia. A ministra disse que há "indícios" que alguns fazendeiros dessa região aumentaram o desmatamento com a esperança de não serem punidos com a aprovação do Código Florestal. Os dados do Inpe também detectaram que o desmatamento triplicou em Roraima, o que pode ter sido causado pela migração de alguns madeireiros do Pará, onde a polícia intensificou a fiscalização nos últimos anos, para este Estado. link

Izabella Teixeira: não há crise de desmatamento

"Não temos crise de desmatamento, como foi no ano passado, não tem aumento de desmatamento", argumenta a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. Pela pesquisa, a derrubada de florestas triplicou no período, mas, segundo a ministra, o dado de satélite não representa aumento do desmatamento. Ele reflete somente, segundo Izabella, a melhor "visualização" do equipamento, uma vez que, no período, houve menos nuvens na região, permitindo melhoria no registro.
Segundo o sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), no primeiro trimestre, os satélites detectaram a perda de 389 km² da cobertura florestal, número que é 188% maior que o de 2011 (135 km²).
O presidente do Inpe, Gilberto Câmara, diz que a maior visibilidade na região acabou gerando um aumento na identificação dos possíveis desmatamentos. Segundo Câmara, a análise dos dados de 2011 ficou comprometida pela presença de nuvens na região.
"Este ano, já tivemos praticamente visibilidade total. Então, ano passado, não havia desmatamento detectado porque nós não víamos nada. Não é correto falarmos que há evidências de aumento do desmatamento no Mato Grosso, por exemplo", argumenta Câmara.
A pesquisa em campo feita pelos órgãos de fiscalização verificou que 68% das áreas encontradas devastadas (por desmate e queimadas) resultam de atividades ilegais ocorridas em 2011.
A ministra ressaltou que não houve aumento absoluto no desmate ao comparar o período de agosto de 2011 a março de 2012 com os mesmo meses entre 2010 e 2011.
Dos Estados pesquisados, três apresentaram aumento significativo no desmatamento: Roraima (363%), Mato Grosso (96%) e Rondônia (9,7%), no período de agosto de 2011 a março de 2012. Nos demais Estados houve redução: Pará (-41%); Amazonas (-38%); Maranhão (-73%); Acre (-45%) e Tocantins (-30%). link


Desmatamento em Mato Grosso dobra e governo federal cobra explicações

O ritmo das motosserras no Estado de Mato Grosso dobrou desde a apuração da última taxa oficial de desmatamento na Amazônia. Satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) detectaram 637 quilômetros quadrados de desmatamento na região entre agosto de 2011 e março deste ano, segundo dados preliminares. Isso representa um aumento de 96% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O corte de grande extensão de floresta aconteceu apesar da presença de fiscais na região. Em dois meses e meio, até 16 de março, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) embargou 4,3 mil km2 de áreas para a produção em Mato Grosso, por desmatamento ilegal. As multas aplicadas no Estado somaram até essa data R$ 31,6 milhões, o que equivale a 64% do valor de toda a Amazônia.
"É inegável que temos um pico de desmatamento em Mato Grosso", disse a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, após reunião com integrantes da área de inteligência do governo. O ministério cobra explicações sobre autorizações de desmate concedidas no período.
"Ainda não temos as explicações, mas sabemos que tem gente lá dizendo que pode desmatar porque o sujeito vai ser anistiado", afirmou Izabella, que aponta entre as hipóteses para explicar o pico de corte expectativas falsas criadas pelo debate do Código Florestal, em votação no Congresso. A lei estadual de zoneamento econômico-ecológico, que ampliava os casos de anistia a desmatadores, teve seus efeitos suspensos recentemente.
Izabella também considerou o efeito de lei sancionada em dezembro pela presidente Dilma Rousseff e que supostamente esvaziaria o poder de fiscalização do Ibama. "Não existe nada na lei que impeça a atuação de órgãos federais", declarou.
A lei determina que cabe aos Estados fiscalizar as áreas em que tem competência para licenciar o corte de vegetação. Pela lei, prevalece o auto de infração estadual, o que pode levar a que proprietários de terra recorram das multas de R$ 49,4 milhões aplicadas pelo Ibama desde janeiro.
O novo surto de desmatamento em Mato Grosso foi detectado em fevereiro por conta da baixa cobertura de nuvens na região. As nuvens atrapalham a visão dos satélites. O desmate aconteceu em período de chuvas, quando a atividade das motosserras tradicionalmente cai na Amazônia. No ano passado, Mato Grosso já havia provocado a convocação de um gabinete de crise no governo, por conta do ritmo acelerado do desmatamento. 

Aperto da vigilância no Pará agrava situação na Roraima

Nos últimos meses, o satélites do Deter (mais rápidos, mas menos precisos) também detectaram aumento de 363% do abate de árvores em Roraima. O governo federal ainda apura os motivos de a taxa no Estado ter aumentado 363% entre agosto em março, comparado ao mesmo período do ano passado.
Embora seja proporcionalmente maior do que o aumento do desmate em Mato Grosso, o abate de árvores em Roraima somou 56 km2, menos de 9% do que foi desmatado no Estado governado por Silval Barbosa. O governo acredita que a migração da atividade madeireira do Pará possa explicar a situação em Roraima.
Rondônia também registrou aumento, de 9,7% (mais informações nesta página). Os demais Estados da Amazônia registraram queda do desmatamento nos oito primeiros meses de coleta da nova taxa oficial da Amazônia.
No Pará, as nuvens ainda atrapalham a visão dos satélites. Por isso, o diretor do Inpe, Gilberto Câmara, admite que o resultado apurado até aqui pode não corresponder à realidade. "O Pará ainda está sob nuvens", comentou. No Estado, os fiscais já embargaram neste ano 2,3 mil km2 de áreas desmatadas para a produção. As multas aplicadas ultrapassam R$ 15,5 milhões. link

[ACTUALIZAÇÃO]